Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 27
— Vou te avisar novamente. Não jogue comigo, Serenity.
Você é linda e desejável, mas até onde sei, só teve um homem em sua vida. Não é páreo para mim. Eu não sou um cafajeste. Sempre coloco as cartas na mesa, mas entrar em um relacionamento com você só trará problemas para nós dois.
— Não aconteceu nada entre nós e nem vai acontecer, Ares. Sou apenas uma boa menina, e você, meu tutor mandão.
Capítulo 27
A minha boa menina olha em volta do apartamento com curiosidade, enquanto, por minha vez, eu a observo.
O imóvel que eu escolhi para ela, um andar abaixo do meu, tem cerca de quinhentos metros quadrados. Eu já mandei providenciar inclusive, assim como ela fez na Louisiana e como eu havia mandado Elmer fazer no outro imóvel que eu tinha escolhido antes para ela morar, que fosse instalada uma sala para que pratique seu amado balé em casa.
O duplex tem quatro quartos e agora, vendo a pequena figura de Serenity percorrer cada cômodo, parece muito grande para uma jovem de vinte anos e sozinha.
Ela não tocou no assunto da desistência de JeAnne de vir para Nova Iorque, o que me faz pensar que minha tutelada é uma contradição. Jovem e inexperiente, mas, em contrapartida, parece que aprendeu a guardar as emoções para si.
Não todas — uma voz demoníaca invade meus pensamentos.
No avião, no momento em que estávamos na suíte, ela me entregou o que estava sentindo. Se não fosse Hades, eu provavelmente a teria perseguido no pequeno banheiro e provado aquela boca deliciosa.
Diabos, eu preciso sair daqui.
Estou prestes a lhe dizer isso, quando ela pede:
— Poderia abrir as malas comigo?
Não há qualquer impertinência em seu tom, e sim, insegurança.
— Por quê?
— Deixa para lá.
Eu ando até onde ela está, mesmo que tenha prometido a mim mesmo não fazer isso.
— Responda — comando, segurando seu queixo e obrigando-a a me olhar.
— Eu não vou te dar uma arma para me achar uma pirralha.
— Eu ainda não te rotulei. Não cheguei à conclusão se é menina ou mulher. Agora, me diga a razão do pedido
estranho.
— E se tiverem colocado outro bicho nas bagagens? Um escorpião novamente ou talvez agora, uma cobra?
Pelo pouco que conheço de Serenity, ela não se sente confortável em mostrar um lado tão vulnerável. Ela se obriga a ser forte.
Qualquer um em sua idade que tivesse sido picada por um escorpião com potencial letal, teria entrado em pânico.
Ela lidou bem com a situação. Claro, eu notei que sentiu medo, mas um medo controlado.
Algo nessa “obrigação de ser forte” com que ela age é comovente. Como um anjo inocente tentando enfrentar o mundo.
Sem dar um segundo pensamento para o que estou fazendo, eu a puxo para os meus braços.
Eu não sei qual será sua reação. Serenity é imprevisível.
Ela nunca responde o que eu acho que dirá; não recua quando empurro seus botões.
Há pouco tempo, no avião, estava me desafiando, provocando, mas para provar mais uma vez que tinha razão, que não consigo prever seus movimentos, ela passa
os braços delicados pelas minhas costas, aumentando a proximidade.
Um abraço controlado, é o que tento lhe dar.
Conforto. Proteção.
Eu juro por Deus que não havia sequer um pensamento sujo em minha mente.
O problema é que há uma fodida química avassaladora entre nós, como se o corpo da garota emitisse um tipo de hormônio sedutor que fosse ao encontro da minha fome e necessidade.
Ambos sentimos a mudança quando os dois corpos enrijecem ao estreitarmos o abraço.
Não nos afastamos, entretanto, e apenas o som das respirações carregadas preenchem o ambiente.
Eu já a toquei algumas vezes, mas neste momento a sinto completamente moldada a mim e não preciso de muito mais do que alguns segundos para entender que senti-la pode se tornar viciante.
Eu deslizo a mão que estava espalmada em suas costas, para a cintura. Serenity é tão pequena que consigo abarcar o quadril também. A outra, que eu mantinha na parte de
trás de sua cabeça, emaranha na massa de cabelos castanhos, macios como fios de seda.
Ela ergue o rosto e me encara, os enormes olhos azuis brilhantes e convidativos.
— Eu jurei a mim mesmo que não faria isso, mas estou obcecado em provar você.
Ela puxa o ar com força.
— Disse que não deveríamos…
— Sim, eu disse — sussurro, roçando os lábios de leve nos dela.
Serenity olha para mim sob os cílios, totalmente entregue em meus braços, sem perceber que move o corpo em uma dança inconsciente e sedutora.
— Então…
— Preciso dessa boca mais do que da próxima respiração.
Eu não lhe dou mais chance de escapar, não encosto nossos lábios com delicadeza ou com o cuidado que talvez devesse fazer com alguém tão sem vivência quanto ela.
Seguro-a contra mim e a devoro com uma fome reprimida por dois anos. Com um desejo voraz que mantive sob
controle porque sabia que seria um jogo injusto com ela, recém saída de um internato.
Ainda é um jogo injusto com ela.
Há uma diferença enorme de idade entre nós dois, mas eu preciso saber como é seu sabor.
Apenas uma amostra e a deixarei ir — juro em silêncio.
Foi uma boa determinação, correta e até mesmo honrada, mas que se desvaneceu como papel dentro de água no segundo em que Serenity separou os lábios e me permitiu sentir sua língua na minha.
A partir dali, do instante em que provei a quentura e maciez de seu interior molhado, qualquer pensamento racional que eu pudesse ter foi para o caralho.
A diferença de tamanho entre nós é enorme, então eu a suspendo em meus braços para que sua boca fique alinhada onde eu preciso dela.
Eu aprofundo o beijo, explorando sua doçura, pegando tudo o que quero e as mãos se enroscam no meu cabelo, apertando de leve.
Separo as bocas por um momento.
— Não se segure. Eu sei que tem muita paixão dentro de você.
As palavras parecem libertá-la. Ela não apenas aumenta o agarre nos meus cabelos, mas também reage ao beijo, sugando e mordiscando minha boca.
Uma voz me diz que precisamos parar antes que seja tarde demais, mas eu a calo porque preciso de um pouco mais desse mel.
Eu seguro suas coxas com as duas mãos, mas quando estou prestes a obrigá-la a circundar minha cintura com as pernas, o interfone toca.
Ela se assusta, tentando escapar dos meus braços.
Relutantemente, eu a desço, mas não paro de olhar o rosto lindo e corado de excitação.
— Quem pode ser? Um dos seus irmãos?
Sacudo a cabeça, incapaz de falar, então me lembro que Debra Villatorro me disse que viria de surpresa para passar uns dias com Serenity, até fazer a mudança definitiva para Nova Iorque. Aparentemente, a amizade delas é muito mais sólida do que eu imaginei a princípio, porque a bailarina aposentada pretende manter um apartamento em
Manhattan também e voar para cá algumas vezes na semana para ficar com Serenity.
— Não. Sua mentora.
— Debra está aqui?
— Era para ser uma surpresa. Vá atender o interfone. Vou conferir suas malas como me pediu.