Os filhos dos dias
Capítulo 31
Os avós das caricaturas políticas
No ano de 1517, o monge alemão Martinho Lutero cravou suas palavras de desafio na porta da igreja do castelo de Wittenberg.
Graças a uma invenção chamada prensa, essas palavras não ficaram ali. As tesis de Lutero chegaram às ruas e às praças e entraram nas casas, nas tabernas e nos templos da Alemanha e de outros lugares.
A fé protestante estava nascendo. Lutero atacava a ostentação e o esbanjamento da Igreja de Roma, a venda de entradas ao Paraíso, a hipócrita solteirice dos sacerdotes...
Não apenas por palavras eram difundidas essas heresias. Também por imagens, que chegavam a mais gente, porque poucos sabiam ler mas todos eram capazes de ver.
As gravuras que ajudavam a difundir os protestos de Lutero, obras de Lucas Cranach, Hans Holbein e outros artistas, não eram, digamos, muito amáveis: o papa aparecia como um monstruoso bezerro de ouro, ou como um burro com tetas de mulher e rabo de Diabo, ou era um gordo muito empetecado de joias que caía de cabeça nas chamas do Inferno.
Esses afiados instrumentos de propaganda religiosa, que tanto ajudaram na difusão massiva da rebelião luterana, fundaram, sem saber, as caricaturas políticas do nosso tempo.