Os filhos dos dias

Eduardo Galeano · Capítulo 96 de 214

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Os filhos dos dias

Capítulo 12

Neste meio-dia do ano de 1925, o conde estava lendo o jornal no hotel Crillon, em Paris, quando teve uma dessas boas ideias que permitiam que ele matasse a fome quando se cansava do pôquer.

E vendeu a torre Eiffel.

Imprimiu papéis e envelopes com o emblema da prefeitura de Paris, e com a cumplicidade de algum engenheiro amigo inventou relatórios técnicos que demonstravam que a torre estava caindo, por irreparáveis erros de construção.

O conde visitou os possíveis candidatos, um por um, e os convidou a comprar, por uma pechincha, milhares e milhares de toneladas de ferro. O assunto era secreto. Por se tratar do mais notório símbolo da nação francesa, era preciso evitar a qualquer custo o escândalo político. As vendas se realizaram em silêncio e com urgência, porque o desmoronamento da torre não ia demorar.

 

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A explicação do mistério

No dia de hoje do ano de 2010, a guerra contra o Afeganistão confessou sua razão: o Pentágono revelou que naquele país há jazidas que valem mais de um trilhão de dólares.

Não são jazidas de talibãs.

São jazidas de ouro, cobalto, cobre, ferro e sobretudo lítio, imprescindível nos telefones celulares e nos computadores portáteis.

 

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