Corações na Atlântida

Stephen King · Capítulo 27 de 59

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Corações na Atlântida

Capítulo 16

à idéia de que poderíamos vadiar e então nos recuperar, vadiar e nos

recuperar, que foi o modo pela qual a maioria de nós passamos pelo

colegial de nossas cidades natais. Mas como Dearie Dearborn havia

apontado, isto não era colégio.

Eu te disse que dos trinta e dois estudantes que começaram o semestre de

Outono em nosso andar do Chamberlain (trinta e três, se você também

contar Dearie. .

mas ele era imune aos charmes de Copas), apenas quinze continuaram

quando a Primavera chegou. Isso não signi ica que os dezenove que

abandonaram eram idiotas; não mesmo. Na verdade, os rapazes mais

inteligentes no Chamberlain Três no Outono de 1966, provavelmente eram

os mesmos que foram transferidos antes que a reprovação fosse uma

possibilidade real. Steve Ogg e Jack Frady, cujo quarto icava acima do meu

e de Nate, foram para Chadbourne na primeira semana de Novembro,

dizendo que “distração” havia sido a razão de suas candidaturas. Quando o

Diretor das Casas perguntou que tipo de distrações, eles disseram que

eram as usuais discussões que levavam a noite inteira, emboscadas de

pasta de dente na cabeça, abrasivas relações com uma dupla de caras.

Como um pós-pensamento, os dois adicionaram que provavelmente

estavam jogando cortas por tempo demais no salão. Eles haviam ouvido

dizer que Chad tinha um ambiente tranqüilo, um dos dois ou três

“dormitórios de cérebros” do campus.

A pergunta do Diretor das Casas foi antecipada, a resposta

cuidadosamente liberada como uma apresentação oral em um seminário.

Nem Steve ou Jack queriam que os jogos de Copas terminassem; isso pode

causar a eles todo o tipo de mágoa de pessoas que acreditam que as outras

deveriam cuidar de seus próprios assuntos. Tudo o que queriam eram dar

o fora de Chamberlain Três enquanto ainda havia tempo de salvar suas

bolsas escolares.

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As más notas e inúteis trabalhos não foram nada, exceto provas

desagradáveis.

Para Skip, eu, e nossos amigos jogadores de Copas, nossa segunda rodada de preliminares foi um completo desastre. Eu ganhei um A- em Inglês e um

D em História Européia, mas me ferrei nos testes de múltipla escolha de Sociologia e Geologia (sócio só um pouco, e geo muito). Skip se ferrara nas

preliminares de Antropologia, História Colonial, e Sociologia. Ele recebeu

um C no teste de Cálculos (mas o gelo estava icando cada vez mais ino nessa também, ele me disse) e B em sua redação. Nós concordamos que a

vida seria mais simples se só houvesse Redação, fazer pesquisar, que

necessariamente nos mandava para bem longe do terceiro andar. Em

outras palavras, estávamos desejando pelo colégio, mesmo sem perceber

isso.

– Certo, já basta. – Skip disse para mim naquela noite de Sexta-Feira. Eu estou no limite, Peter. Eu não dou a mínima em ser um cara na faculdade ou ter um diploma para pendurar na parede do quarto, mas eu estarei

fodido se quiser voltar para Dexter e ter que jogar boliche com o resto dos

retardados até que o Tio Sam me chame.

Ele estava sentado na cama de Nate. Nate estava no Palácio das Planícies, comendo seu peixe de sempre das noites de sexta. Era bom saber que

alguém em Chamberlain Três tinha algum apetite. Esta era uma conversa

que não poderíamos ter com Nate por perto; o rato que era meu colega de quarto achava que havia se saído bem nas preliminares, C’s e B’s. Ele não

teria dito nada se nos ouvisse falando, mas nos olharia de um modo que nos faria nos sentir covardes. À isso, embora poderia não ser nossa culpa,

estávamos moralmente enfraquecidos.

– Estou com você. – eu disse, e então do salão veio um choro agonizado (“Oooooohh. . PUTA MERDA!”) que eu reconheci instantaneamente: alguém

havia tirado A Puta. Nossos olhos se cruzaram. Eu não posso dizer quanto a

Skip, não tenho certeza (mesmo ele sendo meu melhor amigo na

faculdade), mas eu estava pensando que havia tempo. . e por que eu não

pensaria nisto? Para mim sempre havia.

Skip começou a sorrir. Eu comecei a sorrir. Skip começou a rir. Eu comecei

a rir com ele.

– Mas que porra. – ele disse.

– Só por hoje. – eu disse. – Vamos juntos para a biblioteca amanhã.

– Meter a cara nos estudos.

– O dia todo. Mas agora. .

Ele se levantou.

– Vamos caçar A Puta.

E nós fomos. E não fomos os únicos. Não havia explicação, eu sei;

simplesmente aconteceu.

No café-da-manhã do dia seguinte, enquanto trabalhávamos lado a lado na

cozinha, Carol disse:

– Eu ouvi dizer que há um tipo de grande competição de cartas

acontecendo no seu dormitório. É verdade?

– Acho que sim. – eu disse.

Ela olhou para mim por sobre o ombro, me dando aquele sorriso, aquele em que eu sempre pensava quando pensava sobre Carol. Aquele em que