Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 42

Elas nunca vão se dar bem?

— Seja boazinha — peço. — Debra estava viajando e veio para me ajudar nos ensaios para a minha estreia.

 

Capítulo 42

Duas semanas depois

— Então os médicos estavam certos?

— Sim, o escorpião foi geneticamente modificado. Quem quer que o tenha colocado lá, não queria matá-la, e sim feri-la ou dar um susto — Odin responde.

— Um susto? Bastava que o corpo dela tivesse reagido mal ao veneno ou que não tivesse sido socorrida a tempo e o resultado não seria apenas “um susto”.

Pensar nessa mera possibilidade me faz desejar matar alguém.

— Não há dúvida de que esse perseguidor é um psicopata. Se o que Serenity disse é verdade, que o stalker deixava flores e bilhetes em qualquer lugar do mundo em que estivesse, significa que é um homem com dinheiro e também que sabe se esgueirar, já que nunca foi apanhado pelos guarda-costas. Como eu disse antes, se ela tivesse contado o que estava acontecendo desde o começo, poderíamos rastrear as filmagens. Mas elas são apagadas depois de alguns meses.

— E quanto às do teatro em Paris? Seriam as mais recentes. Foi o último lugar em que ela se apresentou antes de se mudar de volta para cá.

— Eu já verifiquei. Lá, houve uma entrega de uma única rosa por um portador. Rastreei a loja. Foi uma encomenda anônima, online. Entrei nos servidores dele para ver de quem partiu, mas a única coisa que descobri foi que feita de uma cafeteria aqui nos Estados Unidos.

— Isso não faz o menor sentido.

— Até faz. A pessoa é esperta. Usou o wi-fi do lugar para não chamar a atenção, mas eu mandei que um funcionário de confiança verificasse as filmagens. Você não tem ideia de quantas pessoas entram em um coffee shop ao longo do dia, mas ele analisou tudo com calma, cruzando dados.

Infelizmente, as filmagens do dia da encomenda da rosa já haviam sido apagadas. A compra foi feita com um cartão de crédito roubado de uma viúva de noventa anos.

— Eu mal posso esperar para colocar esse filho da puta atrás das grades.

— Sua preocupação com ela não parece a de um tutor apenas.

— Nós estamos juntos.

— Pode ser complicado pelo fato de vocês terem uma relação legal unindo-os.

— Sim, eu já pensei nisso. A solução que encontrei foi transferir a tutela dela para você ou para Christos. Se a der a qualquer um dos meus irmãos, também criaria uma situação delicada.

— Eu posso pegar, se precisar. Já conversou com Serenity a respeito?

— Já, sim. Ela precisa saber de cada decisão sobre o futuro. Foi criada em uma redoma. Super protegida, mas logo fará vinte e um.

— Concordo. Até mesmo um controlador como eu não criaria meus três filhos tão despreparados para a vida. Ela só descobrir que era milionária através de você é imperdoável — ele faz uma pausa. — Você sabia que o pai de Serenity tinha um sócio?

— Não. Eu nunca fui tão longe em minha pesquisa sobre ela. Eu foquei do momento em que ficou órfã em diante.

— O pai dela tinha um parceiro de negócios cuja sociedade não terminou bem.

— Como assim?

— Eles não foram sempre ricos. O pai de Serenity fez fortuna como construtor, mas começou de baixo. Pelo que pude verificar, antes de se tornar milionário, Roger Blanchet desconfiou que estava sendo roubado pelo sócio e pôs fim à parceria.

— Roubado?

— Sim. Parece que o sócio estava desviando parte dos lucros. Logo que a sociedade chegou ao fim, o pai de Serenity fechou um grande negócio no Oriente Médio, com um Sheik e de uma construtora local, de repente criou um renome mundial.

— Sim, essa parte eu sei, mas não sobre o tal sócio.

— Como eu disse, a sociedade foi desfeita antes do pai de Serenity expandir os negócios e ficar rico. Para tornar curta uma história longa, o ex-sócio não aceitou bem o fim da parceira. Houve brigas na justiça e quando o homem, Edgar Hazen, perdeu a ação, aconteceu inclusive um confronto físico entre eles.

— Caralho. VanLith certamente sabia disso. Por que não me contou?

— Talvez acreditasse não ser relevante.

— Mas você pensa diferente?

— Eu não raciocino como uma pessoa regular, Ares.

Quando me deparo com um problema, eu analiso cada nuance até encontrar o pedaço que não se encaixa no cenário.

— E acha que pode ser esse sócio? Acredita que de alguma forma ele esteja tentando prejudicar Serenity?

— Seria o único inimigo que ela poderia ter. Sua garota passou a vida praticamente toda trancada no colégio interno. Ela contou que a sensação de estar sendo perseguida começou tão logo saiu do internato de volta a Nova Orleans. É muito pouco tempo para alguém se tornar tão intensamente obcecado por ela.

— Acha que é ele o perseguidor, então?

— Eu não sei. Perseguir alguém assim parece a ação de um homem mais jovem. Não tenho todas as peças do quebra-cabeça ainda, Ares, mas pode ter certeza de que

não vou parar até desvendar esse mistério. Enquanto isso, mantenha sua mulher sob vigilância.

Serenity

Noite de estreia como primeira bailarina do New York City Ballet

Eu puxo várias respirações para acalmar meu coração.

Finalmente aconteceu. Eu cheguei ao topo, no ponto mais alto dos meus sonhos. Eu estreei como primeira bailarina do New York City Ballet.

A família de Ares acabou de sair do meu camarim.

Todos já sabem sobre nós dois, JeAnne inclusive, e ela não demonstrou surpresa. Eu achei, dada a maneira superprotetora como me criou, que não iria gostar que eu estivesse namorando, mas ela apenas disse que era bom ter alguém como o doutor Kostanidis para “cuidar de mim”.

Foi uma reação estranha, se considerarmos que ela tentou me envenenar contra Ares com aquela história dele ter me escondido a morte do senhor VanLith.

Daqui a alguns dias, minha tutela será transferida para Odin Lykaios, um dos primos dele. Eu não me importo.

Nunca dei a mínima para dinheiro, mas sei que Ares está fazendo isso, como me explicou, para que não reste dúvida de que não há um conflito de interesses em nossa relação.

A única decepção da noite foi Otis, que não veio. Temos nos falado pouco porque desde que contei a verdade sobre minha relação com Ares, ele tem me evitado.

A porta se abre e no momento seguinte, o homem por quem sou apaixonada entra no camarim, a fecha e se recosta nela.

Ele me encara, o rosto sério.

Eu sei que esperou que toda a família saísse, depois de me darem os parabéns por minha apresentação, para poder falar comigo a sós.

Aos poucos, eu o estou conhecendo. Ele não brincou quando disse que aprendeu a não demonstrar sentimentos, mas se há algo que aprendi sobre meu grego nas últimas

semanas, é que as palavras não têm o mesmo peso que as ações.

Ele nunca falou sobre o que temos, mas eu me sinto adorada a cada noite que passo em sua cama.

— Eu tenho uma surpresa — diz.

Estou sentanda, descalçando as sapatilhas e depois de flexionar um pé, levanto a cabeça para olhá-lo.

— Surpresa?

— Vou te roubar por vinte e quatro horas.

— Eu…

— Eu sei. Tem que ensaiar. Mas a próxima apresentação é daqui a cinco dias. Eu quero te sequestrar.

— Até sua escolha de palavras é a de um ogro. — Sorrio, levantando-me, indo até onde está e enlaçando seu pescoço.

— Qual outro nome além de sequestro posso chamar te isolar nos Hamptons, nua, apenas me alimentando do seu corpo?

Ele me suspende em seus braços e eu cruzo as pernas em volta de sua cintura.

— Isso parece um bom sequestro.

— Vamos de helicóptero. Vinte e quatro horas. Sem celulares. Só nós dois.

— Soa como o paraíso.

Eu me ergo um pouquinho para beijá-lo, mas assim que colo nossos lábios, a porta se abre.

— Oh! — Debra diz, parecendo sem jeito. — Perdoem-me.

Ares me coloca no chão devagar. Depois de me beijar a boca, diz:

— Tem meia hora para se aprontar.

Depois que ele sai, Debra sorri.

— Você está feliz.

— Sim, tanto que sinto até medo.

Eu termino de me despir, sem qualquer vergonha de ficar nua na frente dela. Não seria a primeira vez.

— Então o jantar de comemoração foi abortado, pelo visto?

— Pode apostar nisso. Ele quer me sequestrar.