Corações na Atlântida
Capítulo 1
Calma, Bobby. Já é o bastante, então se segure. Controle-se.
Ele sentou em sua mesa por um longo tempo com as pétalas de rosa
pressionadas contra o rosto. Finalmente, com cuidado, para não perder
nenhuma, ele as colocou de volta no pequeno envelope e dobrou a parte de
cima rasgada.
Ele está livre. Ele está. . em algum lugar. E ele se lembrou.
– Ele se lembrou de mim. – Bobby disse. – Ele se lembrou de mim.
Ele se levantou, foi até a cozinha, e pegou a chaleira. Então ele foi até o
quarto de sua mãe. Ela estava na cama, deitada lá em sua fronha com os
pés para cima, e ele viu que agora ela começara a parecer velha. Ela virou
o rosto quando o viu se sentar próximo a ela, um menino agora quase tão
grande quanto um homem, mas ela o deixou pegar sua mão. Ele a segurou,
a acariciou e esperou pela chaleira apitar. Depois de um tempo, ela se
virou para ele.
– Oh, Bobby. – ela disse. – Nós estragamos tantas coisas, você e eu. O que faremos?
– O melhor que pudermos. – ele disse, ainda acariciando sua mão. Ele a
levou até os lábios e beijou a palma, onde sua linha da vida e a linha do
coração se cruzavam brevemente antes de se apartarem novamente. – O
melhor que pudermos.
1966: Cara, nós simplesmente não conseguíamos parar de rir.
CORAÇÕES NA ATLÂNTIDA
(N.T. – O nome “Hearts” do título original (Hearts in Atlantis), refere-
se a um trocadilhoentre o substantivo, e ao nome do jogo de cartas,
“Hearts” (que nós conhecemos como “Copas”), que será proeminente
nesta história. Entretanto, na tradução se perdeu otrocadilho, e eu preferi deixar como “Corações” (assim como no título do livro