Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 14

Eu me atrasarei, tenho certeza.

Depois que ele sai, tranco a porta, mesmo sabendo que Ares não iria entrar. Ao contrário, ele pareceu zangado por eu continuar olhando-o mesmo vestida com tão pouca roupa e estou até agora tentando entender o que deu em mim para não correr e vestir meu robe.

Talvez ele seja um pouco bruxo. Sim, foi isso. O malvado grego me hipnotizou.

Você é doida, Serenity Blanchet — eu me repreendo.

Por que no céu eu fui agressiva e lhe disse que não iria jantar? Eu preciso que Ares seja meu aliado, não inimigo.

Por sete anos, já que não pretendo me casar antes dos vinte e cinco, ele será o responsável pelo meu dinheiro. É uma estupidez enfrentá-lo como eu fiz.

Penso em seu nome e tento me lembrar das aulas de mitologia grega.

Ares, o deus da guerra. Na verdade, se me recordo bem, o deus da guerra selvagem, não o do Olimpo, com sede de sangue, a matança personificada.

Sim, eu acho que combina. Mesmo que no fim da nossa conversa tenha tentado parecer legal, nele, a agressividade é latente. Entretanto, não me faz sentir medo. Causa um arrepio inexplicável por todo o meu corpo.

Limpe sua mente, Serenity. Ele é seu tutor e um tutor muito zangado.

E muito lindo também — um diabinho sussurra em meu ouvido.

Meu telefone vibra com uma mensagem.

Número desconhecido: “Mexa-se, você tem três minutos.”

“Como sabe que ainda não estou pronta?”

Eu gravo seu número na agenda do telefone e segundos depois, chega uma nova mensagem.

Ares: “Porque você parece uma pensadora, menina. Eu sou a ação. Vista-se, ou vou entrar aí novamente e escolher sua roupa.”

“Esse não é seu papel de tutor, Ares.”

Ares: “Eu não sigo regras. Eu as crio. Não vai custar muito a entender isso.”

Eu solto o celular em cima da bancada da penteadeira, sentindo o corpo todo estremecer de excitação. Tiro o resto da roupa mais rápido do que já fiz na vida e sem me preocupar em colocar sutiã, ponho o vestido preto com que vim para o teatro, por cima da cabeça.

Olho-me no espelho e faço uma careta ao ver a maquiagem carregada que usei para a apresentação, mas não tenho tempo para tirá-la, então, passando os dedos pelo cabelo para desembaraçá-los, preparo-me para sair.

Jogo toda a roupa dentro da bolsa enorme que eu trouxe, menos a saia que usei na apresentação, fazendo uma anotação mental para avisar madame Villatorro que a deixei aqui.

Eu empurro como posso minhas sapatilhas, que a partir de hoje foram promovidas as “da sorte” para o fundo da bolsa, e então minha mão esbarra em um pedaço de papel.

Quando puxo para fora, noto que é o ingresso que madame encontrou e me deu para guardar.

Olho para trás, para o cabideiro, e um calafrio, nada comparado à excitação de conhecer meu tutor, alcança-me a nuca.

Por um instante, chego a considerar falar a respeito com Ares, mas logo descarto a ideia. Eu não quero que na primeira vez que nos encontramos, ele fique achando que eu sou um bebê. Já não basta a quantidade enorme de guarda-costas me vigiando.

— Você está atrasada — ele diz assim que me vê.

— O senhor…

— Você — ele me corrige.

— Você muda de humor muito rápido.

— Ao contrário, Serenity. É sempre o mesmo.

Então ele me manipulou para ceder. É isso o que está dizendo nas entrelinhas?

— Está com fome?

Eu estou morrendo, mas não posso comer quase nada a essa hora para não correr o risco de engordar.

— Não muita — minto.

Ele me observa como se soubesse que estou mentindo e sinto o rosto esquentar. A maldição de se ter a pele clara.

— Você está com fome — ele afirma dessa vez e eu dou de ombros.

— Não posso comer a essa hora.

— O quê?

— Eu não como nada além do que algumas azeitonas a essa hora. Seria o meu jantar.

Suas feições mudam outra vez, o maxilar enrijecendo-se de irritação.

— Hoje você vai jantar. Depois do esforço que fez, precisa de comida.

Ele não me deixa falar. Coloca a mão na minha nuca e me guia para a saída.

 

A parte do meu pescoço que ele toca ferve como se um ferro em brasa tivesse encostado nele e eu me pergunto se percebe como estou tremendo.

Eu poderia pedir a ele para retirá-la, mas não vou fazer isso. Mesmo que seja uma estupidez pensar assim, gosto do toque do meu tutor.

Ele não segura frouxo, é como estar presa na garra de uma fera. Sorrio com o pensamento tolo e quando olho para o lado, percebo que ele parece indiferente a mim.

Burra.

Ares está cumprindo o papel dele, assim como o senhor VanLith o fazia. Não envergonhe a si mesma, Serenity.

Eu mal consegui me dar conta de que entramos no carro.

Ares não falou mais nada até chegarmos a um restaurante que mais parece um casarão antigo.

Apesar de já ter voltado a Nova Orleans há alguns meses, eu não conheço nada da cidade. Sou como uma turista no lugar em que nasci.

Como um cavalheiro, me ajudou a descer e meu coração abobalhado disparou porque eu não pude conter o pensamento de que é a primeira vez que eu saio com um cara.

Não um cara. Meu tutor. Um homem de verdade.

— Quantos anos você tem? — pergunto, depois que nos sentamos a uma mesa em que não há mais ninguém em volta.

Uma hostess nos guiou até ela.

— Achei que havia estudado em um colégio de elite. Não te ensinaram que não é educado perguntar a idade das pessoas?

— É um assunto sensível para você? — pergunto, sem conseguir me parar.

Na verdade, eu meio que já sei a resposta. Ares não parece se incomodar com a idade. Com nada, eu acho. Ele é a personificação da autoconfiança.

— Trinta e quatro.

Dezesseis anos mais velho, calculo rapidamente.

— Eu poderia ser seu pai — ele continua com uma voz séria e eu morro de vergonha que ele tenha percebido que eu estava fazendo contas. Rezo para que ele não entenda a razão destes cálculos estúpidos.

— Bem velho — falo, tossindo e disfarçando um sorriso para direcionar a conversa para algo que não seja minha humilhação.

Não é como se eu nunca tivesse visto um homem bonito na vida. Na verdade, eu já até mesmo fui paquerada por alguns.

Mas nenhum que chegue aos pés dele.

E então, uma ideia me ocorre. Ele deve ser casado.

Corro os olhos por suas mãos à procura da aliança, mas quando volto a encará-lo, sinto vontade de morrer.

Ele percebeu.

Jesus, será que o Senhor poderia fazer com que o chão se abrisse para me engolir?

— Eu não sou casado — ele diz, sem pena do meu embaraço —, mas vamos deixar algo bem claro: sou seu tutor, não alguém com quem está saindo. Quero sua

obediência, não ser sua primeira paixão. E mesmo que não fosse assim e eu não tivesse qualquer responsabilidade em relação a você, eu não saio com meninas. Acredite, você não conseguiria lidar comigo, ainda que os nossos papéis fossem outros.