Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 1

Mesmo que de vez em quando, eu sinta raiva deles por me deixarem sozinha no mundo.

Amados Roger e Letícia…

Amada Serenity? Por quem? Por JeAnne, a quem só vejo duas vezes por ano? Pelo senhor VanLith, que recebe um salário para cuidar de mim? Pelos professores do internato que mal sabem meu nome?

Não, eu não sou a amada Serenity, sempre no coração de todos.

Sou a solitária Serenity, de quem ninguém se lembra.

 

Capítulo 1

Nova Iorque

SIN[1] Nightclub

— Não venha aqui outra vez. Não foi contratada para isso.

Vejo o rosto da garota, minha funcionária, ficar vermelho enquanto claramente pensa no que responder.

— Eu…

— Vamos poupar tempo a nós dois, baby. Não saio com as dançarinas da SIN. Você é linda, mas não estou interessado.

Jamais misturo negócios e prazer e se você vier à minha sala novamente, pode dar adeus ao seu emprego.

Noto que está morrendo de vergonha, mas não dou a mínima. Meu humor, que normalmente oscila entre o tédio e

a raiva, está uma merda neste instante.

Eu estava saindo para resolver um problema inesperado quando, pela terceira vez na semana, uma das novas dançarinas invadiu minha sala com a desculpa de limpá-la.

Não é um incidente isolado, de uma única funcionária, e sei que não será a último. Eventualmente uma delas tenta pular na minha cama, insinuar-se. Eu já tive que despedir várias que pensaram que por trabalharem para mim, teriam alguma chance de me seduzir, mas eu nunca misturo sexo com negócios.

Eu a observo recuar e sair de cabeça baixa, mas não sinto pena. Ela sabia dos caralhos das regras ao ser contratada.

E no momento, eu tenho um problema muito maior para lidar.

Rey Cardona de la Vega[2].

O maldito espanhol recluso, que raramente deixa seu castelo e com quem eu e meus irmãos estamos tentando fechar negócio há meses, tem feito das nossas vidas um inferno com sua teimosia.

O homem pouco sai de casa, quase nunca é visto pela imprensa, então quando concordou em vir à SIN, minha

boate, no dia do meu aniversário, para conversarmos sobre a aquisição de suas empresas por nosso grupo, eu soube que precisaria conseguir um meio de amolecê-lo.

Um incentivo extra.

Assim como meus irmãos, eu estudo meus adversários e encontro seus pontos fracos.

Rey pode ser antissocial, mas é homem antes de tudo, e pelo que eu soube, as únicas mulheres das quais se aproxima são acompanhantes de luxo.

Não fornecemos garotas de programa na SIN. A função da minha boate é realizar fantasias para uma pequena parcela da sociedade e eu tenho certeza de que ele sabe disso.

Políticos, chefes de estado, reis, empresários como eu.

Homens que têm muito a perder e que por isso mesmo não podem satisfazer algumas de suas taras em qualquer lugar.

A SIN existe há dois anos e conseguir se tornar um membro dela é quase um rito de passagem em que o candidato segue por uma triagem e, logo após, uma verificação de antecedentes.

Há acordo de confidencialidade de ambas as partes, assim como das moças contratadas como parte

fundamental do entretenimento.

Aqui, eles podem usar lingerie em uma sala privada, desfilando para nossas meninas. Ou passar horas lambendo sapatos femininos, serem puxados por coleiras ou surrados com chicotes.

A única coisa que não podem fazer é tocá-las e a proibição, para a maioria, é ainda mais excitante.

Não há julgamentos.

Não há câmeras nas salas privadas.

Telefones celulares não são permitidos.

O hedonismo[3] não é só tolerado, ele é incentivado.

A SIN é o lugar para o prazer sem culpa e minha intenção é de que o espanhol consiga relaxar o bastante para fechar negócio conosco.

Eu sei que nossa proposta não foi a única que Rey recebeu e também sei que todas as anteriores foram recusadas, então planejei um diferencial em seu tratamento e contratei uma bailarina que falasse espanhol para lhe dar uma dança privada.

Chegou até mim que ele prefere conversar em seu idioma pátrio.

Encontrei a garota ideal: Madison Foster[4]. Linda e um tanto desaforada.

Eu a entrevistei pessoalmente. Escolhi-a a dedo e agora, tudo pode ser posto a perder por um maldito acaso.

Se alguém me dissesse que meu irmão Zeus ficaria interessado por ela, eu não acreditaria.

O mais velho de nós quatro e a pura imagem de um banqueiro, suas mulheres sempre são iguais, como em uma fabricação em série. Eu nem sei como consegue diferenciar uma da outra, pois poderiam passar por irmãs.

Sofisticadas, altas, lindas, bem-educadas… entediantes para caralho.

E agora, o bastardo resolveu se interessar justamente por aquela que eu escolhi para entreter Rey.

Quando o gerente veio me dizer que quem estava no aposento destinado ao empresário espanhol era Zeus, eu segui em linha reta para desfazer o engano, mas bastou encará-lo, assim que entrei na sala em que se encontrava, para ver que meu plano teria que ser modificado.

Neste momento eu o olho, indiferente à performance de Madison, porque o bastardo sabe que não deveria estar

aqui.

O que diabos está acontecendo?

A dançarina não me viu ainda. Está de costas, seminua, mas sinto-me tão puto que nem reparo nas curvas generosas que imagino que tenha.

Quando vou abrir a boca, ele faz que não com a cabeça, mas não costumo desistir facilmente.

Não vou me mover enquanto ele não vier falar comigo.

Conhecendo-me o suficiente para saber que não desistirei, ele levanta-se da poltrona com o semblante fechado.

Passa pela dançarina e avisa:

— Não saia daqui.

Apenas então a garota percebe que há mais alguém na sala.

— Ela vai se apresentar para Rey — digo quando saímos e ele fecha a cortina atrás de nós.

— Não.

— Como assim, não? Foi por isso que a contratei.

— Eu quero exclusividade com ela.

Olho para o meu irmão como se ele tivesse enlouquecido.

— Você usou drogas?

— Idiota.

— Não, é sério. Eu tenho essa boate há dois anos e você sempre odiou vir aqui, e agora quer exclusividade com a única dançarina indisponível? Hoje era para ser apenas sobre negócios, irmão mais velho, então pense com o cérebro e não com o pau e deixe a menina fazer o trabalho dela.

— Vou pagar pelo resto da noite, mas ela não vai sair dessa sala até que eu diga.

— Jesus, agora tenho certeza de que enlouqueceu! Não é possível que vá disputar uma dançarina com um cara com quem estamos negociando.

— Pague o triplo a outra garota, mas essa aqui ficará à minha disposição hoje.

Eu o encaro em silêncio por um tempo antes de dizer:

— Espero que saiba o que está fazendo. Madison é recém-contratada e eu não quero sofrer um processo por assédio.

— Madison o quê? Qual é o sobrenome?

— Foster.

— Não volte mais aqui — diz, entrando e fechando a cortina outra vez.

Foda-me!

— O que há de errado? — Hades, nosso irmão caçula, pergunta, ao esbarrar comigo no corredor. Ele parecia estar se dirigindo para o meu escritório.

Eu nem sabia que tinha vindo. Não é muito dado a socialização, mesmo que se trate de negócios.

— Zeus atrapalhando minha vida — lato. — Vai ficar?