Os filhos dos dias
Capítulo 7
Hoje foi batizado, em 1810, em Connecticut, um bebê chamado Phineas Barnum.
Já maiorzinho, fundou o mais famoso dos circos.
O circo começou sendo um museu de esquisitices e monstruosidades, que atraía multidões:
se inclinavam diante de uma escrava cega, que tinha 161 anos de idade e havia dado de mamar a George Washington,
beijavam a mão de Napoleão Bonaparte, que media 64 centímetros de altura,
e comprovavam que estavam bem grudadinhos os irmãos siameses Chang e Eng, e que as três sereias tinham autênticos rabos de peixe.
Barnum foi o homem mais admirado pelos políticos profissionais de todos os tempos. Ele levou à prática, melhor que ninguém, seu grande descobrimento: as pessoas gostam de ser enganadas.
7
Fridamania
Em 1954, uma manifestação comunista percorreu as ruas da Cidade do México.
Frida Kahlo estava lá, de cadeira de rodas.
Foi a última vez em que foi vista viva.
Morreu, sem ruído, pouco depois.
E se passaram uns quantos anos até que a fridamania, tremendo alvoroço, a despertou.
Ressurreição ou negócio? É isso o que merecia uma artista alheia a qualquer exitismo e ao lindismo, autora impiedosa de autorretratos que a mostravam sobrancelhuda e bigoduda, crivada de agulhas e alfinetes, apunhalada por trinta e duas operações?