Os filhos dos dias
Capítulo 15
No ano de 2002, fecharam as portas os oito restaurantes McDonald’s na Bolívia.
Apenas cinco anos durou essa missão civilizadora.
Ninguém a proibiu. Aconteceu simplesmente que os bolivianos lhes deram as costas, ou melhor, se negaram a dar-lhes a boca. Os ingratos se negaram a reconhecer o gesto da empresa mais exitosa do planeta, que desinteressadamente honrava o país com sua presença.
O amor ao atraso impediu que a Bolívia se atualizasse com a comida de plástico e os vertiginosos ritmos da vida moderna.
As empanadas caseiras derrotaram o progresso. Os bolivianos continuam comendo sem pressa, em lentas cerimônias, teimosamente apegados aos antigos sabores nascidos no fogão familiar.
Foi-se embora, para nunca mais, a empresa que no mundo inteiro se dedica a dar felicidade para as crianças, a mandar embora os trabalhadores que se sindicalizam e a multiplicar os gordos.
15
Sem milho não há país
No ano de 2009, o governo do México autorizou o plantio, experimental e limitado , de milho transgênico.
Um clamor de protesto se ergueu dos campos. Ninguém ignorava que os ventos se ocupariam de propagar a invasão, até que o milho transgênico se transformasse em fatalidade do destino.
Alimentadas pelo milho, tinham crescido muitas das primeiras aldeias na América: o milho era gente, gente era milho, e o milho tinha, como as pessoas, todas as cores e sabores.