Os filhos dos dias
Capítulo 13
Sóror Juana Inés de la Cruz, nascida no dia de hoje de 1651, foi a mais-mais.
Ninguém voou tão alto em sua terra e em seu tempo.
Ela entrou muito jovem no convento. Achou que o convento era menos cárcere que sua casa. Estava mal informada. Quando percebeu, já era tarde; e anos depois, morreu, condenada ao silêncio, a mulher que melhor dizia.
Seus carcereiros costumavam ser pródigos em louvações, que ela jamais acreditou.
Em certa ocasião, um artista da corte do vice-rei do México pintou um retrato dela que era assim como uma profecia do photoshop. Ela respondeu:
Este, em quem a lisonja pretendeu
Eximir dos anos os horrores,
E vencendo dos tempos os rigores
Triunfar da velhice e do olvido,
É uma néscia diligência errada,
É um afã caduco, e vendo bem,
É cadáver, é pó, é sombra, é nada.
13
O pai de Moby Dick
Em 1851 foi publicada, em Nova York, a primeira edição de Moby Dick.
Herman Melville, peregrino do mar e da terra, havia lançado alguns livros de êxito, mas Moby Dick, sua obra-prima, jamais esgotou essa edição, e suas obras seguintes não tiveram melhor sorte.
Melville morreu esquecido, quando já havia aprendido que o êxito e o fracasso são acidentes de duvidosa importância.