Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina

Capítulo 4

Nova Orleans

Duas semanas depois

— Você sabe que não precisa mais fazer isso, JeAnne. Eu não sou um bebê.

— Sim. É uma mocinha agora — diz, mas continua atrás de mim na penteadeira, escovando meus cabelos.

Reviro os olhos, tentando esconder um sorriso. JeAnne é minha babá desde que me entendo por gente. Eu não me lembro dos meus pais se não olhar as fotografias deles, mas em todas as recordações da infância, minha amada JeAnne está.

— Sou adulta. Mocinha soa como adolescente.

— Hum.

— O que significa esse “hum”?

— Não leve a mal o que vou dizer. Estou muito feliz que finalmente tenha voltado para casa, mas fico preocupada de que agora alguém tente se aproveitar de sua inocência. Não sabe nada da vida.

Meus pais, aparentemente, foram muito cuidadosos em suas determinações testamentais para mim no caso de virem a falecer, o que de fato aconteceu quando eu tinha somente cinco anos.

Como não temos parentes de ambos os lados, eles designaram um tutor para cuidar de mim, o senhor VanLith.

Ele já era bem velhinho, mesmo quando eu ainda era uma menina e estava adoentado na época do falecimento dos meus pais. Segundo eu soube depois, fiquei quase dois meses sendo cuidada por JeAnne antes que ele enfim viesse me ver.

Nunca fomos próximos. JeAnne é minha única referência de família e vou ser sempre grata a ela por ter dedicado a vida inteira a mim.

Quando fui para o internato na Alemanha, o senhor VanLith queria dispensá-la. Eu ainda era bem pequena, mas

chorei por quase uma semana, implorando para que a deixasse ficar.

Ele cedeu, e nestes treze anos em que perdi meus pais, ela se tornou minha família.

Além dela, meu segundo amor é o balé.

— Se está falando sobre rapazes, não precisa se preocupar. Não estou interessada. Eu só quero ser a maior bailarina de todos os tempos.

— Só isso? — ela brinca. — Muito modesta, senhorita Blanchet.

Eu fico séria e seguro sua mão por cima do meu ombro, olhando-a pelo espelho.

— Não sei ser outra coisa, JeAnne. Ser uma bailarina profissional é meu objetivo de vida.

Ela me dá um beijo na cabeça.

— Então é isso o que será.

O senhor Vanlith disse que quer conversar comigo na próxima semana. O que deve ser?

— Provavelmente para lhe prestar conta de sua herança.

Como mesmo disse, já é uma adulta agora.

— Sou adulta, mas não serei independente até que me case aos vinte e um ou que complete vinte e cinco, solteira.

— Ele nunca deixou lhe faltar nada. Não precisará se casar para acessar sua fortuna. Espere pelo tempo certo.

— Sim, eu sei, e para ser sincera, não me importo com o dinheiro. Contanto que eu tenha o suficiente para manter as aulas de balé e comprar tudo o que preciso para dançar, por mim tudo bem.

Mordo o lábio inferior, pensando no que quero pedir ao meu tutor na próxima semana.

— O que foi? — ela pergunta.

— Acha que o senhor VanLith concordará que eu monte uma sala de balé em um dos quartos vagos daqui de casa?

— Acho que sim. Por que ele lhe negaria algo assim?

— Não sei. Eu não tenho ideia de quanto dinheiro possuo.

— Estou certa de que é o suficiente. Mas eu pensei que preferisse treinar na escola de dança.

— Não. Eu quero poder treinar por horas, mesmo fora do horário das aulas. A prática leva à perfeição, JeAnne. No internato, mesmo tendo acesso às classes de balé duas vezes por dia, eu me sentia frustrada quando a professora

encerrava. Ela só me deixava continuar treinando por mais uma hora depois. Se eu tiver uma sala aqui em casa, poderei praticar sempre que quiser.

 

— Há seis quartos livres, Serenity. Tenho certeza de que seu tutor não se negará a montar um para seus treinos.

Uma semana depois

— Eu não sei se entendi direito — digo, quando na verdade entendi sim e muito bem. Tanto, que estou me sentindo enjoada.

— Estou muito velho, senhorita e pensando no que é melhor para você. Apenas por isso estou buscando outra pessoa para ocupar o meu lugar.

— É melhor para mim que não seja mais o meu tutor? —

pergunto, tentando não demonstrar o quanto a notícia me deixa triste.

Apesar dele nunca ter agido comigo de outro jeito que não fosse profissional, eu detesto mudanças.