Os filhos dos dias
Capítulo 15
Uma cerimônia de exorcismo
Nesta noite de 1950, véspera da final da Copa do Mundo, Moacir Barbosa dormiu embalado pelos anjos.
Era o homem mais amado do Brasil inteiro.
Mas, no dia seguinte, o melhor goleiro do mundo passou a ser um traidor da pátria: Barbosa não tinha sido capaz de agarrar o gol uruguaio que arrebatou do Brasil a taça do mundo.
Treze anos depois, quando o estádio do Maracanã renovou seus arcos, Barbosa levou com ele os três pedaços de madeira onde aquele gol o havia humilhado. E partiu a madeira a machadadas, e queimou tudo até tudo virar cinza.
O exorcismo não o salvou da maldição.
16
Meu querido inimigo
A camisa do Brasil era branca. E nunca mais foi branca, desde que a Copa de 50 demonstrou que essa era a cor da desgraça.
Duzentas mil estátuas de pedra no Maracanã: a final tinha acabado, o Uruguai era o campeão do mundo, e o público não se mexia.
No campo, alguns jogadores ainda perambulavam.
Os dois melhores, Obdúlio e Zizinho, se cruzaram.
Se cruzaram, se olharam.