Corações na Atlântida
Capítulo 17
penso até hoje.
– Copas? Caça à Puta?
– Copas. – eu concordei. – Caça à Puta.
– Eu ouvi dizer que alguns de vocês estavam deixando isso subir a cabeça.
Tendo problemas com as notas.
– Pode ser que sim. – eu disse. Nada descia pela esteira, exceto uma única
travessa. Nunca havia hora do rush quando você precisava de uma, eu
percebi isso.
– E como estão as suas notas? – ela perguntou. – Eu sei que não é da minha
conta, mas eu quero. .
– Informação, é, eu sei. Estou bem. Além disso, estou pulando fora do jogo.
Ela apenas me deu o sorriso, e com certeza ainda penso nele às vezes; você
também pensaria. As covinhas, a leve curva no lábio inferior que sabia tantas coisas sobre beijar, os olhos dançantes azuis. Aqueles eram dias
quando nenhuma garota via mais além, nos dormitórios masculinos, do que
a entrada. . e vice-versa., é claro. Ainda assim, eu tinha a impressão de que
por um tempo em Outubro e Novembro de 1966
Carol viu mais, muito mais do que eu. Mas é claro, ela não era maluca. . ao
menos não naquela época. A guerra no Vietnã se tornou sua insanidade. A
minha também. E a de Skip. E a de Nate. Copas não era nada, sério, apenas
alguns tremores na terra daquele tipo que arranca as portas de suas
dobradiças e bagunçam os copos dentro dos armários.
O terremoto assassino, o afogador de continentes apocalíptico, ainda estava
a caminho.
17
Barry Margeaux e Brad Whiterspoon receberam suas edições do Derry
News em seus quartos, e as duas cópias acabaram indo parar no terceiro
andar (nós encontramos o que restou no salão quando nos sentamos para
nossa seção matinal de Copas, as páginas estavam rasgadas e fora de
ordem, as palavras cruzadas feitas por três ou quatro mãos diferentes).
Havia bigodes pintados nas fotos de Lyndon Johnson e Ramsey Clark e
Martin Luther King (alguém, nunca descobri quem, iria invariavelmente
botar enormes chifres no Vice-Presidente Humphrey e escrever HUBERT
O DIABO em pequenas letras maiúsculas). O jornal só falava da guerra,
destacando os eventos militares do dia e escondendo qualquer notícia
sobre protestos. . normalmente sob o Calendário da Comunidade.
Mais e mais nos pegávamos não falando sobre ilmes, garotas, aulas, ou
cartas que embaralhávamos e jogávamos; mais e mais era sobre o Vietnã.
Não importa como as notícias eram boas, ou como crescia a contagem de
corpos em Gong, sempre parecia haver ao menos uma foto de um soldado
americano agonizante após uma emboscada ou crianças vietnamitas
chorando enquanto sua vila se reduzia a cinzas. Havia sempre um detalhe
perturbador no fundo que Skip chamava de “a coluna assassina do dia”, como a coisa sobre as crianças que foram mortas quando atingimos os
barcos de patrulha dos vietcongues no Delta.
Nate, é claro, não jogava cartas. Ele não iria debater os prós e contras da guerra, tampouco (eu duvidava que ele soubesse, mais do que eu, que o
Vietnã havia estado sob a França, ou o que tinha acontecido aos
azarados monsieurs que haviam estado na cidade-fortaleza de Dien Bien Phu em 1954, deixa pra lá quem deve ter decidido que era hora do
Presidente Diem ir para o seu aconchegante lugar no céu, para que
Nguyen Cao Kye e os generais pudessem governar. Nate apenas sabia que ele não tinha qualquer problema com vietcongues, que eles não estariam