Corações na Atlântida

Stephen King · Capítulo 45 de 59

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Corações na Atlântida

Capítulo 34

– Carambola. – ele disse. Esse era o Nate em seu melhor, carambola. – O

que há de errado com vocês.

– Vamos. – Skip disse. Sua garganta estava tão fechada que as palavras

saíram num latido. Se eu não estivesse com ele antes, acharia que ele havia

acabado de choramingar. – Não é nós, é o maldito Jones. Ele caiu. Ele

precisa. . – Skip explodiu em risos, daqueles que fazem a barriga doer, que

o dominaram novamente. Ele caiu contra a parede, rolando os olhos em

uma hilária exaustão. Ele balançou a cabeça como se tentasse negar, mas é

claro que não se pode negar um riso; quando ele chega, pega a sua cadeira

favorita e ica lá sentado o quanto quiser. Aacima de nós, as escadas

começaram a trovejas com a descida dos jogadores do terceiro andar. – Ele precisa de ajuda. – Skip terminou, enxugando os olhos.

Nate olhava com crescente espanto.

– Se ele precisa de ajuda, por que vocês estão rindo?

Eu não poderia explicar a ele. Inferno, eu não conseguia explicar nem a mim mesmo. Eu peguei Skip pelo braço e segui em frente. Começamos a

descer para o primeiro andar. Nate nos seguiu. Assim como os outros.

34

A primeira coisa que eu vi quando saímos pela porta norte foi o retângulo

amarelo da lona. Estava no chão, cheia de água onde lutuava lama por

cima. Então a água no caminho começou a molhar meus tênis e eu esqueci

tudo sobre aquela visão. Eu estava congelando. A chuva caiu em minha

pele exposta como agulhas que não eram exatamente gelo.

Na Pista de Bennett a água estava batendo no calcanhar, e meu pé saiu do

estado de frio para dormente. Skip escorregou e eu o segurei pelo braço.

Nate nos segurou por trás e nos manteve andando. A nossa frente conseguíamos ouvir o som nojento que era meio uma tosse meio sufocada.

Stoke estava deitado na água como um tronco sólido, seu casco lutuando

ao redor de seu corpo e aquelas massas de cabelo preto lutuando ao

redor de sua cara. A tosse era profunda e bronquial. Gotículas saiam de seus lábios a cada tosse sufocada. Uma de suas muletas estava próxima a ele, presa entre seu braço e o lado de seu corpo. A outra lutuava longe na

direção do Corredor de Bennett.

Água batia sobre a pálida face de Stoke. Sua tosse evoluiu para um

gargarejo estrangulado. Seus olhos virados para cima para a chuva e para

neblina. Ele não parecia ter percebido a nossa chegada, mas quando eu me

ajoelhei ao seu lado e Skip no outro, ele tentou nos bater com suas mãos. A

água caiu em sua boca e ele começou a sufocar.

Ele estava se afogando na nossa frente. Eu já não sentia mais vontade de rir, mas eu poderia estar. No começo eles estavam brincando, Carol disse.

No começo eles estavam brincando. Ligue o rádio, Pete, eu gosto das

músicas clássicas.

– Levantem-no. – Skip disse, e pegou um dos ombros de Stoke. Stoke lhe deu um tapa fraco com uma mão pálida como cera. Skip ignorou isso, acho

que nem sentiu.

– Depressa, pelo amor de Deus.

Eu peguei o outro ombro de Stoke. Ele jogou água na minha cara como se pensasse que estávamos numa merda de piscina de quintal. Eu achei que

ele estaria tão gelado quanto eu, mas não havia febre vinda de sua pele. Eu

olhei de seu corpo encharcado para Skip. Skip assentiu de volta.

– Pronto. . prepare-se. . agora. – izemos força. Stoke saiu parcialmente da água (da cintura para cima), mas isso foi tudo. Eu iquei surpreso pelo seu

peso. Sua camisa havia saído de dentro de suas calças e lutuava ao redor

de sua cintura como um tutu de bailarina. Abaixo disso eu podia ver o escuro buraco de seu umbigo. Havia cicatrizes ali também, cicatrizes

curadas expostas como fios de rosnados animados.

– Me ajude, Nate! – Skip grunhiu. – Levante-o, pelo amor de Deus! – Nate se ajoelhou, molhando a nós três, e pegou Stoke em uma espécie de abraço

ao avesso. Nós lutamos para levantá-lo e tirá-lo da poça, mas a lama nos tijolos continuava a nos desequilibrar, fazendo ser impossível para nós

trabalharmos juntos. E Stoke, embora ainda tossindo e meio afogado,

também estava trabalhando contra nós, lutando o melhor que podia para

se libertar de nós. Stoke queria voltar para a água.

Os outros chegaram, Ronnie na liderança.

– Maldito Matador. – ele bufou. Ainda ria, mas parecia ligeiramente

assustado. – Você nos ferrou dessa vez, Matador. Sem dúvida.

– Não ique apenas aí, seu babaca! – Skip gritou. – Nos ajude! – Ronnie pausou por um momento, não com raiva, apenas imaginando o que seria

melhor fazer, então se virou para ver quem mais ao seu lado. Eles estavam

juntos na Trilha afundada, todos os meus colegas de jogo do salão do

terceiro andar, e a maioria deles continuavam a não parar de rir. Eles pareciam algo, mas eu não sabia o quê. Eu poderia nunca ter sabido, se não

fosse pelo presente de Natal de Carol. . mas é claro que isso aconteceu mais

tarde.

– Você, Tony. – Ronnie disse. – Brad, Lennie, Barry. Vamos pegar as pernas

dele.

– E quanto a mim, Ronnie? – Nick perguntou. – E quanto a mim?

– Você é pequeno demais para ajudar a levantá-lo. – Ronnie disse. – Mas pode animá-lo mais tarde com um boquete.

Nick se afastou.

Ronnie, Tony, Brad, Lennie, e Barry Margeaux passaram para o outro lado.

Ronnie e Tony pegaram Stoke pelas pernas.

– Jesus Cristo! – Tony gritou, enojando e ainda meio rindo. – Não tem nada

nelas! São as pernas de um espantalho.

– Pernas de espantalho, pernas de espantalho! – Ronnie gritou irritado,

imitando-o. – Pegue a porra da perna dele logo, seu paspalho, isso não é apreciação de arte. Lennie e Barry, peguem o rabo dele quando ele

levantar. Então vocês vêm. .

– . .quando o resto de vocês levantarem-no. – Lennie terminou. – Entendi, e

não me chame de paspalho.

– Deixem-me em paz. – Stoke tossiu. – Parem, saiam de perto de mim. .

perdedores de merda. . – ele teve um novo acesso de tosse. Ele começou a

fazer nojentos sons como se fosse vomitar. À luz da lamparina seus lábios

pareciam cinza e pegajosos.

– Olhem que está falando sobre ser um perdedor. – Ronnie disse. – Maldita

bicha aleijada de merda quase se afogou. – ele olhou para Skip, a água correndo por seu cabelo rebelde e sob seu rosto coberto de espinhas. –

Faça a contagem, Kirk.

– Um. . dois. . três. . agora!

Nós levantamos. Stoke Jones saiu da água como um navio resgatado. Nós

cambaleamos para frente e para trás com ele. Um de seus braços caiu na minha frente; e icou lá por um momento, e então a mão ligada a ele voou e

me acertou um tapa na cara.

Paf! Eu comecei a rir de novo.

– Ponham-me no chão! Filhos da puta, ponham-me no CHÃO!

Cambaleamos, dançando na lama, a água gotejando nele, a água gotejando

em nós.

– Echolls! – Ronnie berrou. – Marchant! Brennan! Jesus Cristo, que me dizem de uma ajudinha aqui, seus desmiolados?