Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 43
— E você está louca para ser raptada.
— Não tenho como negar. Divirtam-se sem mim.
Ao invés do vestido formal que eu separei para usar, já que tínhamos reserva em um restaurante famoso aqui em
Manhattan, eu volto a vestir o jeans e a blusa de seda com que cheguei. Pego o scarpin que deixei no chão e, de pé, calço um. Quando deslizo para dentro do outro e fico sobre ele, no entanto, solto um grito.
Eu levo uns segundos para entender o que aconteceu, mas quando tiro o sapato e vejo o sangue, caio sentada no chão.
Capítulo 43
— Serenity? — Debra chama, olhando para o meu pé, horrorizada.
— Alguém encheu meu sapato com lâminas. Chame Ares, por favor.
Ela parece atordoada enquanto eu observo meu pé com minúsculas partículas do que parecem lâminas de giletes.
Não são cortes profundos, mas está sangrando muito e eu começo a chorar, não pela dor, mas porque sei que aquilo significa que ficarei semanas sem dançar. Talvez mais de um mês.
Automaticamente olho para trás, mas sei que não tem ninguém escondido. Os seguranças verificaram o camarim.
— Chame, Ares, Debra. A pessoa que fez isso ainda pode estar por aí!
A minha voz soa meio histérica pelo pânico.
Ela finalmente parece despertar do transe, mas nem chega até a porta, ela se abre com um estrondo.
— Ares…
Eu odeio que minha voz soe chorosa, mas desmonto quando o vejo. Mostro meu pé e sem dizer uma palavra, sei que ele entende que além do medo, a razão de eu estar chorando é porque vai atrapalhar minha temporada.
Ele se aproxima de mim e me pega no colo. Beija minha testa e depois anda para o corredor.
— Aonde estamos indo?
— Ao hospital, ver seu pé.
— Ares! — Debra chama.
— Avise meus irmãos, Debra. Mande-os verificar todas as câmeras. Eu vou tirá-la daqui.
Ares
Horas depois
— Foram ferimentos superficiais — Zeus diz, enquanto eu ando de um lado para o outro no corredor do hospital de Athanasios.
Como a família foi assistir à estreia dela, estão todos comigo nesse instante.
— Eu verifiquei as câmeras. Ninguém estranho entrou no camarim. As únicas pessoas além de nós da família foram a mentora, Debra, e a babá, JeAnne — Odin diz.
— JeAnne?
— Sim.
— Mas ela não veio à estreia. Disse que estava se sentindo mal — falo.
Odin tira o celular do blazer do terno e depois de desbloqueá-lo, acessa as fotografias e vídeos.
Segundos depois, comprovo o que ele disse. JeAnne estava se esgueirando para dentro do camarim.
— Eu quero que essas imagens sejam entregues para a polícia — falo, a desconfiança começando a se instaurar dentro de mim.
— Eu já fiz isso. Eles devem estar chegando ao apartamento de Serenity nesse instante para levá-la à delegacia. JeAnne terá que prestar depoimento.
— Acha que foi ela? — pergunto.
— Não há outra resposta possível.
— Por que a mulher que cuidou de Serenity a vida toda a prejudicaria fazendo algo assim? — Hades pergunta, se aproximando.
— Não sabemos ainda — Odin fala —, mas eu acho que foi ela, sim. Disse-me que quando Serenity veio para Nova Iorque, a desculpa que a babá deu para não acompanhá-la foi que parecia doente.
— Isso. Foi o que ela deu a entender, ao menos.
— Não há qualquer registro de que ela deu entrada em um hospital para se tratar. Ela estava levando uma rotina normal na Louisiana, antes de viajar para cá.
— Eu desconfiei que ela estava mentindo depois que chegou aqui em Nova Iorque. Está com uma aparência ótima. Mas mesmo com os indícios de que foi ela quem colocou as lâminas nos sapatos de Serenity, eu ainda não
consigo entender a razão. Acha que tem algo a ver com o ex-sócio do pai dela?
A essa altura, todos os meus irmãos sabem do passado da minha namorada e como eu, estão obcecados para desvendar esse mistério.
— Talvez — Odin responde —, mas para que prejudicar Serenity? Mesmo que a ferisse, ele não conseguiria acesso à fortuna dela. Além do que, o homem também prosperou.
Fez seu próprio patrimônio. É rico.
O telefone toca e quando olho no visor, vejo que se trata de um dos meus advogados.
— Doutor Kostanidis, eu acabei de ser contatado por um detetive de polícia sobre o incidente com sua…
— Com a minha namorada.
— Sim. Ele tem alguém sob custódia, e gostaria de saber se quer assistir ao depoimento dela.
É o procedimento padrão. Como nosso nome é conhecido, qualquer incidente relacionado a nós, os policiais entram em contato primeiramente com nossa banca de advogados.
— Eu estou indo encontrá-lo. Chegarei na delegacia em uma hora. Acha que pode segurar o depoimento até lá?
— Sim, eu darei um jeito.
— Vocês ouviram? — pergunto aos meus familiares quando desligo.
— Sim, e estamos indo com você.
— Eu preciso ver Serenity antes.
Ando para o quarto e quando chego lá, vejo as mulheres da minha família — Zoe, Elina, Madison, Brooklyn, Cici, além de Debra, em volta de Serenity que, apesar do semblante triste, parece calma.
— Podem nos dar licença um instante?
Todas começam a sair, mas eu peço a Debra:
— Fique.
Ela acena com a cabeça.
— Onde está JeAnne? — Serenity pergunta quando me sento na beirada da cama.
Eu trinco o maxilar, controlando a ira.
Hoje era para ter sido o dia mais importante da vida dela.
Serenity me contou como sonhou a vida inteira em se tornar a primeira bailarina de uma grande companhia de balé.
Eu seguro seu rosto e a puxo para um beijo leve nos lábios. Por alguns segundos, considero ocultar a verdade,
então decido que está na hora dela saber quem a cerca e, talvez, começar a desvendar os mistérios de seu passado.
— Presa.
— O quê? — ela e Debra perguntam simultaneamente.
— Ao que tudo indica, foi ela quem colocou as lâminas no seu sapato.
Eu empurro a cadeira de rodas para a sala em que Serenity assistirá o depoimento de JeAnne. Não houve maneira de convencê-la a não vir e depois de pensar a respeito, eu cheguei à conclusão de que seria melhor assim.
É como se fala a respeito do luto. Você tem que conferir por si mesma a pessoa no caixão para ter certeza de que ela partiu.
Serenity consegue se levantar porque eles lhe deram um analgésico poderoso, mas está molinha ainda, um pouco tonta.
Apenas meus primos, irmãos e Debra vieram conosco, todos sem conseguir acreditar nessa merda.
Chegamos à sala e quase como fez na minha boate, quando assistiu ao casal fodendo, ela cola o rosto no vidro.
Dessa vez, no entanto, está tremendo, quebrada, triste.
Eu me posiciono atrás dela para assistir à mulher que cuidou de Serenity a vida inteira confessar a verdade.
Ela revela como colocou as lâminas dentro do sapato e que sua intenção era impossibilitar Serenity de continuar se apresentando.
Quando o detetive pergunta a razão dela querer atrapalhar a carreira de Serenity, no entanto, ela diz que só contará a verdade a mim.
O depoimento não dura nem uma hora e quando termina, Serenity gira em meus braços.
— Eu quero vê-la.
— Baby…
— Eu preciso vê-la, Ares. Vou entrar com você — diz, quando eu lhe falo da intenção de ir perguntar à infeliz por que quis machucá-la. — Aquela mulher cuidou de mim como uma mãe.
— Ela tem razão — Debra diz. — Precisamos saber por que ela fez o que fez.
Cinco minutos depois, com Serenity sentada outra vez na cadeira de rodas, entramos na sala onde JeAnne está.