Os filhos dos dias

Eduardo Galeano · Capítulo 199 de 214

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Os filhos dos dias

Capítulo 5

Num dia como hoje, um estudioso do assunto, José Armando Boninsegna, recebeu dos alunos de uma escola argentina a melhor explicação possível:

– Os arbustos vão à escola e aprendem a escrever. Onde escrevem? Na pança. Como escrevem? Com anéis. E isso dá para ler.

 

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A vontade de beleza

O presidente da Sociedade Espanhola de História Natural determinou, em 1886, que as pinturas da caverna de Altamira não tinham milhares de anos de idade:

– São obra de algum discípulo mediano da escola moderna atual – afirmou, confirmando as suspeitas de quase todos os especialistas.

Vinte anos mais tarde, os tais especialistas tiveram que reconhecer que estavam enganados. E assim ficou demonstrado que a vontade de beleza, como a fome, como o desejo, havia acompanhado desde sempre a aventura humana no mundo.

Muito antes disso que chamamos de Civilização, havíamos transformado em flautas os ossos das aves, havíamos perfurado os caracóis para fazer colares e havíamos criado cores misturando terra, sangue, pó de pedras e sucos de plantas, para alindar nossas cavernas e para que cada corpo fosse um quadro caminhante.

Quando os conquistadores espanhóis chegaram a Veracruz, viram que os índios huastecos andavam completamente nus, elas e eles, com os corpos pintados para agradar e se agradar: