Os filhos dos dias

Eduardo Galeano · Capítulo 118 de 214

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Os filhos dos dias

Capítulo 22

Mas no dia seguinte ao fim da guerra soube dar um pulo prodigioso e caiu de pé na outra margem do mar.

Instantaneamente se transformou em patriota da sua nova pátria, se fez devoto de uma seita evangélica do Texas, e pôs mãos à obra no laboratório espacial.

 

22

 

A outra Lua

Os astronautas não foram os primeiros a chegar.

Mil e oitocentos anos antes, Luciano de Samósata havia visitado a Lua.

Ninguém viu, ninguém acreditou; mas ele escreveu isso, em idioma grego.

Lá pelo ano 150, Luciano e seus marinheiros se puseram a navegar das colunas de Hércules, que estavam onde agora está o estreito de Gibraltar, e uma tormenta apanhou o barco e subiu com ele até o céu e jogou todos na Lua.

Na Lua, ninguém morria. Os velhos muito velhos se dissolviam no ar. Os luneiros comiam fumaça e transpiravam leite. Os ricos vestiam roupas de cristal; os pobres, roupa alguma. Os ricos tinham muitos olhos, e os pobres, um ou nenhum.

Os luneiros viam, num espelho, tudo que os terrestres faziam. Enquanto durou a visita, Luciano e seus marinheiros receberam, dia após dia, as notícias de Atenas.

 

23

 

Gêmeos