Corações na Atlântida

Stephen King · Capítulo 14 de 59

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Corações na Atlântida

Capítulo 3

jogo termina quando um dos quatro jogadores atingir cem pontos. O

vencedor é o jogador que possuir o menor placar.

Em nossas maratonas, cada um dos outros três jogadores pagaria baseado

na diferença entre seu placar e o placar do vencedor. Se, por exemplo, a diferença entre meu placar e o de Skip fosse de vinte pontos ao fim do jogo,

eu teria que lhe pagar um dólar pela aposta normal de um níquel por

ponto. Uma ninharia, você diria hoje, mas isso foi em 1966, e um dólar não

era apenas um troco para os estudantes patetas que viviam em

Chamberlain Três.

3

Eu me lembro bem de quando a epidemia de Copas começou: na primeira

semana de Outubro. Eu me lembro por causa da primeira rodada de

provas que havia acabado de terminar, e eu havia sobrevivido.

Sobrevivência era um problema real para a maioria dos rapazes em

Chamberlain Três; nós estávamos na faculdade graças a variedade de

bolsas de estudo, empréstimos (a maioria era, incluindo a minha, uma

cortesia da Ato de Defesa da Educação Nacional), e empregos educacionais.

Era como dirigir em cima de um carro de destruição feito de caixa de

sabão construída com grude, ao invés de pregos, e enquanto os nossos

preparativos variavam (a maioria de acordo com o quanto éramos

espertos quando se tratava de preencher formulários e como nossos

conselheiros escolares haviam trabalhado duro por nós), havia um fato

duro da vida. Isso estava destacado em um quadro feito de crochê

pendurado no salão do terceiro ainda, onde nossa maratona de Copas era

jogada. A mãe de Tony DeLucca que o fez, falou para ele pendurá-lo em algum lugar onde ele pudesse vê-lo todo dia, e o mandou para a faculdade

com isso. Quando o Outono de 1966 foi substituído pelo Inverno, o quadro

da Sra. DeLucca pareceu icar mais brilhante a cada vez que uma mão era

passada, a cada queda d’A Puta, a cada noite em que eu ia para cama sem

abrir meus livros, com minhas notas nunca estudadas, e meus cadernos

nunca escritos. Uma ou duas vezes eu sonhei sobre isso:

2.5.

Era isso que o quadro dizia, em grandes números vermelhos costurados. A

Sra. DeLucca entendera o que isso signi icava, e nós também. Se você

morasse em um dos dormitórios comuns (Jacklin ou Dunn, ou Pease ou

Chadbourne), você poderia assegurar sua vaga na Classe de 1970 com a

média de 1.6. . se, é claro, Papai e Mamãe continuassem a pagar as contas.

Essa faculdade era uma instituição por concessão de terras, lembre-se; não

estamos falando sobre uma Harvard ou Wellesley. Entretanto, para

estudantes que tentavam escalar através dos pacotes de bolsa e

empréstimos, 2.5 era a linha traçada na areia. Tire menos de 2.5 (caia de C

normal para C-, em outras palavras), e seu pequeno carrinho de caixa de sabão estaria quase fadado a se desmanchar. “Mantenha contato, baby, até

mais.” Como Skip Kirk costumava dizer.

Eu fui bem na primeira rodada de testes, especialmente para um rapaz

que estava doente de saudades de casa (eu nunca estive longe de casa em

minha vida, exceto por uma semana no acampamento de basquete, de

onde eu voltei com um pulso torcido e um esquisito fungo que crescia

entre meus dedos e sob meu saco). Eu tinha cinco matérias, e tirei B em tudo, exceto em Inglês. Nessa eu tirei A. Meu instrutor, que mais tarde se divorciaria de sua esposa e acabaria indo para o Sproul Plaza no campus Berkeley, escreveu “Seu exemplo de onomatopéia é brilhante”, ao lado de

uma de minhas respostas. Eu mandei o teste para casa para minha mãe e meu pai. Minha mãe retornou um cartão postal com uma única palavra,