Corações na Atlântida

Stephen King · Capítulo 41 de 59

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Corações na Atlântida

Capítulo 30

Mark levantou o braço, com força.

– Sai de perto de mim, porra. Essa camisa é nova, Malenfant, eu não quero

que você a manche com pus de espinha.

Antes que a cara de Ronnie se iluminasse de surpresa e ele começasse a cacarejar de tanto rir, eu percebi um momento de dor desesperada ali. Isso

me deixou imobilizado. Os problemas de Ronnie podem ser genuínos, mas

eles não facilitam nem um pouco para tentarem gostar dele. Para mim ele

era só um idiota que sabia jogar cartas.

– Vamos. – eu disse para Billy Marchant. – Rápido com estas cartas. Eu quero estudar um pouco mais tarde. – mas é claro que nenhum estudo foi

feito por qualquer um de nós naquela noite. Ao invés de se apagar no

feriado, a febre estava mais forte e mais quente do que nunca.

Eu desci o corredor por volta das dez e meia para pegar um maço de

cigarros e sabia que Nate estava de volta mesmo enquanto estava a seis

dormitórios de distância.

“Love Grows (Where My Rosemary Goes)” saia do quarto que Nick Prouty

dividia com Barry Margeaux, mas um pouco depois eu podia ouvir Phil Ochs cantando “The Draft Dodger Rag”.

Nate estava no fundo de seu armário, pendurando suas roupas. Não só era

ele a única pessoa que eu conhecia que usava pijamas na faculdade, como

também a única a usar cabides. A única coisa que eu mesmo havia

pendurado era minha jaqueta escolar.

Agora eu a peguei e comecei a remexer nos bolsos à procura dos cigarros.

– Ei, Nate, como vai? Conseguiu molho de oxicoco o su iciente para te

prender?

– Eu. . – ele começou, então viu as costas de minha jaqueta e estourou em risadas.

– O que foi? – eu perguntei. – Isso é tão engraçado assim?

– De certo modo. – ele disse, e se inclinou ainda mais no armário. – Olhe. –

ele reapareceu com um velho casaco da Marinha nas mãos. Ele o virou

para que eu pudesse ver as costas. Nela, mais elegante que o meu trabalho

à mão, estava uma pegada de passarinho. Nate havia feito o seu com uma

fita adesiva prateada brilhante. Desta vez ambos rimos.

– Cal e Hal, eles pensam igual. – eu disse.

– Besteira. Grandes mentes estão sintonizadas nos mesmo canal.

– É isso que significa?

– Bem. . é o que eu gosto de pensar. Isto signi ica que você mudou de idéia

quanto à guerra, Pete?

– Que idéia? – eu perguntei.

30

Andy White e Ashley Rice nunca voltaram para a faculdade (oito fora, agora).

Para o resto de nós havia uma óbvia mudança para a pior nos três dias que antecederam a primeira tempestade de inverno. Óbvio para qualquer

outra pessoa. Se você estava dentro da coisa, queimando de febre, tudo

parecia apenas um ou dois passos normais ao norte.

Antes do feriado de Ação de Graças, os quartetos de carta no salão tinham

uma tendência a se quebrar e se reformar durante as semanas escolares;

às vezes eles morriam todos juntos enquanto os rapazes estavam na aula.

Agora os grupos se tornavam quase estáticos, as únicas mudanças

ocorriam quando alguém cambaleava para a cama para escapar das

habilidades de Ronnie e a matraca constante. Esta mudança havia

acontecido porque a maioria dos jogadores do terceiro andar não havia

retornado para continuar os estudos; Barry, Nick, Mark, Harvey, e eu não sei quantos outros mais havia desistido de se formar. Eles haviam