Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 30
— O quê?
— Está mais chocada com o convite da minha família do que eu querer escolher que calcinhas vai usar, Serenity?
— Eu não… hum… eu nunca… eu não acho que saiba lidar com tanta gente reunida.
Agora sou eu que estou surpreso para caralho.
— Como assim? Você se apresenta em palcos pelo mundo inteiro, capturando a atenção total da plateia por horas.
— Nenhuma daquelas pessoas me vê. Eles só enxergam a bailarina, não a Serenity. Eu não sou boa nessa coisa de interagir com estranhos.
— Não quer ir?
— Por que eu iria? Eu não os conheço. São sua família.
Isso só complicaria as coisas.
Ela está apavorada por causa de um simples almoço?
Algo no meu peito contrai.
— Você está com medo de quê?
— Não estou com medo. Só não acho adequado.
— Como eu disse antes, essa linha do “adequado” já foi cruzada.
— E ela continuará a ser empurrada?
— Não entendi.
— Vai me beijar novamente? Eu supus que sim, já que roubou minha calcinha.
— Eu não roubei sua calcinha. As outras pareciam de vovó. Na verdade, estou te fazendo um favor. Vou te dar um enxoval de lingerie completo.
— Isso soa meio pervertido.
— O que sabe sobre perversões?
— Não muito, mas já li sobre fetiches — ela diz, diminuindo o tom. Pelo barulho ao redor, presumo que esteja entrando no carro com o motorista.
— Onde você está?
— Saindo da escola de dança.
Eu aproveito o gancho para mudar de assunto. Pensar em Serenity e fetiches em uma mesma oração é garantia de uma ereção fora de hora.
— Em um sábado?
— Eu pratico todos os dias.
— Pretende fazer isso para sempre?
— Não sei. Debra disse que preciso variar minhas atividades um pouquinho, mas não quero perder o foco.
Sei que ela saiu para vários lugares desde que eu fui viajar, como sei também que sua mentora a acompanhou o tempo todo.
— Eu vou te levar para a Grécia por uma semana tão logo você tenha uma pausa entre as apresentações.
— O quê?
Eu sei que não deveria, mas não sou dono da SIN à toa.
Sou um pecador e também hedonista. Eu quero Serenity na minha ilha, nadando em minha praia particular.
— Eu vou te levar para viajar.
— Só nós dois?
— Quer levar mais alguém?
— Não. Nós dois soa perfeito.
— Mesmo que eu não tenha nada para oferecer depois?
— Eu não estou dizendo que iremos como um casal, Ares.
Não seja convencido.
Aquilo deveria me deixar aliviado, mas ao contrário, irrita.
— Esteja pronta às dez, amanhã de manhã.
— Eu achei que era almoço.
— E é, mas a sogra do meu irmão gosta de reunir todos por volta das dez e depois só saímos de lá tarde da noite.
— Ares, eu não sei se devo ir.
— Por que não?
— Não quero me acostumar com vocês. Se nós dois brigarmos, ou decidirmos manter tudo na base profissional…
— Você tem minha palavra de que nunca vou te mandar para longe.
— Não pode me prometer isso.
— Eu posso, sim. Você é nossa agora, Serenity.
— Isso soa meio que como uma máfia.
— Exatamente. Não há maneira de sair do clã Kostanidis.
— Eu não me importarei se um dia eu tiver que me afastar. Eu tenho Debra e JeAnne.
— E a mim.
— Eu não tenho você. Ninguém tem você, Ares. Foi bem claro quanto a isso. Bem, se acha que não vou atrapalhar, eu aceito.
— Esteja pronta às dez.
— Já disse isso, tio Ares. Opa, não posso mais chamá-lo assim. Nenhum tio roubaria a calcinha da sobrinha.
Ela desliga antes que eu possa responder e apesar da situação deprimente dos últimos dias, eu me sinto leve como não me lembro de já ter estado antes.
Ah, Serenity, o que eu vou fazer com você?
Manter-se longe, em primeiro lugar — a voz da razão avisa.
Entretanto, eu sei que é tarde demais. O que eu disse a ela é verdade. Cruzamos a ponte do proibido e isso só vai piorar uma vez que ela esteja entre a minha família. Haja o que houver, Serenity é nossa.
No dia seguinte
O motorista estaciona na garagem do meu edifício e antes que ele se adiante para abrir a porta, já estou do lado
de fora. Eu não gosto da sensação de ansiedade, mas é exatamente como me sinto enquanto me encaminho para o elevador.
Olho para o painel como se com a mente pudesse fazê-lo andar mais rápido.
Eu tomei banho durante o voo, porque se não nos apressarmos, nos atrasaremos. Eleanor é uma ótima pessoa, mas odeia impontualidade.
Estico a mão para tocar o identificador de digitais, para abrir a porta dela, mas na mesma hora recuo ao me lembrar que esta é a casa de Serenity e aqui, sou um convidado. De qualquer modo, me sinto patético ao tocar a campainha.
Ouço passos e também uma risada e segundos depois a porta se abre, mas não é Serenity quem está na minha frente, e sim um rapaz loiro tão alto quanto eu: o fodido Otis Schulz.
— O que você está fazendo aqui? — rosno.
— Ares — Serenity surge atrás do ombro dele, um pouco sem jeito. — Esse é Otis. Ele acabou de chegar aos Estados
Unidos. Queria fazer uma surpresa para mim. Otis, esse é meu tutor, Ares Kostanidis.
Eu dou um passo para frente sem esperar que ela me convide para entrar e sem desviar os olhos dele.
— Queria fazer uma surpresa? Ela poderia não estar em casa.
Ele dá de ombros sem sorrir. Como eu, parece não está muito feliz em me ver.
— Eu teria encontrado algo para fazer. Manhattan é muito agradável.
— Uma pena que ela esteja de saída — eu digo, me aproximando de Serenity e colocando uma mão na parte de trás de seu pescoço.
Sinto-a estremecer e o filho da puta territorial que existe em mim fica satisfeito.
— Será que ele não poderia vir conosco? — ela pergunta.
— O quê?
— Otis tem que pegar o voo de volta ainda hoje à noite.
— Veio aos Estados Unidos para vê-la por apenas um dia?
— Ela vale a pena — o cretino diz, dando uma piscadinha para Serenity.
— Otis veio fazer um curso. Não está no país por minha causa. Mas sim, veio me ver em Nova Iorque mesmo que somente por um dia. Acha que a sogra do seu irmão se importaria com mais um convidado?