Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 18

Nova Iorque

SIN Nightclub

— Tem certeza de que está tudo pronto para a chegada de Serenity? — eu pergunto ao meu novo assistente, sentado em frente à minha mesa, no escritório da SIN.

— Sim, doutor Kostanidis. Tudo exatamente como me ordenou.

— E a montagem da sala de dança dela?

— Ainda em andamento, mas eles me garantiram que ficará pronta cinco dias antes que a senhorita Blanchet aterrize em Nova Iorque.

— O avião que a trará será um dos nossos. Eu não a quero em um voo comum.

— Quanto a isso, doutor Kostanidis, sua… — Ele pausa, como geralmente todos fazem em relação a Serenity.

Ninguém sabe como defini-la em minha vida, nem mesmo meus irmãos. — Tutelada disse que prefere um voo comercial.

— Não, ela virá no meu avião.

Dois anos já se passaram desde que eu me tornei responsável por ela e durante todo esse tempo, eu me mantive relativamente à distância, ou ao menos é o que todos pensam. Dei-lhe sim, liberdade para crescer, garantindo que Serenity teria tudo o que precisava, mas eu nunca estive longe de fato.

A partir do momento em que a deixei em casa depois de tê-la levado para jantar, naquela noite longínqua, em Nova Orleans, eu entendi o conceito mais puro da palavra

“obsessão”. Foi isso o que ela se tornou para mim. Quanto mais eu tentava neutralizá-la em minha corrente sanguínea, mais ela parecia se inserir sob minha pele.

Por dois anos em a observei crescer, florescer. Ela tornou-se o que estava destinada a ser: uma bailarina de sucesso e não uma qualquer, mas aquela que vem emocionando plateias do mundo inteiro.

Dois anos em que o relacionamento dela com o pirralho do Otis Schulz se solidificou.

Eu virei a vida dele do avesso e não consegui encontrar nada de desabonador em relação ao rapaz. Ele vem de boa família, como a própria Serenity já havia me dito, é ainda mais rico do que ela, e principalmente e o mais importante para mim, parece absolutamente devotado à minha...

protegida.

Sinto meu maxilar contrair como sempre acontece quando penso a respeito disso, mesmo sabendo que tomei a decisão certa em nunca ter cedido ao desejo por ela.

Eu a destruiria se tivesse levado-a para cama e é o que aconteceria se eu permanecesse em volta dela.

Eu me conheço.

Eu a quis sem nem ao menos ver seu rosto. Eu a desejei com voracidade naquele pequeno camarim no teatro em Nova Orleans. Eu fantasiei com seu corpo perfeito sob o meu, as pernas em volta da minha cintura enquanto eu me afundava em seu interior.

Proibi-me de tê-la, entretanto. Serenity era jovem… ela ainda é muito jovem e vulnerável. Ela merece alguém que

traga o mundo aos seus pés e eu não sou essa pessoa.

Assim como acredito que acontecerá ao meu irmão, eu não pretendo me casar e basta olhar no rosto inocente da garota para entender que para ela só serviria o pacote completo.

Não importa que tenha me dito que não pretende se casar também, mulheres como Serenity merecem um conto de fadas.

Eu posso lhe dar uma foda suja, fazê-la gritar de prazer montando meu pau, mas não posso entregar-lhe nada além do que bom sexo e, no fim, quando eu me cansasse dela, o que eventualmente aconteceria, ela ficaria destruída.

Nos primeiros destes vinte e quatro meses que se passaram desde que me tornei seu tutor, a revanche da minha família contra os Gordon finalmente foi concretizada.

O nome dos meus pais, vingado.

Sim, meus pais.

Ambos, porque nada do que pensamos que sabíamos sobre a história da minha mãe era verdade. Emerson Gordon nunca passou de um bastardo mentiroso e no fim, ele teve a punição que

merecia[17].

Zeus e Dionysus estão casados agora. Meu irmão mais velho, com Madison, a ex-dançarina. Dionysus, com a ex-babá de Joseph, meu sobrinho.

Penso nos casais que se formaram na família e me pergunto se para nós, os Kostanidis, o simples algum dia será uma opção. Mesmo que agora ambos os meus irmãos estejam felizes com suas esposas, eles atravessaram um inferno antes de alcançarem o pote de ouro no fim da porra do arco-íris.

— E os guarda-costas que solicitei? — pergunto.

Pela primeira vez desde que a reunião começou, meu novo assistente, Elmer, me olha confuso. Ele está comigo há apenas três meses e inicialmente eu pensei que não funcionaríamos juntos. É metódico, e vive a vida usando uma espécie de antolhos. Qualquer coisa que saia um milímetro do que ele programou o deixa perdido.

Logo percebi, entretanto, que ele tem uma capacidade de adaptação acima do normal. É um geek, certamente, mas é bom no que faz e embora eu saiba que planos “b” o tiram de sua zona de conforto, ele tem conseguido desempenhar suas funções com competência.

— Eu achei que a senhorita Blanchet já tivesse a equipe para protegê-la formada.

— Nós conversamos sobre isso na semana passada, Elmer.

Ele tosse e eu sei a razão. Eu o chamei pelo primeiro nome. Foda-me se o garoto não pensa que nasceu na realeza.

— Sim, eu sei, mas eu pensei que…

— Vamos esclarecer algo: no que diz respeito a Serenity, não pense. Esse é o meu papel. Eu a quero segura e se não percebeu ainda, meu desejo não é uma vontade, é uma ordem. Se for preciso contratar um exército inteiro para protegê-la, assim será feito.

Ouço duas batidas na porta e sem que a secretária anuncie, Hades e Dionysus entram.

Faço um gesto com a cabeça para que Elmer saia e apenas quando bate a porta atrás de si, levanto-me para cumprimentar meus irmãos. Hades tem aparecido mais, mesmo que do seu jeito, cheio de segredos, misterioso e sombrio. Já Dionysus, só vem quando quer discutir algo sério, já que ele não quer

enfurecer sua ruiva espevitada chegando em casa tarde da noite. Cici, a esposa dele, parece doce como um pote de mel, mas tem um gênio infernal e é uma das poucas pessoas que vi até hoje com coragem de enfrentar o meu irmão.

— Uma visita? — pergunto principalmente a ele. —

Entediado com a vida de casado?

Ele não manda que eu me foda, como seria normal.

Dionysus está completamente domado pela esposa, louco por ela e não tem problema em admitir isso.

Nenhum dos dois fala nada e bastam alguns segundos para que eu entenda que há algo de errado.

— O que diabos está acontecendo? — pergunto, já de pé.

— Seu celular está desligado.

— Não, ele… — Pego o aparelho e vejo que a bateria morreu.

Merda.

— Quem? — pergunto, porque sei que eles não estão me trazendo boas notícias.

— Serenity.

Sinto meu sangue gelar.

— O quê?

— Ela foi internada. Precisamos ir para Nova Orleans.