Os filhos dos dias
Capítulo 22
O silêncio
Em Istambul, que naquele tempo se chamava Constantinopla, Paulo, o Silenciário, concluiu seus quinze poemas de amor no ano de 563.
Esse poeta grego devia seu nome ao trabalho que cumpria. Ele cuidava do silêncio no palácio do imperador Justiniano.
Em seu próprio leito, também.
Um dos poemas diz:
Teus peitos contra meu peito,
teus lábios em meus lábios.
O resto é silêncio:
eu odeio a boca que jamais se fecha.
23
O livro dos prodígios
Num dia destes, o de 1455, saiu à luz a Bíblia, o primeiro livro impresso na Europa com tipografia móvel.
Os chineses vinham imprimindo livros fazia dois séculos, mas foi Johannes Gutenberg quem iniciou a difusão massiva do mais apaixonante romance da literatura universal.
Os romances contam mas não explicam, não têm por que explicar. A Bíblia não diz qual a dieta que Noé seguiu para chegar ao Dilúvio com seiscentos anos de idade, nem qual foi o método que a mulher de Abraão usou para ficar grávida aos noventa, nem esclarece se a burra de Balaã, que discutia com seu amo, sabia falar hebraico.