Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 25
Eu não o avisei sobre a história do escorpião e preciso fazê-lo, embora ele já tivesse combinado de me encontrar em Nova Iorque daqui a algumas semanas.
— Vai me avisar quando chegar?
Aceno com a cabeça, concordando, e deixo que ela me abrace.
Eu não poderia dizer como foi o resto da despedida.
Lembro vagamente de Ares me guiando para o carro e depois, quando entramos em um avião privado.
Eu escolhi uma poltrona longe dele e de Hades.
Precisava ficar um pouco sozinha para pensar.
Capítulo 25
— Você deveria ter me ligado — Otis diz, ao telefone.
— Para quê? Além do mais, foi tudo tão rápido.
— Não tem nada a ver com essa farsa de namoro, Serenity, mas com nossa amizade. Eu me preocupo com você.
— Eu estou bem, Otis. E quanto ao que você falou sobre nosso namoro… eu acho melhor pararmos por aqui.
Eu me sinto como uma agente secreta, conversando por códigos. Não quero que os Kostanidis me ouçam.
— Está falando sério? Quer terminar comigo por telefone?
Apesar de tudo, eu consigo sorrir.
— Não seja cretino. Eu tenho uma reputação. Estou cansada de levar chifres.
— Nunca fiz isso… — ele pausa e dá uma risada — em público.
— Não esperava que fosse um celibatário, mas estou te liberando agora.
Eu noto uma sombra pairando sobre mim e quando abro os olhos, percebo que é Ares. Ele nem finge que não está escutando a conversa, e eu rezo para que tenha pegado apenas o final, ou a farsa do namoro vai ser vergonhosa demais.
Olhando para trás, eu me pergunto por que propus tal coisa. Eu era mesmo muito infantil em achar que Ares se importaria se eu tinha ou não alguém. Ele já deixou bem claro que me vê como uma criança.
Propositadamente, continuo falando com Otis por mais um minuto e ele me diz que não tem mais certeza se virá aos Estados Unidos. Eu me pergunto se foi porque disse que queria parar com o relacionamento falso, mas logo descarto a ideia. Ele é lindo e rico, se acrescentar “solteiro” no rótulo, se tornará irresistível.
Eu finalmente encerro a ligação e sem qualquer cerimônia, Ares se senta na poltrona da frente.
— Problemas no paraíso? — ironiza.
— Estava ouvindo minha conversa?
— Só a parte que você disse que não esperava que ele fosse um celibatário, mas que agora estava lhe dando um
pé na bunda.
— Meu Deus do céu, deveria usar essa linguagem com sua tutelada?
Eu tento parecer brava, mas a verdade é que ele tem o poder de me trazer de volta à vida. Saí de Nova Orleans super deprimida. Ares faz meu sangue ferver.
— Devo tratá-la como uma garotinha? Decida-se, Serenity: é menina ou mulher?
— O que você vê?
— Eu não consegui chegar a uma conclusão ainda.
— Errado. Você me vê como uma menina, caso contrário, não teria surrado minha bunda no hospital.
Ouço um bufo de risada e acho que ele também, porque em seguida, diz:
— Coloque o fone, Hades, ou vou te ensinar a voar sem paraquedas.
Eu balanço a cabeça e não consigo deixar de sorrir.
— Vocês são quatro, né?
Ele concorda com a cabeça.
— Como é ter irmãos?
— Uma dor na bunda, na maior parte das vezes.
— E seus pais, são vivos ainda?
Pela primeira vez das ocasiões em que nos encontramos, ele desvia o olhar.
— Ambos mortos.
— Eu sinto muito.
— Você passou pelo mesmo e sobreviveu, Serenity. O ser humano é adaptável.
— É, seu sei.
Eu me levanto, pedindo licença. Não quero falar sobre aquilo.
Ando para os fundos do avião, tentando encontrar o banheiro, mas acabo abrindo a porta de um quarto.
Eu tento me virar para sair, mas antes que consiga fazê-lo, ele segura meu braço.
— O que eu falei de errado?
Ao invés de voltar para onde estávamos, ele me faz entrar na suíte, fecha a porta e se recosta nela.
— Estou cansada de me adaptar. Eu fiz isso a vida inteira.
Aprendi a fingir aos cinco, no dia em que me deixaram naquele colégio.
— Serenity…
— Quantos anos você tinha quando seus pais morreram?
— Eu já era um adulto.
Cruzo os braços diante do corpo para parar os tremores.
Não quero desmoronar na frente dele, mas entre a internação no hospital por conta do atentado contra minha vida e a despedida de JeAnne, estou me sentindo fragilizada.
— O que acha que é melhor? Não se lembrar de seus pais, como se nunca tivessem existido, ou sofrer com uma perda consciente?
— Vem cá, Serenity.
Faço que não com a cabeça e dou um passo para trás.
— Não quero sua pena. Só fiz uma pergunta.
Ele vem para perto.
— Não sinto pena das pessoas. Eu não estava brincando quando falei isso. Mas certamente, não é pena o que estou sentindo agora.
As pernas amolecem.
— É raiva? — Continuo andando para trás, não porque eu queira fugir, mas porque o instinto me diz que ele é um predador, e eu gosto da ideia de ser caçada.
Em apenas dois passos, ele está em mim. O braço enorme envolve minha cintura e eu consigo sentir cada músculo de seu corpo.
— Não jogue comigo. Não vai gostar das consequências.
— Não sei do que está falando.
Ele me dá uma palmada na bunda e para minha vergonha, ao invés de gritar, eu gemo de olhos fechados.
— Porra, Serenity!
Ares me solta e dá um passo para trás.
Dessa vez, sou eu quem avança.
— O que fiz de errado?
— Não pode ser tão ingênua assim.
— Eu sou uma garotinha, lembra? Ou será que você vai morder a língua e admitir que….
Paro de falar quando sua mão segura meu queixo.
— Vou admitir o quê?
— Vai ter coragem de admitir que eu sou uma mulher e que está com vontade de me beijar? Eu deixaria, se tentasse.
Ares
Jesus!
Eu nunca precisei trabalhar tanto o autocontrole. Sinto o suor molhando minha nuca, tamanho o esforço que estou fazendo para não pegá-la no colo e deitá-la naquela cama.
Como passamos de uma conversa melancólica sobre o passado para meu pau estar duro como aço, eu nunca conseguirei entender e essa é certeza que eu precisava de que fiz bem em manter-me distante dela pelos últimos dois anos. A atração que eu sinto não diminuiu. Tudo em Serenity me provoca, até mesmo sua inocência.
Eu não a trouxe para a suíte do avião para seduzi-la. Não sou um canalha.
— Não sabe o que está dizendo. Sente-se triste e por isso acha que…
Eu vejo seu rosto ficar rubro na mesma hora.
— Sim, é isso mesmo — começa, parecendo zangada. —
Foi por isso que eu gemi quando bateu no meu bumbum de novo hoje. Porque estou confusa e triste, não porque meu corpo inteiro estava tremendo e querendo mais.
Depois da descarga de coragem, ela corre para o banheiro e se tranca lá, deixando-me para processar as palavras.
Eu não empreguei força em nenhuma das vezes em que bati em sua bunda. Não queria machucá-la, mas mostrar que é uma menina ainda e então ela me diz que quer mais?
Porra!
Esfrego as mãos no rosto, tentando clarear minha mente, mas não funciona. Então mando o bom senso para o inferno e ando para o banheiro, o instinto de caçador ativado, mas antes que eu possa alcançá-lo, ouço Hades me chamar.
— Eu já vou. Espere-me na frente do avião.
— Não. Eu preciso falar com você agora.
Abro a porta com o humor circundando o inferno.
— O que você quer?