Corações na Atlântida

Stephen King · Capítulo 28 de 59

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Corações na Atlântida

Capítulo 17

penso até hoje.

– Copas? Caça à Puta?

– Copas. – eu concordei. – Caça à Puta.

– Eu ouvi dizer que alguns de vocês estavam deixando isso subir a cabeça.

Tendo problemas com as notas.

– Pode ser que sim. – eu disse. Nada descia pela esteira, exceto uma única

travessa. Nunca havia hora do rush quando você precisava de uma, eu

percebi isso.

– E como estão as suas notas? – ela perguntou. – Eu sei que não é da minha

conta, mas eu quero. .

– Informação, é, eu sei. Estou bem. Além disso, estou pulando fora do jogo.

Ela apenas me deu o sorriso, e com certeza ainda penso nele às vezes; você

também pensaria. As covinhas, a leve curva no lábio inferior que sabia tantas coisas sobre beijar, os olhos dançantes azuis. Aqueles eram dias

quando nenhuma garota via mais além, nos dormitórios masculinos, do que

a entrada. . e vice-versa., é claro. Ainda assim, eu tinha a impressão de que

por um tempo em Outubro e Novembro de 1966

Carol viu mais, muito mais do que eu. Mas é claro, ela não era maluca. . ao

menos não naquela época. A guerra no Vietnã se tornou sua insanidade. A

minha também. E a de Skip. E a de Nate. Copas não era nada, sério, apenas

alguns tremores na terra daquele tipo que arranca as portas de suas

dobradiças e bagunçam os copos dentro dos armários.

O terremoto assassino, o afogador de continentes apocalíptico, ainda estava

a caminho.

17

Barry Margeaux e Brad Whiterspoon receberam suas edições do Derry

News em seus quartos, e as duas cópias acabaram indo parar no terceiro

andar (nós encontramos o que restou no salão quando nos sentamos para

nossa seção matinal de Copas, as páginas estavam rasgadas e fora de

ordem, as palavras cruzadas feitas por três ou quatro mãos diferentes).

Havia bigodes pintados nas fotos de Lyndon Johnson e Ramsey Clark e

Martin Luther King (alguém, nunca descobri quem, iria invariavelmente

botar enormes chifres no Vice-Presidente Humphrey e escrever HUBERT

O DIABO em pequenas letras maiúsculas). O jornal só falava da guerra,

destacando os eventos militares do dia e escondendo qualquer notícia

sobre protestos. . normalmente sob o Calendário da Comunidade.

Mais e mais nos pegávamos não falando sobre ilmes, garotas, aulas, ou

cartas que embaralhávamos e jogávamos; mais e mais era sobre o Vietnã.

Não importa como as notícias eram boas, ou como crescia a contagem de

corpos em Gong, sempre parecia haver ao menos uma foto de um soldado

americano agonizante após uma emboscada ou crianças vietnamitas

chorando enquanto sua vila se reduzia a cinzas. Havia sempre um detalhe

perturbador no fundo que Skip chamava de “a coluna assassina do dia”, como a coisa sobre as crianças que foram mortas quando atingimos os

barcos de patrulha dos vietcongues no Delta.

Nate, é claro, não jogava cartas. Ele não iria debater os prós e contras da guerra, tampouco (eu duvidava que ele soubesse, mais do que eu, que o

Vietnã havia estado sob a França, ou o que tinha acontecido aos

azarados monsieurs que haviam estado na cidade-fortaleza de Dien Bien Phu em 1954, deixa pra lá quem deve ter decidido que era hora do

Presidente Diem ir para o seu aconchegante lugar no céu, para que

Nguyen Cao Kye e os generais pudessem governar. Nate apenas sabia que ele não tinha qualquer problema com vietcongues, que eles não estariam