Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 36

De repente, quando ela já está quase na saída, ouvimos duas batidas e em seguida ela se abre com Cici e Madison

do lado de fora.

— Ah, vocês estão aí… desculpem, é que nós…

Pela primeira vez desde que a conheço, vejo Madison envergonhada.

— Eu me perdi — Serenity explica, andando em direção a elas —, e agora estou cansada. Quero ir embora.

 

Capítulo 36

Eu não saberia dizer como saímos da SIN.

Nem faço ideia de como me despedi de Madison e Cici, apenas tive uma vaga noção de que elas disseram que me ligarão na próxima semana.

Sem dizer uma palavra, Ares me levou para os fundos da boate, para o estacionamento exclusivo.

Vi o motorista, assim como os guarda-costas, nos esperando, e entendi que não voltaríamos de moto.

Ares me ajudou a entrar no carro e me observou fechar o cinto de segurança.

Quando o motorista tomou seu lugar atrás do volante, ele subiu a divisória para nos dar privacidade, mas não tentou falar comigo até que chegássemos no edifício que moramos. Dentro do elevador, eu preciso me controlar para conseguir ficar parada, porque sinto como se seus olhos estivessem me perfurando.

Quando enfim paramos no meu andar, preparo-me para a despedida, mas ele me segue para fora.

Ares me segura pelos ombros e me vira para si.

— Precisamos conversar. Eu não tinha ideia de que…

Eu faço um gesto com a mão, sem olhar para ele e aceno com a cabeça.

— Eu entendi. Você presumiu que eu era experiente.

— Experiente, não, mas nunca imaginei que depois de dois anos de relacionamento…

— Ainda fosse virgem?

— Isso.

— Sinto muito pela confusão.

— Confusão? Acha que foi um simples mal-entendido?

Você é uma inocente, intocada, e eu abusei da sua confiança.

— Você me perguntou se eu queria sair. Eu tomei a decisão de ficar. Eu adorei cada segundo e faria tudo de novo.

— Não sabe o que está dizendo. Não vai mais acontecer.

O primeiro homem na vida de uma garota é muito

importante. Acredite em mim, quando olhar para trás, no futuro, vai se arrepender se for eu esse cara.

Eu não consigo me imaginar entregando-me a outro.

Claro que não digo nada disso. Já tive uma boa dose de humilhação para o resto do ano.

— Boa noite, Ares.

— Serenity…

— O que você quer que eu diga?

— Chame-me de canalha. Eu mereço.

Eu abro a porta com a minha digital, mas antes de entrar, com a mão na maçaneta, viro-me para ele outra vez.

— Não. Eu vou te chamar de meu primeiro tudo. Não pode fazer desaparecer a memória do que aconteceu. E eu não quero esquecer.

Entro depressa, porque minha coragem foi apenas o bastante para desafogar o que estava me sobrecarregando.

Ando até o quarto no segundo piso e me jogo na cama sem tirar a roupa, ainda sentindo ele em mim, querendo mais, embora provavelmente nunca vá acontecer outra vez.

Dias depois

Eu estou fugindo dele.

Sim, não é digno e nem honrado, mas ainda não me recuperei da vergonha de nossa conversa pelo que aconteceu na SIN. Nem mesmo para Debra, que está na Louisiana, por sinal, tive coragem de contar o que aconteceu.

Deus, por que fui dizer aquelas coisas antes de entrar? Se Ares tinha alguma dúvida de que sou uma tola inexperiente, elas se esgotaram naquele momento.

Temos nos falado por mensagem apenas, o que parece ridículo, já que moramos com um andar de distância.

Ares tem me dado espaço, o que é uma benção. Eu não saberia ser casual depois do que aconteceu.

Tanto Cici quanto Madison me ligaram e quiseram combinar algo para o meu aniversário de vinte e um anos, daqui a alguns meses. Eu concordei, mas pedi que não falassem sobre a data com Ares. Tenho certeza de que ele não se lembra.

Daqui a três semanas será minha estreia como primeira bailarina do New York City Ballet e a ansiedade já está batendo forte. Eu não preciso de mais um motivo para me deixar tensa e qualquer contato com meu tutor grego, pioraria meu estado.

Olho para o meu celular em cima da cama e rezo para que JeAnne atenda. Desde que cheguei a Nova Iorque só nos falamos três vezes. Eu entendo que ela não queria vir morar em Manhattan, mas depois de tantos anos juntas, vai me cortar de sua vida, como um band-aid arrancado e descartado no lixo?

Quando conversamos ao telefone, ela parece bem, mas não mais suave como era antigamente e eu gostaria de saber se foi algo que eu fiz para chateá-la.

— Serenity, como vai? — ela atende no terceiro toque.

— JeAnne, eu fiz alguma coisa para magoá-la? —

pergunto, porque a cada vez que ela me trata assim, é como um corte no coração.

— Magoar-me?

— Você mudou comigo.

— Eu estou com alguns problemas, Serenity.

— E eu posso ajudar? É sobre dinheiro?

— Não é nada com que você precise se preocupar.

— E sua vinda para cá? Não quer conhecer a cidade? O

apartamento é enorme. Eu posso mandar um voo fretado para você. Nem precisaria vir por um comercial.

Eu odeio soar desesperada, mas estou cansada de fingir que nunca fico triste.

— Não é necessário. Eu irei em breve.

— Tudo bem — falo, porque está claro que ela não quer continuar conversando, mas quando estou prestes a desligar, ela chama meu nome.

— Sim?

— Você está feliz aí?

— Eu estou bem, JeAnne. Tenho amigos novos e moro em um lugar incrível.

— Não foi isso o que eu perguntei.

Eu penso na questão.

Eu estou feliz? Tenho tudo o que uma garota da minha idade gostaria, então, por que não me sinto realizada?

— Sim, eu estou feliz — minto.

— Sabe que VanLith faleceu?

— O quê?

— Ele morreu há alguns dias.

— Como soube?

— Saiu uma nota no jornal. Eu pensei que o doutor Kostanidis tivesse lhe dito.

— E por que ele saberia?

— Porque ele foi a única pessoa presente no funeral.

— Quando foi isso?

— Logo depois de você ter se mudado para Nova Iorque.

— Mas eu e você nos falamos depois disso. Por que não me contou?

— Eu me esqueci.

— Não, você não esqueceu. Lê os jornais diariamente e tem a mente afiada. Por que não me contou, JeAnne?

— Eu presumi que seu novo tutor o tivesse feito. Como nunca tocou no assunto, achei que não tinha dado importância.

Aquilo doeu mais do que a mentira anterior. É isso o que ela pensa de mim, que eu sequer mandaria uma coroa de

flores para o senhor VanLith? Acredita que sou uma egoísta insensível?

— Eu tenho que ir — me despeço. — Fique bem.

— Serenity?

— Sim.

— Eu te amo, criança.

— Obrigada.

Desligo o celular enfurecida e visto um short e camiseta, determinada a ir atrás do arrogante que acha que pode me esconder algo tão importante.

Eu preciso que Ares entenda de uma vez por todas que não sou um bebê.

Subo ao apartamento dele e toco a campainha, mas ninguém atende. É claro que ele não estaria. Neste horário, provavelmente encontra-se na SIN. Deveria ser minha deixa para ir dormir, mas estou chateada demais para engolir sapo, então decido que ao menos por hoje, não serei a boa menina que todos esperam.