Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 11

E então, minha atenção é atraída para um dos camarotes, à esquerda, um pouco acima do nível da plateia.

Eu sei que é o mais caro que há. Muito perto do palco, mas não consigo enxergar as feições de seu ocupante, mas de algum modo, sei que está olhando diretamente para mim e que se trata de um homem só. Posso ver o contorno de seu terno, os ombros rígidos.

Uma outra salva de palmas irrompe, interrompendo minha curiosidade. Eu me obrigo a voltar ao presente, mas

mesmo depois que saio do palco, ainda estou pensando no observador solitário.

 

Capítulo 11

Eu esperava morrer de tédio.

Tenho uma característica marcante além do cinismo e arrogância que as mulheres sempre fazem questão de jogar na minha cara no fim dos breves casos que mantenho: eu odeio perder tempo.

Neste conceito, reúno tudo aquilo que não é capaz de segurar meu interesse, e dança certamente estaria incluída.

No instante em que vi minha tutelada no palco, no entanto, ela roubou completamente minha atenção.

Eu não entendo porra nenhuma de balé, mas sei muito sobre beleza e paixão. Serenity é a visão mais crua dos dois.

Enquanto a observo se apresentar, entendo pela primeira vez porque ela não sai, que parece não ter qualquer amigo ou mesmo um pretendente a namorado.

Serenity já está comprometida, mergulhada em uma intensa entrega à sua arte.

Durante toda a apresentação, eu não desvio os olhos dela e muitas vezes sou obrigado a me lembrar quem ela é, porque há algo de puro e celestial na garota, mas há também um ardor tão intenso no modo como se movimenta, que eu não consigo deixar de imaginar como seria toda essa paixão na cama.

Todas as vezes que o pensamento me alcança, eu o afasto, tentando me concentrar no fato de que não estou diante de uma mulher qualquer, mas de uma jovem órfã, desprotegida e que muito além, é minha responsabilidade.

Eu nem ao menos sei como é o rosto dela atualmente, já que nas fotos que eu vi, não passava de uma adolescente.

O que diabos está acontecendo? Eu posso ter a mulher que quiser com um telefonema, e então a porra do meu pau decide se manifestar por uma garota de quem devo cuidar?

Uma criatura que aparenta a fragilidade de um beija-flor?

Indiferente aos meus pensamentos, ela continua girando no palco, linda, em movimentos perfeitos e precisos.

Ela tem consciência de que está hipnotizando a todos, homens e mulheres? Sim, porque não há sequer um sussurro pelo ar e o teatro é relativamente grande.

Serenity tem a audiência na ponta dos seus pés delicados e não me agrada fazer parte deste grupo.

Eu me obrigo a desviar os olhos do palco e alcanço meu telefone dentro do blazer. Passo rapidamente pela agenda, sabendo que em algum lugar nela há uma ou várias mulheres de Nova Orleans com quem já saí no passado.

Encontro três nomes com o código de área local. Tento me lembrar de quem são, mas não consigo.

Aleatoriamente, meu nome paira sobre alguém chamado

“Sebia”. O nome não me é estranho.

Uma modelo com quem saí?

Forço a memória e não consigo recordar nada. Tenho trinta e quatro anos. Já tive incontáveis parceiras, então não é algo fora do normal que eu não me lembre sequer do rosto delas, mas não lembrar nada? Uma conversa, uma risada, ou ao menos como me senti quando a possuí?

Não, eu não me lembro de nada mesmo. Tenho uma enorme lista de contatos que representam um imenso vazio e eu gosto que seja assim.

Hoje, no entanto, eu sei que uma mulher aleatória não vai ser suficiente.

No momento em que essa certeza me atinge, a apresentação chega ao fim.

Eu continuo com o dedo suspenso sobre o visor do telefone, mas volto a focar no palco e nesse exato instante, Serenity olha em minha direção.

Não é um virar de cabeça. Ela olha para mim.

Eu não posso ver muito de seu rosto, apenas percebo que ela está sorrindo.

Não sou tão imbecil ao ponto de achar que ela sorri para mim. Serenity tem a expressão segura de um vencedor. Pelo que descobri, hoje foi sua primeira apresentação solo e ela sabe que o fez com perfeição.

A cabeça dela gira, focando novamente na plateia.

Eu a encaro um tanto irritado. Quero estalar os dedos e mandar que as luzes se acendam. Não, eu quero ordenar que a tragam para mim, que me dê sua atenção exclusiva, como a porra de um rei mimado que tem todas as suas vontades atendidas.

A minha prepotência quer proibi-la de desviar o olhar da minha direção.

Observo de novo o telefone em minha mão, sabendo que devo me dirigir rapidamente ao camarim, apresentar-me a Serenity e seguir meu caminho.

Talvez aproveitar um pouco a noite com Hades, como nos velhos tempos, já que sei definitivamente que não ligarei para a tal Sebia, ou os outros nomes locais em minha agenda.

A minha mão se contrai em volta do aparelho, a mente reagindo ao que sei que vou fazer.

Com um gesto de mão para o chefe dos meus guarda-costas parado na entrada do camarote, eu o chamo. Em um segundo, ele está ao meu lado.

Dou-lhe ordens rapidamente para que reserve um restaurante em que já estive aqui em Nova Orleans e que sei que é muito bom. Em seguida, procuro o nome dela na agenda.

Serenity Clementine Blanchet.