Os filhos dos dias

Eduardo Galeano · Capítulo 15 de 214

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Os filhos dos dias

Capítulo 25

E em 1937, falando diante da Palestine Royal Commission, havia oferecido uma de suas frequentes lições de história da humanidade:

Eu não admito que se tenha feito mal algum aos peles-vermelhas da América, nem aos negros da Austrália, quando uma raça mais forte, uma raça de melhor qualidade, chegou e ocupou seu lugar.

 

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O direito à picardia

O povo da Nicarágua celebra o Güegüence, e ri junto com ele.

Nesses dias, dias da sua festa, as ruas se transformam em palcos onde esse pícaro conta, canta e dança, e por sua obra e graça todos se transformam em contadores, cantadores e bailadores.

O Güegüence é o pai do teatro de rua na América Latina.

Desde o princípio dos tempos coloniais, ele vem ensinando as artes de mestre enrolador:

– Quando você não conseguir ganhar, empate. E quando não conseguir empatar, enrole.

E desde aquele então, de século em século, o Güegüence não parou de se fazer de bobo, inventador de palavras que não significam nada, mestre de diabruras que o próprio Diabo inveja, desumilhador de humilhados, brincalhão, brincante, brincadeiro.

 

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