Os filhos dos dias

Eduardo Galeano · Capítulo 185 de 214

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Os filhos dos dias

Capítulo 13

Sóror Juana Inés de la Cruz, nascida no dia de hoje de 1651, foi a mais-mais.

Ninguém voou tão alto em sua terra e em seu tempo.

Ela entrou muito jovem no convento. Achou que o convento era menos cárcere que sua casa. Estava mal informada. Quando percebeu, já era tarde; e anos depois, morreu, condenada ao silêncio, a mulher que melhor dizia.

Seus carcereiros costumavam ser pródigos em louvações, que ela jamais acreditou.

Em certa ocasião, um artista da corte do vice-rei do México pintou um retrato dela que era assim como uma profecia do photoshop. Ela respondeu:

Este, em quem a lisonja pretendeu

Eximir dos anos os horrores,

E vencendo dos tempos os rigores

Triunfar da velhice e do olvido,

É uma néscia diligência errada,

É um afã caduco, e vendo bem,

É cadáver, é pó, é sombra, é nada.

 

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O pai de Moby Dick

Em 1851 foi publicada, em Nova York, a primeira edição de Moby Dick.

Herman Melville, peregrino do mar e da terra, havia lançado alguns livros de êxito, mas Moby Dick, sua obra-prima, jamais esgotou essa edição, e suas obras seguintes não tiveram melhor sorte.

Melville morreu esquecido, quando já havia aprendido que o êxito e o fracasso são acidentes de duvidosa importância.