Os filhos dos dias
Capítulo 12
Por se tratar de uma notícia desagradável, os meios de comunicação não comunicaram nada.
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A fabricação do culpado
Num dia como o de hoje do ano 33, dia a mais, dia a menos, Jesus de Nazaré morreu na cruz.
Seus juízes o condenaram por incitação à idolatria, blasfêmias e superstição abominável.
Alguns séculos depois, os índios das Américas e os hereges da Europa foram condenados por esses mesmos crimes, exatamente os mesmos, e em nome de Jesus de Nazaré foram castigados com açoite, forca ou fogo.
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Não soubemos ver você
No ano de 2009, no átrio do convento de Mani de Iucatã, quarenta e dois frades franciscanos cumpriram uma cerimônia de desagravo à cultura indígena:
– Pedimos perdão ao povo maia, por não haver entendido sua cosmovisão, sua religião, por negar suas divindades; por não ter respeitado sua cultura, por haver imposto durante muitos séculos uma religião que não entendiam, por haver satanizado suas práticas religiosas, e por haver dito e escrito que eram obra do Demônio e que seus ídolos eram o próprio Satanás materializado.
Quatro séculos e meio antes, naquele mesmo lugar, outro frade franciscano, Diego de Landa, havia queimado os livros maias, que guardavam oito séculos de memória coletiva.