Os filhos dos dias

Eduardo Galeano · Capítulo 213 de 214

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Os filhos dos dias

Capítulo 28

Eu só sucumbi à tentação das nuvens, as

andarilhas do céu.

 

28

 

Saudades do futuro

Oscar Niemeyer entrou no ano de 2007 com cem anos de idade e oito novas obras em execução.

O arquiteto mais ativo de todos não se cansava de transformar, projeto após projeto, a paisagem do mundo.

Seus velhos olhos não subiam ao alto céu, que nos humilhava, mas estavam sempre novos para ficar, prazerosos, contemplando a navegação das nuvens, que eram sua fonte de inspiração para as próximas criações.

Lá, na nuveria, ele descobria catedrais, jardins de flores incríveis, monstros, cavalos a galope, aves de muitas asas, mares que explodiam, espumas que voavam e mulheres que ondulavam ao vento e no vento se ofereciam e no vento iam embora.

Cada vez que os médicos o internavam no hospital, Oscar matava o aborrecimento compondo sambas, que cantava junto com os enfermeiros.

E assim esse caçador de nuvens, esse perseguidor da beleza fugitiva, deixou para trás seu primeiro século de vida, e continuou em frente.

 

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O caminho é o destino