Os filhos dos dias
Capítulo 18
Os peões dos campos da Patagônia argentina tinham entrado em greve contra os salários curtíssimos e as jornadas longuíssimas, e o exército foi encarregado de restabelecer a ordem.
Fuzilar cansa. Nesta noite de 1922, os soldados, exaustos de tanto matar, foram ao prostíbulo do porto San Julián, atrás de sua merecida recompensa.
Mas as cinco mulheres que trabalhavam lá bateram a porta no nariz deles, e puseram todos para correr ao grito de assassinos, assassinos, fora daqui!
Osvaldo Bayer guardou seus nomes. Elas se chamavam Consuelo García, Ângela Fortunato, Amália Rodríguez, Maria Juliache e Maud Foster.
As putas. As dignas.
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Só dele
Quando Michelangelo ficou sabendo da morte de Francesco, que era seu ajudante e muito mais, arrebentou a marteladas o mármore que estava esculpindo.
Pouco depois, escreveu que aquela morte foi graça de Deus, mas para mim foi grave dano e infinita dor. A graça está no fato de que Francesco, que em vida me mantinha vivo, morrendo me ensinou a morrer sem pena. Mas eu o tive durante vinte e seis anos... Agora não me resta outra coisa que uma infinita miséria. A maior parte de mim foi-se com ele.
Michelangelo jaz em Florença, na igreja da Santa Croce.
Ele e seu inseparável Francesco costumavam sentar-se na escadaria dessa igreja, para desfrutar dos duelos em que na vasta praça se enfrentavam, aos pontapés e boladas, os jogadores do que agora chamamos de futebol.