Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 46

— Eu temo que algo lhe aconteça. Eu não vou perdê-la, Serenity. Falhamos com sua segurança hoje. Eu coloquei um verdadeiro exército em torno do teatro e mesmo assim o desgraçado se esgueirou e conseguiu se aproximar.

— Não foi culpa sua.

— Como não? É minha mulher. Meu dever é mantê-la protegida.

— Ele é como um fantasma. Invisível.

— Para o bem dele, é bom que seja mesmo. Se for de carne e osso, eu não vou parar até destruí-lo.

 

Capítulo 46

— Serenity é forte para caralho, considerando que só tem vinte e um anos — Zeus diz, enquanto vemos nossas mulheres conversando no jardim de inverno da casa da sogra dele.

Já é madrugada, mas nenhum de nós dá sinais de cansaço.

Acho que todos, homens e mulheres, estamos acelerados pelo que aconteceu. Apenas Odin já foi embora com Elina, e sei qual é a razão. Ele já considera Serenity família, ainda mais agora que assumiu a tutela dela e o perseguidor da minha namorada acabou de se tornar um problema pessoal para o meu primo.

Além dos meus irmãos e de Christos, que veio especialmente com Zoe da Carolina do Norte para assistir à reestreia dela, Athanasios e o marido de Eleanor, Nashon, o dono da casa, está sentado conosco.

— Sim, ela é — digo.

— Nós vamos encontrar quem fez isso, Ares — Dionysus fala porque meus irmãos me conhecem o bastante para saber a importância de Serenity em minha vida.

As duas semanas que passamos na Grécia foi um divisor de águas. Antes de viajarmos, dormimos juntos todos os dias desde que eu tirei sua virgindade, mas Nova Iorque é o nosso mundo real. A bolha que criamos na ilha foi o que me mostrou em definitivo que eu não a quero como algo passageiro em minha vida. Serenity é minha em uma base permanente.

A noite de hoje saiu dos trilhos. Nada do que planejei aconteceu. Eu pretendia pedi-la em casamento. Tenho o anel guardado comigo. Organizei cada detalhe, mas depois do incidente com o bilhete, eu não poderia empurrá-la para uma decisão.

Eu não quero que veja em mim um porto seguro, embora eu pretenda estar sempre aqui para ela. Desejo seu amor, sua loucura, assim como me sinto por ela e não que corra para os meus braços por medo.

Eu sei que ela me ama, mas está sobrecarregada demais no momento e isso talvez a deixe confusa, insegura.

Quando ela me disser o sim definitivo ao meu pedido, quero que esteja se sentindo bem, feliz e que saiba para onde estamos indo.

Eu nunca imaginei que desejaria o todo. Mulher e filhos.

Eu valorizo a família. Amo meus irmãos, mas me entendio com facilidade e não podia me ver em um relacionamento a longo prazo. Serenity me atingiu tão rápido que eu nem notei que o que eu sentia por ela, tesão, obsessão, se transformou em amor. O fascínio da primeira noite em que a vi, como corri o mundo sem que ela soubesse apenas para vê-la dançar, mas principalmente, o autocontrole que me impus em não seduzi-la quando tudo o que eu quis desde que pus meus olhos nela era me enterrar em seu corpo delicioso, me mostrou que ela para mim sempre foi única.

Eu coloquei suas necessidades acima da minha. Eu a protegi de mim mesmo.

— A demora para apanhar quem quer fazer mal a ela está me deixando louco — confesso, obrigando-me a voltar à realidade.

— Deixaria qualquer um — Athanasios fala. — Pensar em Brooklyn ou meus filhos correndo risco, que teria um psicopata ameaçando-os, me transforma em um selvagem cujo único pensamento obsessivo é destruir o inimigo.

Vejo que o marido de Eleanor tem no colo o álbum de fotografias que minhas cunhadas, com a ajuda de Debra, montaram para ela com imagens de várias fases de sua infância, inclusive as da caixa que seu falecido tutor lhe deixou.

Serenity nunca chegou a abrir a caixa que VanLith me deu. Eu já percebi que ela não gosta de olhar para o passado. Talvez porque não tenha sido feliz nele.

Ela agradeceu o presente que as mulheres da minha família prepararam, mas mal deu atenção ao álbum e acho que talvez não tenha sido uma boa ideia entregá-lo justamente hoje.

Um por um, meus irmãos se levantam, seguidos de Athanasios, restando somente eu, Christos e o marido de Eleanor na sala.

Nashon passa as folhas do álbum de Serenity, parecendo concentrado em cada uma das fotografias.

Ele é um ser humano incrível. Daquele tipo que não importa se a conversa é sobre um assunto que lhe interesse ou sobre o último desfile de moda em Paris, que duvido muito que saiba a respeito, o interlocutor recebe sempre sua atenção total, seja ele homem, mulher ou criança.

— Quem é essa bebê? — ele pergunta, apontando para uma imagem do álbum.

Estou sentado ao seu lado, então me aproximo para conferir de quem ele está falando.

Quando vejo um casal, que sei que são os pais dela, com uma garotinha de menos de um ano no colo, concluo o óbvio.

— Minha mulher.

Ele olha para mim sorrindo e sacode a cabeça, fazendo que não.

— Impossível.

— O quê?

Ele aponta para o pezinho da criança.

— Ela nasceu com o que chamamos de clubfoot, popularmente conhecido como “pé torto”. É uma condição

congênita. Está vendo aqui — nos mostra —, no caso dela são bem tortos mesmo.

— Eu não sei se estou entendendo — digo.

Christos vem se sentar do outro lado dele.

— Onde? — meu primo pergunta.

— Olhem bem. Com essa condição ela jamais aguentaria as horas de treinos a que se submete desde pequena e para uma bailarina, a prática leva à perfeição. Não estou dizendo que ela não poderia ser uma dançarina profissional ou bailarina clássica, mas dificilmente poderia se dedicar com tanta intensidade aos treinos.