Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 51

— Eu não o matei. Eu tinha uma escolha e escolhi enviá-lo para o inferno.

 

Capítulo 51

Debra senta-se na cama assim que o médico sai. Ela beija minha testa e bochecha, se afastando para me olhar e logo voltando a me puxar para si. É como se precisasse conferir se estou viva ainda.

Eleanor, a madrasta de Madison, teve uma reação parecida. Aliás, todas as mulheres da família.

Já faz dois dias que tudo aconteceu e nas primeiras vinte e quatro horas, fui levada para o hospital e eles me doparam. Eu estava um pouco histérica, não apenas por conta da descoberta de que eu não era filha dos Blanchet, como também porque eu finalmente me deparei com o mal em sua forma mais pura.

A sensação de ter alguém querendo nos matar é apavorante em um nível que eu nem consigo descrever. Eu sabia que havia uma ameaça pairando sobre mim, mas nunca poderia imaginar que seria de alguém tão próximo como Elmer, o assistente de Ares.

Em sua fúria doentia, ele perdeu a vida no processo.

— Eu nunca vou me cansar de agradecer a Deus por você estar bem — Debra repete.

— Tão bem como possa estar alguém sem nome —

respondo e vejo a tristeza no rosto de cada uma das Kostanidis.

Ares ficou comigo o tempo todo. No hospital, enquanto passei a noite em um sono forçado pelos calmantes, e ao mesmo tempo atormentado e inquieto; e depois que viemos para casa também.

— Você tem um nome. Eu não vou entrar em detalhes agora, pois acho que essa é uma conversa que Ares quer ter com você, mas só lhe direi que não importa o que aqueles miseráveis lhe fizeram. — Ela põe a mão sobre meu coração. — Você é Serenity, meu orgulho, a melhor bailarina da atualidade e eu não tenho dúvida de que dentro de alguns anos, se tornará a melhor de todos os tempos.

— Ela tem razão, minha filha — Eleanor fala, sentando-se na beirada da cama também. — Não há como mudar o passado, a história em que a envolveram é sórdida, sem dúvida, mas não é sua responsabilidade.

Eu aceno com a cabeça, mas não estou tão certa disso.

— Acho melhor deixá-los a sós agora, meninas. Ares e Serenity têm muito o que conversar — Debra diz.

Mesmo que já tenha quarenta e oito horas que eu acordei no hospital, Ares não tocou no assunto da minha troca. Eu tentei fazer perguntas, mas ele me disse que teríamos tempo para esclarecer tudo depois.

Agora, eu estou ansiosa para ouvir a verdade.

— Podem chamá-lo para mim?

Eu sei que deve estar na biblioteca do apartamento com os irmãos e os primos. Eu aprendi durante essa crise que os Kostanidis e os Lykaios são como um mini exército, lutando na mesma frente. Eles se unem e enfrentam o que for preciso, mas sempre juntos.

Elas se despedem de mim, me abraçando e beijando e eu sigo para o banheiro da suíte, para conferir minha aparência.

Fico espantada quando vejo as olheiras profundas, frutos de um sono artificial provocado pelos remédios.

Abro o chuveiro e entro embaixo dele, mas antes que possa dar um passo para a água, vejo Ares atrás de mim,

pelo reflexo do vidro do boxe.

Sem dizer nada, ele começa a se despir e depois me pega no colo, entrando comigo no boxe.

Por vários minutos, ele me beija. A princípio com delicadeza, mas o desejo escala muito rápido entre nós.

Ele faz amor comigo, duro e rápido e sua paixão e demanda finalmente me tiram do estado de torpor.

Depois, ele me banha, cuidando de cada parte do meu corpo, lavando meu cabelo, me envolvendo em uma das enormes toalhas brancas e felpudas.

Novamente me pega nos braços e me leva de volta para o quarto.

— Eu quero saber de tudo — falo, deitada sobre seu corpo, ambos nus.

Ele me levanta e me posiciona ao seu lado. Ficamos um de frente para o outro.

A mão alcança minha bochecha.

— Antes que eu comece a te contar, quero que saiba que suas origens não fazem a menor diferença para mim. Eu me apaixonei por você, agora eu vejo, desde a primeira noite em que a vi. Não há nada em você que eu não ame e não tem a ver com seu sobrenome ou mesmo com o nome próprio. É sua essência, Serenity. Antes de conhecê-la, eu nunca me imaginei ao lado de alguém no futuro, mas mesmo no início, mesmo quando eu ainda continuava negando a mim mesmo, dizendo que o que tínhamos era só tesão, eu sempre soube que você era minha única.

Eu sinto os olhos cheios de lágrimas. Eu já conheço Ares bem demais para saber que ele não me julgaria, que ele teria certeza de que o que quer que tivesse acontecido no passado, eu não estava envolvida.

— Eu te amo. Perdoe-me por fugir naquele dia ao invés de esperar para esclarecer tudo como uma adulta. Eu tinha…

— sinto o rosto aquecer — eu tinha acabado de encontrar o anel de noivado… quero dizer, presumo que era um anel de noivado, e…

— Era, sim. Eu pretendia te pedir em casamento quando chegássemos em casa, só nós dois, então tudo aconteceu e eu achei melhor esperar. Você estava com medo da ameaça que recebeu. Eu pensei que se te pedisse em casamento naquela hora, você aceitaria pelos motivos errados.

— Eu acreditei que por ter descoberto que eu não era a verdadeira filha dos Blanchet, você achou que eu estava envolvida na trama e desistira de mim, mas depois de andar por horas pela cidade, percebi que não queria fugir de nós dois. Se fosse o fim, você teria que dizer isso em uma conversa cara a cara, olhando-me.

— Eu nunca vou desistir de você, Serenity. Vou te contar tudo com detalhes, mas jamais duvide do meu amor.

Eu aceno com a cabeça, a garganta travada pela emoção.

Depois de me beijar novamente, Ares finalmente começa a me explicar o que descobriu. Ele não teve pressa. Contou-me como visitou JeAnne no presídio e que ela confessou tudo.

Relatou que não sabem como a garota, a verdadeira filha de Roger e Leticia, faleceu, mas que tem alguém trabalhando nisso.

É uma história feia, que envolve traição em vários níveis: da esposa de Roger com ele, traindo-o com o sócio e então, amigo. De JeAnne com minha mãe verdadeira, que agora sei se chamar Mila Lawrence. De Edgar Hazen com a memória da mulher que ele supostamente dizia amar, Leticia,

roubando sua filha do lar a que ela pertencia e lhe fazendo mal, provavelmente tirando-lhe a vida, tudo em nome da inveja, ganância e vingança.

— E qual o papel de Elmer nessa história?

Assim que corri para os braços de Ares naquele entardecer no terraço do edifício do Banco Kostanidis, eu desmaiei e até agora ninguém tocou no nome daquele homem horrível comigo, dando-me detalhes. Eu apenas sei que faleceu, mas não como. Dois advogados que me foram apresentados como da banca jurídica que defende os Kostanidis vieram me ver, mas disserem que já estava tudo acertado com os detetives e que eu só prestaria depoimento quando estivesse me sentindo melhor.

Eu não tenho dúvida de que esse não é o procedimento padrão e foi somente nessa hora que eu entendi completamente o poder e influência do sobrenome da família grega.

— Morto.

— Sim, eu sei. Mas como aconteceu?

— Ele caiu do terraço naquele dia.

— Eu queria poder fingir que eu lamento, mas não consigo sentir pena dele, ou de qualquer um envolvido nessa trama. Nem mesmo de JeAnne. Isso faz de mim uma pessoa ruim?

— Não. Isso faz de você humana, Serenity.

— Quem era Elmer nessa história?

— Ele tinha um parentesco remoto com Edgar Hazen. Eu ainda não consegui determinar ao certo, o fato é que o objetivo dele era seduzi-la e casar-se com você para que pudessem ter acesso à sua herança. Mas o plano deu errado quando Elmer se tornou obcecado por você. Ele parou de seguir ordens, agir por conta própria, persegui-la, se expor.

— Ele era completamente insano.

— Acredito que sim.

— Você disse que queriam que nos casássemos para terem acesso à minha herança. O plano era me matar depois, então?

— Nunca obteremos todas as respostas, Serenity. Como saber o que se passa em uma mente criminosa? JeAnne disse que no começo não sabia que Edgar Hazen machucaria a filha dos Blanchet. Eu não acredito nisso,

como também, apesar do alegado amor que sente por você, tenho certeza de que ela estava consciente de que você corria riscos da mesma forma.

Eu concordo com a cabeça.

— Deus, tudo isso em nome da vingança e por dinheiro?

— Ao que parece, sim.

Ele me puxa outra vez para os seus braços.

— Não importa o passado, eu quero nosso futuro. Sem pressa ou pressão. Eu nunca vou te deixar ir, Serenity. Você é minha mulher.