Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 48
Eu não me importo com quantas batalhas terei que lutar.
Se enfrentarei o próprio Satanás. Ninguém vai levá-la para longe de mim. Matarei qualquer filho da puta que tocar em um fio de cabelo dela.
Duas horas depois, eu ainda a mantenho presa em meus braços, em nossa cama.
Acabo de receber uma mensagem de Odin, e por mais que não queira deixá-la, sei que será necessário ver o que meu primo deseja.
Eu a retiro com cuidado de sobre o meu corpo e a pouso na cama.
Pego o telefone e saio do quarto.
Na mensagem, ele diz que precisamos fazer um teste de DNA para termos certeza sobre as suspeitas de Nashon.
Caso seja verdade, teremos que descobrir quem Serenity é e por que está ocupando o lugar da verdadeira filha dos Blanchet.
Capítulo 48
Dias depois — Ele está apaixonado — Debra diz, enquanto ajuda-me a me alongar para a prática de balé.
— Como pode ter certeza?
— Ele respira você, Serenity.
— Eu gosto de como isso soa. — Suspiro, me olhando no espelho da sala principal da escola de dança. — Eu gostaria de ser mais experiente. Talvez assim não me sentisse tão insegura com as mudanças de humor dele.
— Bem-vinda ao mundo das mulheres apaixonadas, querida. Não importa quantos anos você tem, a insegurança será a mesma. O amor não vem com garantias. É sempre o risco, a queda, a aposta e é justamente por essa razão que o ato de amar é tão emocionante.
Depois da sensação de que o estava perdendo, na noite do meu aniversário, Ares voltou ao seu modo normal.
Não, na verdade, ele se tornou ainda mais possessivo.
Eu só queria entender se essa paixão toda é paixão no sentido literal da palavra, ou desejo em sentido estrito.
— Está arrependida de ter se envolvido com ele?
— Não. Como poderia, Debra? Você disse que ele me respira e o contrário também é verdadeiro. Eu o amo, não apenas o que temos no quarto, cada nuance dele, até seu mau humor e o jeito dominante.
— Deve ter alguma explicação biológica para que nós mulheres fiquemos tão suscetíveis a ogros.
— Seu marido era assim?
— Muito, mas como seu deus da guerra, amava com a alma também.
— Eu não acho que ele…
— O fato de não ter dito com todas as letras, não significa que não a ama. Há homens que se declaram para suas parceiras a cada cinco minutos e mesmo assim, traem, mentem, enganam, iludem. Preste atenção nas ações dele, Serenity. Falar, até papagaio fala.
Eu devo ter adormecido. Cheguei tão cansada da prática que nem comi, caí em cima da cama, ainda vestida, e apaguei. Tomei banho na escola de dança mesmo.
Assim que desperto, a barriga faz um som estranho, uma mistura de ronco com trovão, avisando que está vazia há tempo demais.
Estou quase no corredor quando vejo o terno que Ares usou naquela fatídica noite de reestreia do balé, parecendo recém-chegado da lavagem a seco. Provavelmente as empregadas não souberam onde guardá-lo e deixaram aqui.
Eu o pego de cima da poltrona, mas assim que movimento a embalagem, uma caixinha de joias cai no chão.
Sacudo a cabeça, pensando que com a confusão daquele dia, ele deve ter esquecido de me entregá-la, junto à pulseira e os brincos que me deu.
Estou prestes a guardá-la novamente no bolso do blazer quando a curiosidade leva a melhor e eu abro. Fico de boca
aberta. Dentro, há um diamante solitário de pelo menos três quilates.
O formato da joia é inconfundível. Este não é um anel qualquer e sim, um de noivado.
Ele ia me pedir em casamento?
O meu coração dispara ao ponto de eu ter certeza de que estou passando mal, mas então o meu lado racional emerge.
Se ia mesmo me propor, o que o impediu? Mudou de ideia?
Guardo a caixa no bolso do terno outra vez. Sinto-me envergonhada por mexer nas coisas dele. Mesmo achando que o anel é para mim, ele não me deu, logo, não tinha o direito abri-lo.
Tento raciocinar com calma.
Claro que ele não me pediria em casamento naquele dia.
Eu
estava
me
sentindo
sobrecarregada
com
os acontecimentos e provavelmente ele decidiu esperar uma ocasião melhor.
Estou pensando demais, como sempre, e deixando minha insegurança tomar a frente.
Com a mente preenchida pela conversa que tive mais cedo com Debra, saio do quarto, disposta a parar de agir como uma garota insegura.
Hoje à noite, quando Ares chegar em casa, vou seduzir meu ogro grego, deixá-lo aos meus pés e quem sabe então, ele me proponha.
Sorrindo
enquanto
caminho
pelo
corredor
do
apartamento, eu me pergunto se alguma hora ele vai me trazer para cá de vez. Nunca mais dormi em casa. O meu lugar ficou vazio por tantos dias que a empregada que trabalhava para mim subiu um andar e agora ela e a de Ares se revezam, cuidando de nossas coisas aqui.
Assim que piso na sala de estar, ouço a voz dele. Não é comum encontrá-lo a essa hora, perto do almoço.
Para a paz do meu ciúme, depois que começamos a namorar, ele raramente fica à noite na SIN. Tem deixado tudo na mão dos gerentes.
Eu sigo para onde ouço o que parece uma conversa por viva-voz. Noto que vem da biblioteca.
— Está confirmado, então? — ele pergunta ao interlocutor.
A porta está entreaberta, mas mesmo assim me sinto desconfortável por ouvir a conversa, então me preparo para voltar pelo mesmo caminho que vim. Mas então, ouço um homem dizer:
— Sim. O DNA provou sem sobra de dúvida que não é ela.
Não sabemos quem é, mas a mulher que o mundo conhece como Serenity Clementine Blanchet, a garota de quem sou o tutor, com certeza não é a filha dos Blanchet.
Odin.
O homem que assumiu minha tutela está dizendo a Ares que eu não sou Serenity? Eles estão loucos? É uma brincadeira de mau gosto.
As pernas tremem ao ponto de eu precisar me apoiar na parede, enquanto eles continuam a falar.
— Se não fosse o marido de Eleanor ter descoberto aquela imperfeição nos pés da bebê ao olhar a fotografia naquela noite, nunca saberíamos da verdade — Ares diz.
— Sim — Odin concorda. — Está óbvio que foi uma armação. Precisamos encontrar a verdadeira herdeira e…
Eu não continuo ouvindo. Sigo para o quarto e depois de pegar a carteira e celular, desço pela escada de incêndio ao
invés do elevador.
Eu sei que, a essa hora, os guarda-costas não estão me esperando sair. Eu nunca fugi deles antes, então estou contando com o elemento surpresa.