Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 16

— Eu não pretendo me casar nunca. Vai ter que me aturar por sete anos inteiros, senhor Kostanidis. Mas não se preocupe. Eu não vou incomodá-lo. A única coisa que preciso é montar um estúdio de dança em casa. Eu pretendia ligar você e pedir isso, mas agora que sei que não estou à beira da miséria, não acho que vá me negar.

— Pode ter tudo o que quiser, Serenity.

— Ninguém pode ter tudo o que quer, Ares.

— O que isso significa?

— Todo o dinheiro que você diz que eu possuo não é capaz de trazer minha família de volta.

 

Capítulo 16

Paris

Dois anos depois

— Deveria contar a ele, Serenity — Debra diz, enquanto me observa dar os toques finais na maquiagem.

— Não — respondo sem encará-la e continuando a pintar os olhos. Desde a noite da minha primeira apresentação solo, há dois anos, decidi tomar a tarefa para mim mesma. As maquiadoras sempre exageram na quantidade e eu me sinto até mais pesada com tanto rímel.

— Não está pensando direito. Aproveite que passará os próximos meses direto nos Estados Unidos.

— Eu já estou tensa só de saber que eu e ele moraremos na mesma cidade. Se eu contar a Ares sobre meu perseguidor, ele não vai me deixar respirar, Debra.

Há muito tempo que eu a chamo assim. Ela passou de mentora a uma amiga querida, causando inclusive ciúme em minha amada JeAnne.

Eu amo as duas, mas minha babá não aceita me dividir com a baixinha de nariz em pé, como ela chama Villatorro.

— Ele tem sido muito melhor do que nós imaginamos no começo — diz e eu sei que tem razão.

Depois do único jantar com Ares, nunca mais nos encontramos pessoalmente. Ele jamais sugeriu isso e embora eu gostaria de vê-lo de novo, sou orgulhosa demais para lhe pedir tal atenção.

A cada apresentação, não importa em que parte do mundo eu esteja, no entanto, recebo um buquê com três dúzias de copos-de-leite — minhas flores favoritas — e uma joia.

Não sei como ele descobriu sobre meu gosto para flores.

Provavelmente devo ter comentado em alguma entrevista que dei.

Eu sempre o agradeço por mensagem. Sei que está fazendo aquilo por obrigação e também, de um certo modo, investindo minha fortuna ao me comprar as joias.

Eu nunca sequer as abri. Não dou a mínima para ouro ou diamantes. Nos dois últimos anos, algumas coisas mudaram em minha vida. A mais drástica delas é que me profissionalizei e que estou prestes a me tornar a primeira bailarina do New York City Ballet. Mas mesmo antes de eu chegar ao meu tão sonhado topo, já sou aclamada mundialmente como o novo fenômeno mundial do balé clássico. Antes de receber o convite para o New York City Ballet, também fui requisitada para o Bolshoi, mas como pretendo levar JeAnne comigo aonde quer que eu vá, não a obrigaria a ir para tão longe.

Os planos de aposentadoria que eu pensei que ela tinha, aparentemente, foram arquivados por ora. Ela nunca tocou no assunto comigo e eu nunca lhe disse que encontrei os folhetos com propriedades na Flórida. Todos têm direito a guardar segredos.

Eu, ao menos, os tenho aos montes. Atualmente, a única pessoa que posso dizer que sabe tudo da minha vida é Debra. Eu não lhe escondo nada, inclusive a atração avassaladora que senti pelo meu tutor na única noite em que ele veio me ver.

Não é que eu não confie em JeAnne para compartilhar. Eu o faço. Amo-a como a uma mãe, mas às vezes tenho a sensação de que ela me vê como um bebê ainda.

Assim, Debra se tornou minha confidente e é justamente por isso que está me perturbando agora.

— Você já assistiu a documentários policiais? — pergunta.

— O quê?

— Eu estou falando especificamente sobre stalkers[15], Serenity. Perseguidores que escolhem um alvo e fixam-se neles porque acham que estão destinados a ficar juntos ou o que quer que seja a explicação louca que dão a si mesmos.

— Passaram-se dois anos desde aquele ingresso que você encontrou, Debra. Nada aconteceu de grave desde então.

— É verdade, mas mesmo assim, a pessoa, e vou assumir aqui que seja um homem, quer que você saiba que ele está por perto. Os bilhetes recorrentes, a única rosa que surge do nada em seu camarim. Isso tudo são pistas de que ele está ao seu redor. Não tem medo?

— Um pouco, mas, honestamente, não acho que ele queira me fazer mal. Talvez seja só um fã. Um muito rico,

para correr mundo atrás de mim.

— Ou um muito louco. E cuidadoso, né? Porque nunca deixou DNA em seus “presentes” ou foi pego pelas câmeras.

Sei que ela mandou testar os bilhetes e não encontraram nada.

— Eu agradeço sua preocupação, Debra, e prometo que vou pensar a respeito, mas eu não me tornarei uma prisioneira do medo. Além do mais, o que Ares poderia fazer?

— Está brincando comigo? Nós duas o pesquisamos juntas. Os Kostanidis são uma espécie de realeza no país, assim como os Oviedo.

— Eu sei. Vamos fazer assim: quando eu chegar a Nova Orleans, para organizar a mudança para Nova Iorque, telefonarei para Ares.

— Não ache que vou me esquecer dessa promessa, Serenity. Eu cumpri o seu pedido de não avisar aos seguranças sobre as flores e os bilhetes, mas algo me diz que seu perseguidor está se tornando cada vez mais impaciente.

— Impaciente para quê?

— Para encontrá-la cara a cara.

Um arrepio de medo eriça os cabelos da minha nuca.