Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 38

Pego uma pequena, que sei se tratar de um anel, porque todas as outras são brincos e colares combinando.

O que significa ela não ter tido a curiosidade de abri-las?

Otis.

Claro, ela estava em um relacionamento sério e eu como um maldito obcecado, a assediei em silêncio com meus presentes.

Confuso pela primeira vez que me lembre, saio de seu apartamento.

 

Capítulo 38

Eu não esperava que ele estivesse aqui quando eu acordasse, mas fiquei muito chateada quando, ao me levantar, vi as já conhecidas três dúzias de copos de leite em cima da mesa de jantar, dentro de um vaso, e uma caixa de joias ao lado.

Para qualquer mulher, talvez representasse um tentativa de sedução, de agradar. Para mim, me faz lembrar dos dois anos em que ele se manteve distante.

— Foi o doutor Kostanidis quem mandou entregar — a empregada diz, entrando na sala. — Não são lindas?

Eu aceno com a cabeça, incapaz de falar.

— Ele pediu que assim que acordasse, lhe telefonasse.

Parece que seu celular está desligado, senhorita Blanchet.

Ele não está desligado. Está com Madison. Ela me disse que não se pode usar aparelhos telefônicos dentro da SIN, então eu lhe entreguei o meu antes de subir no palco.

Deus, que papel de idiota eu fiz!

 

Depois de tudo o que aconteceu, ele não mudou nada sobre a maneira como me via: como uma garota boba.

Se não fosse eu ter sido ferida pelo escorpião, ele teria sequer se aproximado de mim? Ou ainda que vivendo na mesma cidade, nunca nos veríamos?

Eu acordei feliz, sentindo corpo e mente saciados, o que aconteceu ontem parecendo um sonho, mas agora, começo a achar que envergonhei a mim mesma ontem à noite. As flores e a joia devem ser uma espécie de mensagem: nada mudou.

Ando para o chuveiro, disposta a tomar um banho e seguir para o meu único conforto quando me sinto sozinha: a dança.

Quatro horas depois, meu corpo está desgastado o suficiente e ao menos por um tempo, eu me esqueci de tudo o mais que não fosse minha arte.

Em uma das pausas que fiz, um dos guarda-costas me entregou meu celular com um bilhete de Madison, me pedindo para lhe telefonar.

Havia também mensagens de Ares, mas eu as ignorei.

Conversei com Madison por cerca de dez minutos e fiquei feliz que nem ela ou Cici tenham tido problemas com os respectivos maridos por conta da minha ideia idiota de irritar Ares, me apresentando na SIN.

Eu estou me preparando para entrar no vestiário porque sinto-me exausta, quando um dos bailarinos me intercepta pelo caminho.

Ele é muito simpático, embora eu não tenha certeza de qual é seu nome e digo isso a ele, mesmo correndo o risco de ser mal-educada.

— Powers — ele fala, sorrindo.

Conversamos por um tempo e ele me faz rir diversas vezes e então, quando me chama para fazer um lanche, resolvo aceitar.

Debra está viajando e a outra opção seria ficar sozinha em casa.

Talvez seja disso que eu esteja precisando: afastar-me um pouco dos Kostanidis, fazer novos amigos.

Apenas então me lembro do que JeAnne me contou: eu ainda preciso perguntar a Ares por que ele não me falou nada sobre a morte do senhor VanLith.

Não hoje, porém.

Eu preciso de uma pausa e, principalmente, tomar vergonha na cara. Eu cometi o maior erro possível: apaixonei-me pelo homem que declarou na primeira vez em que me viu, e que nem foi em um encontro real, mas por obrigação, que não queria qualquer compromisso.

Sim, porque depois de ontem, é como se uma cortina tivesse sido aberta. Eu finalmente entendo porque nunca consegui me interessar por outro cara nestes últimos dois anos.

Eu me apaixonei à primeira vista por aquele ogro grego.

Para minha sorte, eu não gosto dele. É paixão, físico, assim, jamais correrei o risco de amá-lo.

— E então, como está se sentindo em relação à estreia como primeira bailarina? — ele pergunta, me trazendo de volta à realidade.

Estamos em uma lanchonete perto do New York City Ballet e de onde estou sentada, vejo dois dos meus guarda-costas em pé na porta.

Faço uma careta de desgosto, apesar de saber que a presença deles é necessária. Se Powers notou minha escolta, foi gentil demais para não fazer menção a ela.

— Você quer uma resposta sincera ou uma bonitinha?

— A verdade, sempre — ele diz sorrindo, antes de levar o copo com suco de laranja à boca.

— Não caiu a minha ficha ainda. Não consigo acreditar que fui escolhida. A vida inteira eu sonhei com isso e agora que aconteceu, não tive tempo de processar. Talvez o medo me alcance no dia da estreia, mas por enquanto eu…

Paro de falar quando noto Powers olhando por cima de mim. Um segundo depois, quando uma mão enorme pousa no meu ombro, eu sei a razão da expressão dele.

Ares está aqui. Eu nem preciso me virar. Meu corpo o reconhece. Como isso é possível?

Eu me preparo para enfrentá-lo, mas então ele se abaixa sem qualquer aviso e me beija a boca.

Não um beijo tipo encostar de lábios, mas um de língua e dentes e que traz lembranças inapropriadas de ontem à noite.

Quando nos separamos, eu nem sei mais onde estou, cada um dos meus neurônios tentando se realinhar.

— Fugiu de mim o dia todo, baby. Então precisei vir à sua caça. — Ele se vira para Powers. — Meu nome é Ares Kostanidis e você é….

Eu fico sem acreditar quando ele estica a mão na direção de Powers, um comportamento totalmente diferente do que teve com Otis, a quem pareceu desejar matar.

— Powers Udow. — Meu colega aceita a mão, mas basta um olhar rápido para o seu rosto para notar que está morrendo de medo.

Ele se levanta calado uma palavra e pega a mochila sem fazer contato visual comigo.

Ótimo!

Quando aceitei o convite para o lanche, nem passou pela minha cabeça torná-lo um paquera ou qualquer coisa do tipo, e sim fazer amizade. Mas honestamente eu não quero

ser amiga de alguém que sai correndo ao menor sinal de perigo.

Ele se despede rapidamente e o grego arrogante, a última pessoa que eu queria ver nesse momento, ocupa seu lugar.

— Apressado, seu amigo — ironiza.

— Por que me beijou?

— Por que não?

— Porque as pessoas vão pensar que estamos juntos.

Eu me levanto também e saio da loja, deixando que ele se vire para pagar a conta.

Vejo o segurança andar na minha direção, mas o ignoro.

Para minha sorte, um táxi está passando nesse exato momento e eu entro nele, dando-lhe o endereço. Ele arranca e quando olho para trás, vejo Ares em pé na calcada, soltando dardos venenosos pelos olhos.

Eu não estou há cinco minutos no meu apartamento quando ouço a porta se abrir.

Como ele pôde ter chegado tão rápido? Devia estar de moto.

— Saia. Não pode entrar assim. É a minha casa.

— O que diabos foi aquilo? Por que fugiu? Aliás, por que fugiu o dia todo?

— Eu entendi sua mensagem, tutor. As flores de sempre e também as joias em série.

— Joias em série? Do que está falando?

— Não sou estúpida. Para calar sua consciência por não ter me visitado nos últimos dois anos, você me mandava sempre três dúzias de copos de leite e uma joia. Mesmo depois de ontem, você voltou ao comportamento anterior, me tratando como uma criança.

— Eu mandei suas flores favoritas e enviei uma joia feita exclusivamente para você, como fiz ao longo dos últimos anos.

— O quê?

— Eu vi que não abriu nenhuma das que eu te dei no passado. Ontem, quando estava deixando seu quarto, vi todas as caixas intocadas dentro do seu closet. Eu quis entender a razão, por isso enviei mais uma hoje como um teste.

— Um teste? Joias exclusivas? Não era do meu dinheiro que você as comprava? Eu achei que mandasse a secretária

enviá-las ou algo do tipo. Nos livros de romance que já li, o magnata safado nem se dava ao trabalho de comprar joias para suas exs. Mandava que as secretárias o fizessem.

Ele não diz nada e eu não sou estúpida: está claro que ele já fez isso com namoradas também.

Mas não comigo?

Eu o deixo sozinho na sala e corro para o closet. Pego todas as caixas que nunca abri e me sento no chão com elas à minha volta. A que ganhei hoje, inclusive.

Quando começo a desembalá-las, sinto vontade de chorar. São todas com temáticas de balé, mas, claramente, únicas. Elas também têm pedras de um azul profundo, do tom dos meus olhos.

Eu ergo a cabeça e vejo-o parado na entrada do closet, o maxilar tenso.

Não falamos nada, mas eu não preciso de palavras neste instante. Os presentes dizem muito porque agora eu sei que ele pensou em mim quando enviou cada um deles.

Eu me levanto e ele me observa tal qual um caçador faria com sua caça, que considera a próxima refeição.

Não há um pingo de humor ou suavidade em sua expressão, mas eu acabo de descobrir que gosto do perigo que ele emana.