Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 34
Eu estou quase chegando na casa, andando distraída e olhando para o chão, quando bato em um muro de concreto.
Exceto que o muro tem braços fortes, é quente e o cheiro dele atua como um tipo de entorpecente em meus sentidos.
Custo uns segundos até erguer o rosto para ele, ao mesmo tempo em que me pergunto se não se importa que nos vejam assim porque, agora, Ares tem um dos braços em volta da minha cintura.
A camisa branca social que usa, dobrada até os cotovelos, está com os dois últimos botões abertos. Eu consigo ver um pouco de pele e fecho os punhos para controlar o desejo de abrir um por um os restantes.
— Mentiu quando disse que não estavam mais juntos?
Eu penso seriamente em contar a verdade sobre a farsa do namoro, mas não quero envergonhar Otis para aquele
que meu amigo pensa ser seu rival, embora, a bem da verdade, não haja rivalidade alguma. Em um planeta onde Ares Kostanidis respira, eu nunca conseguirei prestar atenção em outro homem.
— Não — digo simplesmente, mas ele não parece satisfeito e segura meu queixo para que o encare.
— Vou te levar para casa.
— O quê? — Não era isso que eu estava esperando ouvir.
Fiquei super empolgada com a ideia de Madison de irmos à SIN.
— Minha cunhada colocou na cabeça que quer ir dançar na SIN e meus irmãos vão com as esposas.
— E você?
— É meu local de trabalho.
— Bem, boa jornada para você então — falo, me desprendendo dele e seguindo para casa.
— Despeça-se de Eleanor e do resto da família —
comanda, como se eu fosse uma garotinha.
Eu não sei o que mais me irrita, se é ele achar que pode me dar ordens, mandando que eu me despeça de seus familiares ou decidir que eu não posso ir à SIN sem ao
menos me consultar. Eu sei, no entanto, que enfrentá-lo é uma péssima estratégia. Eu preciso de uma aliada. Ou duas.
Subo as escadas correndo, sem olhar para trás e quase dou um encontrão em Cici e Madison.
Brooklyn me dá tchau, assim como o marido que carrega um dos filhos no colo, já adormecido. O resto da tropa é levada pelos guarda-costas deles.
Depois que eles passam por nós, Madison diz, nada discreta:
— Ela sabe do nosso plano — acompanhando suas palavras, faz um gesto de cabeça para Cici, que sorri. Eu me sinto parte de uma sociedade secreta trabalhando em teoria da conspiração.
— Sabe o quê? — disfarço e ela revira os olhos.
— Sobre você e Ares.
Abro a boca para negar, mas a fecho em seguida.
— Disfarce, ele está vindo — ela sussurra para mim.
— Ele quer me levar para casa.
— De jeito nenhum. Deixa comigo. — Ela abre o maior sorriso que, tenho certeza, deve funcionar com Zeus, mas
não acho que surtirá efeito no meu tutor. — Ares, eu chamei Serenity para ir conosco à SIN e…
— Não — ele corta com sua prepotência costumeira.
— Por que não? Está dizendo que sua boate não é um lugar respeitável?
— Explicou para ela do que se trata a SIN?
Madison sacode a cabeça fazendo que não e eu percebo que está se segurando para não gargalhar.
— Do que vocês estão falando? — pergunto.
— Podem me dar licença para que eu fale em particular com a minha tutelada?
— Não — elas duas dizem, quase em coro.
— Pode deixar que eu explico — Cici diz. — A SIN é um lugar para se realizar fantasias sexuais, mas sem o sexo em si, a não ser que seja um parceiro fixo.
Eu tento fingir que ouvir isso não é nada de mais. Pego toda a minha educação recebida no colégio interno alemão e trago à tona, fazendo a fina, mas por dentro, estou vivenciando uma turbulência de emoções.
Ciúme é a principal delas.
Ele vai todas as noites para um lugar que exala sexo?
Deus, eu sou uma idiota mesmo! Acreditei que tinha alguma chance com um homem assim?
— Hum…. Acho que ele tem razão, Madison. Melhor eu ir para casa. — Eu podia parar agora, mas estou me sentindo como um mosquito e faço a coisa mais estúpida do mundo, completando. — Eu quero dormir cedo porque Otis disse que logo que chegar na Alemanha vai me ligar.
A postura de Ares muda.
— Com medo de enfrentar o mundo real, garotinha? —
pergunta, entrando na minha frente e na mesma hora percebo que Madison e Cici desaparecem dentro de casa.
— Está me desafiando? Há poucos minutos queria me levar para casa.
— Mudei de ideia. Talvez você esteja precisando de um choque de realidade.
— O que vou encontrar lá?
Ele me dá um sorriso que não demonstra nem um pouco de humor, quase cruel e eu sei que não vai me levar para que eu conheça coisa alguma e sim, para me chocar.
— Por que contar se eu posso mostrar?
Eu não sei o que esperava. A imprensa criou um rebuliço em torno da SIN, mas a verdade é que, por dentro, pelo menos no lounge em que nós estamos, lembra muito um nightclub que Debra me levou em Paris uma vez.
A decoração é toda em negro, com alguns detalhes em roxo, e eu nem sei dizer o quanto amei. Roxo é minha cor favorita.
Não precisa ser um especialista para perceber que o lugar é feito para os muito ricos, uma parcela mínima da sociedade.
Onde estamos, há uma pequena pista de dança e só agora Madison me contou que já se apresentou na SIN. Foi desse modo que ela conheceu o marido, Zeus.
Duas garçonetes vieram nos servir bebidas, mas apesar de estarem com pouca roupa, não é nada explícito.
Ares me disse que viria trabalhar, mas nem por um segundo saiu do lado dos irmãos.
— Vamos dançar? — Madison chama e Cici resmunga:
— Ah, isso é até covardia. Uma nasceu para isso e a outra é considerada a promessa mundial do balé.
— Não seja boba — a esposa de Zeus diz, puxando nós duas para a pista.
O lounge é bem grande, mas só estamos nós aqui.
Enquanto aproveito a música, totalmente envolvida com a batida, esqueço do resto dos problemas, como sempre acontece quando mergulho na minha arte.
Eu deixo que o ritmo comande meu corpo, me envolvendo, mas em um determinado momento, quando abro os olhos, Ares está focado em mim. Ele nem disfarça.
Enquanto os irmãos conversam, ele virou o corpo na minha direção.
Como em nosso primeiro encontro, eu não consigo ver seu rosto, mas mesmo assim um arrepio de excitação me percorre. O problema é que eu não sei como chamar a atenção de um homem como ele e depois de uns cinco minutos, peço licença às garotas e vou ao banheiro jogar um pouco de água no rosto.
Eu sei que preciso descer alguns degraus porque Madison meio que me explicou onde era o banheiro, mas quando
testo a porta que achei que seria, ao invés do toalete, noto que é um quarto de paredes negras. Ao fundo, há um vidro, como aqueles de salas de interrogatório.
Quando dou alguns passos para dentro, abro a boca, totalmente chocada. Do outro lado, há um casal. Ambos estão nus, a mulher deitada em uma cama alta e o homem massageando seu corpo com óleo.
Eu deveria voltar, mas fico fascinada com a expressão de prazer no rosto dela, então me aproximo do vidro, plantando as palmas da mão nele porque não confio na força das minhas pernas.