Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 32

— Ao menos disfarce, Ares — Dionysus diz, ao passar por mim.

— Não sei do que está falando — resmungo.

— Se olhar matasse, o garoto cairia duro para trás. O que está acontecendo entre você e Serenity?

— Nada que seja da sua conta.

— Então está acontecendo algo.

— Eu não decidi ainda.

— Como é?

— Você ouviu. Não sei o que fazer sobre ela ainda. Eu a quero.

— Puta que o pariu!

— Não finja surpresa. Já imaginava isso, ou não teria notado que não estou satisfeito com esse infeliz do Otis pairando em torno dela.

— Eu não estou surpreso por você desejá-la. Ela é linda.

Estou surpreso por admitir isso em voz alta, mesmo sabendo o inferno de confusão que será se a tornar sua. E

com sua, eu quero dizer no sentido total da palavra.

Serenity não é o tipo de mulher com quem você está acostumado.

— E Cici era seu tipo, por acaso?

— Eu me casei com Cecily. Fiz dela minha esposa e mãe dos meus filhos. Não é isso o que pretende com Serenity.

Além do mais, ela é sua tutelada.

— Ela é adulta.

— Doce demais para você, irmão — Hades diz, se aproximando.

— Vocês não têm mais porra alguma para fazer não? —

pergunto, desgastado com a conversa, embora a minha consciência diga que eles têm razão.

Observo Eleanor enturmando o cretino do Otis, enquanto a alguns passos de distância, Serenity parece entretida em uma conversa com Athanasios. Eu não acredito que ele goste de balé, mas ele admira a excelência em qualquer área e não há dúvidas de que ela é um fenômeno no que faz.

Eu acompanhei diversas de suas apresentações, sem que ela soubesse.

Esse é um segredo que até mesmo meus irmãos desconhecem: que minha doce tutelada é também minha obsessão.

Sim, porque qual o nome pode se dar quando você deseja algo, sabe que não pode tê-lo e mesmo assim continua brincando com fogo?

Nunca me permiti chegar perto o bastante para que ela soubesse que eu estava lá, desejando-a à distância, porque eu sabia que se o fizesse, acabaríamos nus em uma cama.

Tenho certeza de que se fizer um movimento sobre ela, terá que ser para um compromisso e eu não quero isso para mim.

Eu ainda não quero isso para mim, certo?

Vejo o bastardo se aproximar dela e pousar as mãos em seus quadris. Dou um passo à frente, mas Dionysus me segura.

— O que vai fazer? Não tem direito sobre Serenity.

— Uma ova que não tenho. Ela é minha tutelada.

— Caralho, você está completamente perdido, Ares.

— Não sei do que está falando.

— Você a quer, mas é teimoso demais para admitir.

— Quero protegê-la, apenas isso. Eu sei que não devo levá-la para a cama. Só estou irritado porque Serenity terminou com o imbecil e, no entanto, ele continua indo para cima.

— Ela não parece desconfortável ao lado do ex — Hades debocha.

— Vá para o inferno.

— Eu já moro nele, irmão. Sou o deus do submundo.

— Reunião com Odin — Zeus diz, se aproximando.

— Eu já vou.

Ele olha para trás, exatamente para o lugar em que Serenity está com o merda do ex dela.

— Agora, irmão. Não quer aborrecer Eleanor com seu ciúme. Uma briga aqui entre você e o alemão iria definitivamente chateá-la.

— Não sou um moleque. Não tenho razão para brigar.

Ele ri, me deixando um pouco mais puto.

— Vá para a biblioteca, Ares. Ele não tem a menor chance com Serenity — Madison diz, se aproximando. Como a

 

enxerida que é, estava ouvindo nossa conversa.

— Do que está falando?

— Sabe perfeitamente do que estou falando. Serenity olhou para você o dia todo. O rapaz está fora do páreo.

Quase uma hora depois, estamos encerrando a videochamada com Odin e Christos.

— Então o homem que colocou o escorpião na bolsa de Serenity no aeroporto estava disfarçado de mulher? —

pergunto.

— Bem, estou assumindo que seja um homem. E como a única pessoa que se aproximou dela, de acordo com as filmagens que assisti, foi uma idosa, sim, eu acho que o cretino se disfarçou. O amigo de Christos, Beau, nos enviou as filmagens que conseguiu do aeroporto, de outro ângulo das que eu consegui.

— Sim. Segundo ele me disse — meu primo mais velho intervém —, os peritos também chegaram à conclusão de se

tratar de um homem disfarçado.

— Por que não pode ter sido uma mulher mesmo?

— Espera um instante — Odin pede.

Em seguida, ele digita alguma coisa no notebook e depois uma pequena tela aparece no alto da videochamada.

Nela, há uma senhora aproximando-se lentamente de Serenity. Parece inofensiva, com dificuldade para andar e mesmo quando esbarra nela, seus movimentos são lentos.

— Deve ter sido por isso que não chamou a atenção dos guarda-costas — Zeus diz.

— Sim — Odin confirma. — Agora reparem que logo após o esbarrão, o comportamento dela muda.

Eu observo atônito quando a idosa sai quase correndo após não aceitar ajuda para se levantar.

Sim, agora parece alguém disfarçado.

— Foda-me.

— Reparou que estava de luvas? — Odin pergunta.

— Sim. De luvas em pleno verão na Louisiana — Christos fala.

— Porra!

— E então é isso? Estamos de mãos atadas?