Obcecado pela Protegida: O Tutor Grego e a Bailarina
Capítulo 24
Eu não sei o que responder, então, mudo de assunto.
— Por que não vem para Nova Iorque conosco? Se está doente, posso providenciar para que tenha o melhor tratamento possível.
— Eu estou bem. Apenas cansada. Ela está começando uma nova vida. Realizando seu maior sonho, que é se tornar a primeira bailarina daquela companhia de dança. Chegou a hora dela caminhar sozinha.
Capítulo 24
No dia seguinte
Daqui a algumas horas, embarcaremos de volta para Nova Iorque. O nosso avião particular já está na pista à espera, mas antes de irmos, temos um encontro. Na verdade, eu fiquei admirado que ele já não tivesse entrado em contato antes, já que é amigo de Christos.
Eu e Hades descemos do carro no que parece ser uma mansão antiga. O terreno é imenso, quase uma pequena cidade, e tão bem guardado quanto uma fortaleza.
Mal damos alguns passos e a porta principal se abre. Há um homem parado lá e embora eu não consiga ver seu rosto, porque está contra a luz, sei de quem se trata: Beau Carmouche-LeBlanc, a quem meu irmão Zeus chamou de
“Rei” de Nova Orleans.
Segundo soube por Christos, não cai uma agulha no chão da cidade sem que ele tenha conhecimento.
Ele finalmente começa a andar em direção a nós, mas eu fico surpreso quando Hades se adianta e vai cumprimentá-lo.
É quando tenho certeza de que minhas suspeitas estão corretas. Meu irmão caçula está guardando segredos de nós e eles envolvem a cidade de Serenity.
— Você deve ser Ares — ele diz, me dando a confirmação que eu precisava que já se encontrara com Hades anteriormente.
— Sim — respondo, aceitando a mão que me oferece.
Eu não sei o que esperava. Uma espécie de mafioso talvez? Daqueles tipos romantizados por Hollywood?
O homem à minha frente se parece com um empresário como tantos outros que já conheci. Como nós, exala riqueza, mas não tem nada em suas feições que demonstre que se trata de alguém perigoso, o que, pelo que sei da vida até agora, me dá a garantia de que ele é.
Eu não sou ingênuo.
Homens como Odin passam despercebidos pelo radar.
Pai, marido, primo, tio. Um chefe de família e empresário respeitado. Se você observa apenas a superfície, será isso o
que encontrará, mas há muitas camadas por baixo, no entanto.
— Como está sua tutelada? — ele pergunta, sem qualquer explicação de como sabe a respeito de Serenity.
— Fora de perigo. Voando comigo para Nova Iorque daqui a algumas horas.
Ele acena com a cabeça.
— Vamos entrar?
Começamos a andar ao lado dele e logo, alcançamos o hall. Há uma mulher ajoelhada no chão, recolhendo brinquedos. Patos de borracha e bolas, indicando que ele têm filhos.
— Desculpem-me por isso — ela diz, mas quando começa a se erguer, Beau se adianta para ajudá-la.
Eu observo a dinâmica entre os dois. A expressão do homem suaviza na hora ao olhar para aquela que, presumo, seja sua esposa.
— Obrigada — diz, sorrindo como se ele fosse seu sol.
Quando ela finalmente ergue os olhos para nos encarar, eu fico aturdido por alguns segundos pela cor deles. São amarelos.
— Não são lentes de contato. — Ela sorri mais amplo, como se entendesse meu espanto. — Muito prazer, sou Amber Carmouche-LeBlanc.
A exemplo do marido, oferece a mão para nos cumprimentar e eu quase sorrio pela maneira como Beau nos observa quando tocamos sua esposa.
Como um guardião apaixonado e possessivo.
Ela sai em seguida, e ele nos encaminha para uma biblioteca.
Antes que feche a porta, ouvimos risadas de crianças.
— Quantos são? — pergunto.
— Quatro. Dois casais.
Novamente sua expressão suaviza, mas logo volta a ficar séria.
— Estou investigando o incidente — ele diz.
— Como? — questiono, entendendo que fala sobre o atentado contra Serenity.
— Eu solicitei as câmeras do aeroporto, de todos os estabelecimentos.
Apenas então eu entendo porque Zeus o nomeou Rei de Nova Orleans. A polícia disse aos nossos advogados que
levariam meses até que todas elas fossem acessadas. Eu sei que Odin não esperaria tanto tempo. Se conheço meu primo, ele já está trabalhando nisso, mas estou surpreso para caralho com a velocidade e eficiência com que Beau agiu.
— Meus homens estão analisando as imagens, mas pode levar algumas semanas, segundo me disseram.
— Obrigado.
— Ela não precisa ir embora por medo, Ares. Eu não sabia que a menina chegaria naquele dia, mas já pretendia manter um olho nela porque a senhorita Blanchet é sua.
Diga-lhe que a qualquer momento que quiser voltar para Nova Orleans, estará protegida. Ninguém se atreverá a levantar um dedo contra ela na minha cidade, a partir de hoje, se quiser continuar respirando.
Serenity
— Não pode ir para Nova Iorque comigo porque está com uma parente doente? Quem? — pergunto, tentando não demonstrar tristeza e empurrando a sensação de abandono para um quarto escuro dentro de mim.
JeAnne não fez outra coisa senão se dedicar a que eu tivesse ao menos uma ideia de lar, sempre me esperando na volta das férias com minhas comidas favoritas. Montando árvores no Natal e mandando cartões e presentes no meu aniversário.
Ela viveu tanto por mim, que às vezes me esqueço que tem vida própria. Eu sei vagamente que os pais já morreram e que nunca teve filhos, nada além disso.
— Uma prima distante. Eu nunca falei sobre ela —
desconversa e fico com a sensação de que está mentindo.
Penso nos folhetos com casas na Florida que eu encontrei uma vez, mas logo descarto a ideia. Ela não está com aspecto de quem vai começar uma vida em outro lugar. Ao contrário, parece frágil como nunca a vi antes.
— Por que só me contou hoje?
— Com a história do escorpião, eu acabei esquecendo.
Ela está mentindo outra vez. Eu apostaria um braço que nada do que me contou hoje é verdade.
— Mas vai me encontrar em Nova Iorque quando ela melhorar?
— Vou, sim — diz, sem me olhar nos olhos e sinto meu peito se apertar.
Porém, eu passei muito tempo treinando esconder minhas emoções e nunca demonstrar que preciso de outras pessoas.
— Tudo bem. Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, vai entrar em contato comigo?
— Não se preocupe, minha filha. Eu vou ficar bem.
Eu estou muito abalada. Ela esperou até o último momento para me dizer que não se mudaria comigo para Nova Iorque e embora ela tenha prometido ir depois, eu não acredito mais. No meu coração, acho que isso é um adeus, e a sensação se intensifica quando ela tira do bolso do vestido que está usando uma fotografia de nós duas quando eu ainda era criança.
Eu me lembro dela, embora não de quando a tiramos. Eu a levei comigo para a Alemanha e a beijava todas as noites
antes de dormir.
— Você não vai vir — falo, mordendo o interior da bochecha para não chorar.
— Para morar, não. Mas quero muito conhecer Manhattan.
Já é uma mulher, Serenity. Não precisa de mim.
Eu me controlo para não lhe dizer que preciso muito dela, que sempre precisarei. Ao invés disso, desvio o olhar de seu rosto e lhe dou um sorriso fraco.
JeAnne e agora Debra, são minha única família. Até mesmo Otis um dia vai se casar e então, não poderemos mais nos ver com tanta frequência.