Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 28

Dias depois

— Ficar olhando para o aparelho o dia todo não vai ajudá-la a tomar uma decisão — Debra diz.

Eu aceno com a cabeça, concordando, embora ainda não tenha conseguido resolver o que fazer.

Faz setenta e duas horas que cheguei em Nova Iorque e não o vejo desde então. Ele mandou uma mensagem avisando que precisava viajar por uns dias e que de jeito nenhum eu deveria sair sem os guarda-costas.

Eu preferia falar ao telefone ao invés de trocar texto, mas não vou bancar a carente.

Naquela noite em que ele me beijou, eu não consegui dormir.

É até covardia comparar o beijo que ganhei de Otis com o dele. Meu amigo é lindo e charmoso, mas senhor, a pegada do grego…

Eu não entendo nada de homens, mas sei por intuição que Ares é o rei entre eles em matéria de sedução.

Ele não avançou, não forçou-me a nada ou me tocou em algum lugar íntimo. Foi um beijo delicioso e algumas carícias mais intensas e mesmo assim, eu juro por Deus que virei massinha de modelar em suas mãos.

Eu nunca me senti tão sobrecarregada de emoções. Cada célula minha ligada nele, pedindo por mais do que estava dando.

Assim que Debra subiu naquele dia, Ares foi embora, mas não sem antes me avisar que havia revistado a mala à procura de alguma possível ameaça e que não encontrou nada.

Quando cheguei ao quarto, senti o rosto em chamas. Sim, ele fez o que pedi, mas minha bagagem estava aberta em cima da cama com as roupas espalhadas. As lingeries, inclusive. Mas não foi isso o que me deixou morrendo de vergonha, e sim o fato de que um fio dental preto, que faz conjunto com um sutiã de renda, desapareceu.

Ele roubou minha calcinha?

Eu contei tudo o que aconteceu a Debra, as duas palmadas que ganhei, inclusive, e ao contrário do que pensei, ela tem a mente super aberta, achou excitante.

Sei que ela ainda é nova, fez trinta e oito no mês passado, mas mesmo assim eu não achei que encararia com tanta naturalidade o que vem acontecendo entre mim e meu tutor.

Foi então que ela me explicou que agora, depois dos trinta, é que está começando a viver. Como eu, era uma compulsiva pela dança e pulou várias fases importantes da vida. Quando sofreu uma lesão que pôs fim à sua carreira, passou cerca de três meses sem saber o que fazer dali em diante, continuando a treinar mesmo machucada, o que só piorou sua condição.

A história dela é muito triste porque no pior momento de sua vida, quando achou que havia perdido tudo, ela conheceu alguém. Um amor que a ajudou a se recuperar, a construir um novo futuro, montar a escola de dança e então, com dois anos de casados, ele morreu em um acidente.

Ela tem conversado muito comigo sobre a fragilidade da vida. Como não podemos depositar todas as energias em um só canal. Eu sei que fala pelo meu bem, porque assim como eu, é apaixonada pelo balé. Porém, ela tem tentado me fazer viver um pouco. Ir um pouco além dos ensaios diários. Mesmo não tendo ainda oficialmente iniciado na escola de dança para a qual fui contratada, pratico lá todas as tardes, religiosamente desde que pus os pés em Nova Iorque.

Nós duas já fomos a um musical na Broadway, fizemos compras e estamos planejando uma saída à noite, para um nightclub. Mas a decisão que está me paralisando no momento não tem nada a ver com o projeto “aproveitar a vida” e sim, com a minha lingerie desaparecida.

Debra disse que eu deveria mandar uma mensagem singela para Ares: “eu sei o que você fez”.

Eu não vou negar que a ideia me excita. A única coisa que está me segurando é se eu estiver enganada e ele não a pegou, porque daí vou morrer de tanta vergonha.

— Se está tão insegura, esqueça — ela diz.

— Não, estou pensando. Essa mensagem que sugeriu,

“eu sei o que você fez”, é algo que dá algum espaço para manobra.

— De que tipo?

— Bem, se ele responder: “fiz o quê?” ou “não tenho ideia do que está falando, Serenity”, eu posso disfarçar com alguma desculpa. Tipo, “você mandou os guarda-costas aumentaram a vigilância” ou qualquer coisa assim. Se encaixa bem com o “eu sei o que você fez”.

Ela gargalhada e bate palmas.

— É uma ótima ideia. Se cair, o faça de pé.

— Você é a melhor amiga que uma garota pode desejar.

— Talvez porque, fora do balé, minha idade mental seja como a sua ainda. A única coisa que me sinto cem por cento segura, é sobre a dança. Grado, meu falecido marido, conseguiu ajustar algumas peças aqui — ela pousa a mão no coração — e aqui — coloca a outra na testa —, mas eu ainda sou insegura em diversos outros aspectos.

— Como uma adolescente?

— Não, uma “novinha” como você. Imatura só na cabeça mesmo, porque meu corpo sabe que não sou mais jovem.

— Você está em forma.

— Sim e pretendo continuar. Agora falando sério, não faça nada por influência minha. Eu sou apenas uma boba romântica.

— Acha que vou me decepcionar?

— Sempre há essa possibilidade, Serenity. A vida não vem com garantias, porque se fosse o caso, eu não teria me machucado e continuaria com a minha carreira.

— Mas também não teria conhecido o seu marido.

Foi o esposo falecido dela, um socorrista de ambulância, quem a atendeu quando ela se lesionou. Se isso não é uma prova de que estava escrito em algum lugar que eles deveriam se conhecer, eu não sei mais o que a palavra

“destinados” significa.

— Sim, é verdade. A vida às vezes traz surpresas. Em alguns momentos bons, em outros, ruins, mas adivinha só: o prêmio ou a perda só vem para quem se arrisca.

— Cinquenta por cento de chance.

— No seu caso, não.

— Eu não entendi — falo.

— Serenity, Ares é um homem no sentido completo da palavra. E, além disso, lindo e rico. Ele pode ter a mulher que quiser. Não leve a mal pelo que vou dizer, mas mudar o relacionamento de vocês, mesmo que seja para um “caso”

como ele chamou durante o voo, trará muita confusão para a vida dele. Se ele está passando por cima disso e investindo no desejo que sente por você mesmo assim, é porque existe algo mais, mesmo que ele não tenha percebido ainda.

— Você tem razão. É uma romântica e está enxergado uma história de amor onde só existe atração, Debra. O

homem me disse que nunca ficou com alguém por mais de uma semana.

— Então o faça suar. Ele está acostumado a sexo fácil.

Seduza-o. Leve-o para uma zona que ele nunca esteve antes.

— Como?

— Eu não tenho como te responder isso. Siga sua intuição.

Olho outra vez para o aparelho que estou segurando. O

coração disparado ao ponto de eu senti-lo pulsando no

ouvido, então encosto o dedo na tela e clico em “enviar”.