Os filhos dos dias

Eduardo Galeano · Capítulo 162 de 214

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Os filhos dos dias

Capítulo 5

Como todos os porcos, ele não tinha alma nem razão, e havia nascido para ser comido. Mas em lugar de ser comido, comeu: foi acusado de ter almoçado um bebê.

A acusação não estava baseada em nenhuma evidência.

Na falta de provas, o porquinho passou a ser culpado quando o promotor, Jean Levoisier, formado em Direito, alcaide-mor do mosteiro de Saint Martin de Laon, revelou que a devoração tinha acontecido numa Sexta-Feira Santa.

Então, o juiz ditou a sentença. Pena capital.

 

5

 

A última viagem de Colombo

Em 1992, a República Dominicana terminou de erguer o farol mais descomunal do mundo, tão alto que suas luzes perturbavam o sono de Deus.

O farol foi erguido em homenagem a Cristóvão Colombo, o almirante que inaugurou o turismo europeu no mar do Caribe.

Nas vésperas da cerimônia, as cinzas de Colombo foram levadas da catedral de São Domingos até o mausoléu construído ao pé do farol.

Enquanto acontecia a mudança das cinzas, faleceu de morte súbita Emma Balaguer, que havia dirigido as obras, e despencou o palco onde o papa de Roma daria a bênção.

Alguns malpensantes confirmaram, assim, que Colombo dá azar.

 

6

 

As últimas viagens de Cortez