Os filhos dos dias

Eduardo Galeano · Capítulo 11 de 214

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Os filhos dos dias

Capítulo 18

No amanhecer do dia de hoje, cinco rajadas de metralhadora foram disparadas contra o céu.

 

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Água sagrada

Nos tempos da Santa Inquisição, os espanhóis que tomavam banho eram suspeitos de heresia muçulmana.

A adoração da água vinha de Maomé.

Maomé havia nascido no deserto, lá pelo ano de 570, e no deserto, reino da sede, havia fundado a religião dos perseguidores da água.

Ele dizia o que Deus, chamado de Alá, tinha mandado dizer: no caminho da salvação, era preciso rezar cinco vezes por dia, flexionando o corpo até que o queixo tocasse o solo, e antes de cada reza era preciso se purificar com água.

– A limpeza é a metade da fé – dizia.

 

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Uma era nasceu com ele

Em 1736, nasceu o escocês James Watt.

Dizem que ele não inventou a máquina a vapor, mas em todo caso foi ele quem soube desenvolvê-la, sem maiores pretensões, e numa oficina modesta engendrou a fonte de energia da revolução industrial.

A partir de então, daquela máquina nasceram outras máquinas, que transformaram os camponeses em operários, e num ritmo de vertigem o dia de hoje se fez amanhã e o dia de ontem foi mandado para a pré-história.