Corações na Atlântida
Capítulo 16
à idéia de que poderíamos vadiar e então nos recuperar, vadiar e nos
recuperar, que foi o modo pela qual a maioria de nós passamos pelo
colegial de nossas cidades natais. Mas como Dearie Dearborn havia
apontado, isto não era colégio.
Eu te disse que dos trinta e dois estudantes que começaram o semestre de
Outono em nosso andar do Chamberlain (trinta e três, se você também
contar Dearie. .
mas ele era imune aos charmes de Copas), apenas quinze continuaram
quando a Primavera chegou. Isso não signi ica que os dezenove que
abandonaram eram idiotas; não mesmo. Na verdade, os rapazes mais
inteligentes no Chamberlain Três no Outono de 1966, provavelmente eram
os mesmos que foram transferidos antes que a reprovação fosse uma
possibilidade real. Steve Ogg e Jack Frady, cujo quarto icava acima do meu
e de Nate, foram para Chadbourne na primeira semana de Novembro,
dizendo que “distração” havia sido a razão de suas candidaturas. Quando o
Diretor das Casas perguntou que tipo de distrações, eles disseram que
eram as usuais discussões que levavam a noite inteira, emboscadas de
pasta de dente na cabeça, abrasivas relações com uma dupla de caras.
Como um pós-pensamento, os dois adicionaram que provavelmente
estavam jogando cortas por tempo demais no salão. Eles haviam ouvido
dizer que Chad tinha um ambiente tranqüilo, um dos dois ou três
“dormitórios de cérebros” do campus.
A pergunta do Diretor das Casas foi antecipada, a resposta
cuidadosamente liberada como uma apresentação oral em um seminário.
Nem Steve ou Jack queriam que os jogos de Copas terminassem; isso pode
causar a eles todo o tipo de mágoa de pessoas que acreditam que as outras
deveriam cuidar de seus próprios assuntos. Tudo o que queriam eram dar
o fora de Chamberlain Três enquanto ainda havia tempo de salvar suas
bolsas escolares.
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As más notas e inúteis trabalhos não foram nada, exceto provas
desagradáveis.
Para Skip, eu, e nossos amigos jogadores de Copas, nossa segunda rodada de preliminares foi um completo desastre. Eu ganhei um A- em Inglês e um
D em História Européia, mas me ferrei nos testes de múltipla escolha de Sociologia e Geologia (sócio só um pouco, e geo muito). Skip se ferrara nas
preliminares de Antropologia, História Colonial, e Sociologia. Ele recebeu
um C no teste de Cálculos (mas o gelo estava icando cada vez mais ino nessa também, ele me disse) e B em sua redação. Nós concordamos que a
vida seria mais simples se só houvesse Redação, fazer pesquisar, que
necessariamente nos mandava para bem longe do terceiro andar. Em
outras palavras, estávamos desejando pelo colégio, mesmo sem perceber
isso.
– Certo, já basta. – Skip disse para mim naquela noite de Sexta-Feira. Eu estou no limite, Peter. Eu não dou a mínima em ser um cara na faculdade ou ter um diploma para pendurar na parede do quarto, mas eu estarei
fodido se quiser voltar para Dexter e ter que jogar boliche com o resto dos
retardados até que o Tio Sam me chame.
Ele estava sentado na cama de Nate. Nate estava no Palácio das Planícies, comendo seu peixe de sempre das noites de sexta. Era bom saber que
alguém em Chamberlain Três tinha algum apetite. Esta era uma conversa
que não poderíamos ter com Nate por perto; o rato que era meu colega de quarto achava que havia se saído bem nas preliminares, C’s e B’s. Ele não
teria dito nada se nos ouvisse falando, mas nos olharia de um modo que nos faria nos sentir covardes. À isso, embora poderia não ser nossa culpa,
estávamos moralmente enfraquecidos.
– Estou com você. – eu disse, e então do salão veio um choro agonizado (“Oooooohh. . PUTA MERDA!”) que eu reconheci instantaneamente: alguém
havia tirado A Puta. Nossos olhos se cruzaram. Eu não posso dizer quanto a
Skip, não tenho certeza (mesmo ele sendo meu melhor amigo na
faculdade), mas eu estava pensando que havia tempo. . e por que eu não
pensaria nisto? Para mim sempre havia.
Skip começou a sorrir. Eu comecei a sorrir. Skip começou a rir. Eu comecei
a rir com ele.
– Mas que porra. – ele disse.
– Só por hoje. – eu disse. – Vamos juntos para a biblioteca amanhã.
– Meter a cara nos estudos.
– O dia todo. Mas agora. .
Ele se levantou.
– Vamos caçar A Puta.
E nós fomos. E não fomos os únicos. Não havia explicação, eu sei;
simplesmente aconteceu.
No café-da-manhã do dia seguinte, enquanto trabalhávamos lado a lado na
cozinha, Carol disse:
– Eu ouvi dizer que há um tipo de grande competição de cartas
acontecendo no seu dormitório. É verdade?
– Acho que sim. – eu disse.
Ela olhou para mim por sobre o ombro, me dando aquele sorriso, aquele em que eu sempre pensava quando pensava sobre Carol. Aquele em que