Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 26

— O que pensa que está fazendo? — pergunta.

— Serenity não é assunto seu.

— Não, mas você é. Não se envolva com ela, Ares. É

jovem e muito vulnerável. Sua tutelada, porra!

Eu quero agarrá-lo pelo colarinho e obrigá-lo a sentar-se em seu lugar, mas eu sei que ele tem razão, então saio e fecho a porta atrás de mim.

— Não foi uma boa ideia levá-la para seu edifício. Talvez possamos remanejar isso. Aumentar o número de guarda-costas, mas enviá-la para outro imóvel.

— Não. Ela não vai a lugar algum. Serenity ficará onde eu possa ter os olhos nela.

— Eu espero, para o seu bem, que sejam só os olhos.

 

Capítulo 26

Eu passei o resto da viagem deitada na cama do avião e só me levantei quando Hades veio avisar que teria que voltar para minha poltrona, pois estávamos prestes a aterrissar.

Não acredito que eu tive coragem de falar aquilo.

Meu Deus, eu nem sei como aquelas palavras escaparam.

Sempre relacionei palmadas a crianças, mas sentir a mão de Ares estapeando meu bumbum fez com que eu precisasse apertar as coxas nas duas vezes em que aconteceu.

Fingindo cochilar, sinto o rosto esquentar ao lembrar do que aconteceu na suíte e dou graças aos céus por estar sozinha, mas quando abro os olhos, dou de cara com o soberano dos meus pensamentos pecaminosos sentado bem à minha frente.

— Não vai acontecer nada entre nós. Peço perdão por tê-la tocado.

Seu rosto está sério ao falar. Não há ironia, raiva ou provocação e sinto o estômago afundar.

Eu não sei o que esperava ouvir depois do que lhe confessei, mas certamente não era levar um fora tão grande.

Respiro fundo e coloco o sorriso mais falso do mundo no rosto.

— Está perdoado. Como eu lhe disse, eu odiei. Estava confusa.

— Não, você não estava. Você amou que eu estapeasse sua bunda tanto quanto eu gostei de bater nela. Eu teria preferido sem o vestido e com a calcinha no meio das coxas, mas mesmo assim, me deixou com tesão te dar uma palmada. Eu poderia te dar mais, Serenity. Poderia te deixar nua, lamber e chupar você inteira. Fazê-la gozar gritando meu nome enquanto eu me enterraria uma e outra vez em seu sexo, mas quando eu fosse embora, você estaria quebrada. E pode ter certeza, não importa quão linda seja, eu iria embora.

Eu engulo em seco e nem sei identificar se me sinto envergonhada por ele ser tão gráfico em sua explicação;

excitada, porque apesar da parte final, quero muito experimentar tudo isso; ou com raiva por ele estar tão certo de que eu seria mais uma, que não o faria sentir nada diferente do que outras antes de mim conseguiram.

— Teremos que conviver pelos próximos cinco anos, Serenity. Se eu te levasse para a cama, nosso caso duraria cerca de uma semana. Meus relacionamentos nunca passam disso. Eu sou experiente e não teria problema em levar a situação com você como se nada tivesse acontecido, mas eu não acho que você poderia lidar com isso.

Caso.

Não namoro, um caso.

Qualquer tristeza que eu tivesse sentindo, desaparece, substituída por uma forte determinação. A mesma determinação que me fez, aos vinte anos, ser contratada como primeira bailarina do New York City Ballet.

Em silêncio, eu juro que farei com que ele engula cada uma dessas palavras. Não corro o risco de me apaixonar.

Ares é lindo, mas é um ogro também.

Eu não tenho tempo para namorados, eu quero diversão.

E no fim, se ele estiver certo e eu não conseguir lidar

mesmo com isso, posso simplesmente me mudar, ir embora. Mas antes que este ano termine, eu prometo, Ares Kostanidis, que você vai ficar completamente louco por mim. E então, quando me implorar por mais de uma semana, vai entender qual é a sensação de ser deixado para trás.

Eu me obrigo a olhar para ele como se não estivesse fazendo um boneco vudu mental do grego arrogante.

Mantenho uma expressão pacífica, quando, na verdade, por dentro, estou fervendo.

— Eu entendi e agradeço por isso, Ares. É um homem honrado. Qualquer outro em sua situação teria se aproveitado de minha vulnerabilidade. Eu acabei de terminar com Otis e estava me sentindo carente. Talvez inconscientemente, tenha procurado um substituto mais vivido.

Ele me encara como se quisesse abrir meu cérebro com os dedos para descobrir que sou uma farsante e que nenhuma dessas palavras é verdade, mas graças a Deus, ele não tem como ver isso.

— Substituto? — acho que dizer isso em voz alta o fez ver o absurdo do que eu afirmei, porque ele me dá um meio sorriso.

Quem em sã consciência iria sonhar com Otis podendo ter Ares?

— Não quis ofendê-lo.

— Não estou ofendido. Você está mentindo. Eu ouvi sua conversa. Foi você quem terminou o relacionamento, não o garoto.

Ele diz garoto quase cuspindo a palavra.

Eu preciso me forçar para não sorrir.

— Eu sempre fui meio apaixonada por ele, mas não acho que daria certo, por isso resolvi colocar um fim antes que eu acabe com o coração partido. Ah, e a respeito do que você disse há pouco, mesmo que eu estivesse interessada em ser seu “caso”, o que não estou, não teria chance de me deixar

“quebrada” como afirmou. Isso só poderia acontecer se houvesse sentimentos envolvidos da minha parte. Admito que é muito bonito, mas não faz meu tipo, doutor Kostanidis.

A despeito dos avisos de atar os cintos de segurança estarem ligados, ele inclina-se para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Você é uma pequena mentirosa, Serenity. Acredito quando diz que não tem sentimentos por mim, mas independentemente de me odiar pelo que eu acabei de lhe dizer, seu corpo me quer. Sorte a sua que não pretendo fazer nada a respeito.

— E nem preciso que faça. Estou em Nova Iorque como determinou, mas não pretendo ficar trancada em casa.

Coloque um exército de guarda-costas atrás de mim se quiser, mas eu vou aproveitar um pouco a vida.

— Onde?

— Eu não sei. Debra disse que vai me levar para conhecer alguns nightclubs. Com sorte, receberemos um convite para o SIN.

— Não porá os pés lá.

Ele parece surpreso com o meu comportamento.

Bem-vindo ao time. Eu também estou. Nunca pensei que poderia ser tão ousada.

— Eu posso levá-la para sair.

— Não, obrigada. Não quero atrapalhar seus encontros de uma semana.

— Eu a levarei.

— Deixarei que me leve, mas vou entender isso como uma imposição da sua parte, o que me dá direito a um pedido.

— O que você quer?

— Eu não sei ainda. Tenho pouco tempo até a temporada de balé começar. Vou aproveitar para sair ao menos umas duas vezes. Até lá, decidirei se quero algo de você.

Ele me encara.