Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 15

Eu estava levando um pequeno pedaço de quiabo empanado à boca, que o garçom trouxe imediatamente após nos sentarmos e que eu

acredito que seja um tipo de hors d’oeuvre[14] desse restaurante.

Todas as vezes que voltei do internato nas férias, JeAnne os preparou para mim e acho que meio que me viciei no aperitivo. Nunca consigo resistir a ele, embora depois corresse ao menos dez quilômetros na esteira para queimar as calorias.

Depois do que Ares fala, no entanto, eu paro o movimento no meio do caminho.

— O que disse? — pergunto, chocada tanto por ele ser o equivalente a um rolo compressor humano quanto por ter conseguido me ler tão bem.

— Você ouviu. Não estou aqui para ser sua primeira paixão, e sim para me assegurar de que está bem e

também ter certeza de que vai me procurar se for necessário.

— Eu nunca namoraria alguém tão velho — falo, porque acabo de descobrir que tenho uma veia vingativa.

Bastardo convencido.

Claro, ele tem razão em parte. Não sobre eu querê-lo para meu primeiro o que quer que seja, e sim porque seria tipo tirar na loteria se acontecesse. Inclusive porque Ares mora em Nova Iorque. Namorá-lo nem ia atrapalhar minha prática de balé. Bastaria uma vez a cada quinze dias e… Não, quinze dias seria pouco. Ele é muito lindo. Uma vez a cada semana.

— Volte à Terra, Serenity. Está sonhando acordada. Eu vi a maneira como olhou para mim, então pare com a encenação de que sou velho demais porque não vou comprar essa defesa.

— Eu acredito que um homem na sua posição deva ter mulheres se atirando aos seus pés, doutor Kostanidis, mas comigo, estará seguro. Meu coração já tem dono.

Gente, eu nunca inventei uma mentira tão rápido na vida.

Bati todos os recordes.

Eu quase dou um tapinha nas minhas costas quando vejo sua expressão enrijecer.

Mas dura pouco. Logo, um sorriso de pura ironia se desenha na boca linda.

— Está mentindo. Não sai de casa a não ser para a prática de balé.

Pense rápido, Serenity.

— Tem razão. E isso porque não me interesso por mais nada que não seja feito junto ao meu Otis — falo depressa, lembrando-me do irmão de uma colega do colégio interno.

— Ele é quatro anos mais velho do que eu, e estuda ainda.

Está terminando a faculdade, mas nas próximas férias virá me visitar.

— Eu quero o nome completo dele.

— O quê?

— Você me ouviu. Nome completo.

— De jeito nenhum. Ele vem de uma família nobre, posso lhe garantir. Além do mais, eu posso tomar conta de mim mesma.

— O que você pensa, não vem ao caso. Sou seu tutor.

Quero saber quem é o rapaz.

Ai, meu Deus. Vou ter que ligar para Otis e pedir para ele confirmar minha mentira. Incrivelmente eu sou mais amiga dele do que de sua irmã.

— Tudo bem — falo e vejo sua sobrancelha erguer.

— Assim tão fácil?

— Quer que eu faça uma guerra por tudo? Como você mesmo apontou, sou uma boa menina. Uma jovem bailarina com uma carreira brilhante pela frente e um namorado lindo.

Eu olho para ele para tentar ver o que minhas palavras causaram, mas demoro um nada para me sentir uma idiota.

A expressão de Ares continua neutra, óbvio.

Ele negociou para assumir minha tutela. Não está preocupado com minha vida privada.

— E milionária.

Eu tinha acabado de dar um gole na água, mas engasgo.

— O quê?

Sua expressão denota confusão.

— Como assim o quê?

— Eu pensei que tinha ouvido você dizer que sou milionária.

— Foi isso mesmo.

— Como é possível?

— Espera, VanLith nunca conversou com você sobre a fortuna que herdou?

Eu me sinto uma imbecil, alienada.

— Eu nunca perguntei.

— Não era seu dever perguntar, era o dele lhe informar assim que fez dezoito anos. Há muito em jogo. Seu futuro, principalmente.

Ele parece zangado agora. Não da mesma maneira que foi comigo. Ele parece bravo para valer e o que vem na minha cabeça é que o nome se encaixa nele como uma luva. Eu não queria ser aquele na posição de adversário para Ares. Ele não é explosivo. É de uma frieza assustadora, muito pior do que se gritasse.

— O que quer dizer com meu futuro estar em jogo?

— É uma menina inteligente, Serenity. Pense.

— Eu juro que não estou entendendo.

— Você é linda — ele começa e fico com raiva quando sinto meu coração cretino disparar porque ele fala isso de uma maneira clínica, e não como um elogio. — Mas se essa

beleza vem reunida em um bonito pacote de milhões de dólares, se torna muito mais atraente.

— Oh!

Ares

Jesus, eu tenho vontade de apertar o pescoço de VanLith neste instante.

Ela me olha em completa confusão e mais do que nunca me sinto uma canalha por tê-la cobiçado como faria com qualquer mulher que despertasse meu interesse.

Serenity não tem apenas dezoito anos, ela é um anjo doce em todos os sentidos.

— Quão sério é seu relacionamento com o tal Otis?

— O quê?

— Não responda com outra pergunta. Não vai funcionar.

Ela dá uma risada nervosa.

— A família de Otis tem muito mais dinheiro do que jamais terei. Você disse milhões de dólares na minha conta?

Pense na dele mais como algo em torno de bilhões. Agora, será que pode me explicar um pouco sobre essa fortuna de que me falou? — pergunta, como se esperasse que eu dissesse a qualquer momento que a história é uma grande piada.

Meia hora depois, quando eu termino de lhe explicar o montante de sua herança, assim como o modo que pretendo investi-lo, ela está mais branca do que a toalha de mesa.

— Coma.

— Não sei se consigo.

— Consegue, sim. A apresentação aliada à tensão que a antecedeu provavelmente a impediu de se alimentar devidamente.

— Você é pai?

— Não.

— Está agindo como um.

— Meu papel é cuidar….

— Para que eu não caia nas garras de um canalha. Eu entendi, Ares, mas eu não sou um bebê.

— Não, você não é — falo, engolindo em seco, quando a observo levar um pedaço de queijo apimentado à boca.

— E tenho namorado. Um que não vai querer roubar minha fortuna.

Ela diz isso como se não desse a mínima para dinheiro.

— Pretende se casar com ele?