Corações na Atlântida

Stephen King · Capítulo 26 de 59

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Corações na Atlântida

Capítulo 15

– Não estou, embora, seja esse o motivo. – o corredor estava escuro e

sufocado pelas sombras; chovia lá fora. Ainda assim, acho que vi as

bochechas de Frank corar. Eu acho que ele estava com vergonha. Eu acho

que foi por isso que ele se arrumou para sair no meio de um dia de

semana, quando os dormitórios estavam vazios. – Eu não estou fazendo

nada, a não ser jogar cartas. E nem muito bem, tampouco. Estou com notas

baixas em todas as matérias.

– Você não pode estar tão ferrado assim. É só 25 de Outubro.

Frank assentiu.

– Eu sei. Mas não sou rápido como alguns. Não era na escola, tampouco. Eu

tenho que me conformar e me levantar, como um pescador no gelo. Eu não

estivesse fazendo isso, e se você não tem um buraco no gelo, não pode

pegar nenhum peixe. Vou embora, Pete. Vou sair antes que me queimem

em Janeiro.

Ele seguiu em frente, descendo pesarosamente o primeiro dos três lances

de escada com sua mala segura a sua frente pelas alças. Sua camisa branca

lutuava na escuridão; quando ele passou por uma janela em que escorria

chuva, seu cabelo brilhou como ouro.

Quando ele chegou ao segundo andar, e suas pegadas começaram a ecoar,

eu corri para as escadarias e olhei para baixo.

– Frankie! Ei, Frank!

As pegadas pararam. Nas sombras eu podia ver seu rosto redondo olhando para mim e a escuridão fazendo a forma de sua mala.

– Frank, e quanto ao cardume? Se você largar a escola, o cardume

morrerá!

Uma longa pausa, como se ele estivesse pensando em responder. Ele nunca o fez, não com a boca. Ele respondeu com os pés. Os ecos continuaram. Eu

nunca mais vi Frank outra vez.

Eu me lembro de icar parado nas escadarias, com medo, pensando Isso

poderia

acontecer

comigo. .

talvez

esteja

acontecendo

comigo,

então empurrando o pensamento para longe.

Ver Frank com sua mala foi um aviso, eu decidi, e eu daria atenção a ele.

Eu iria melhorar. Eu estivera me desviando, e era hora de voltar para a estrada. Mas do fundo do corredor eu podia ouvir Ronnie berrando com

alegria que ele estava caçando a Puta, que ele falava sério ao dizer que iria

arrastar a vadia do lugar onde estava escondida, e eu decidi que era

melhor eu começar hoje a noite. Hoje a noite seria o tempo su iciente para

endireitar os pneus na estrada correta. Nesta tarde eu faria meu jogo de despedida de Copas. Ou dois. Ou quarenta.

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Levou anos para que eu isolasse a parte principal de minha conversa inal

com Frank Stuart. Eu havia lhe dito que ele não poderia estar tão ferrado, e

ele havia respondido que isso havia acontecido porque ele não conseguia

aprender rápido. Ambos estávamos errados. Era possível se ferrar

catastro icamente em um curto período de tempo, e aconteceu aos

estudantes que aprendiam rápido como eu, Skip e Mark St. Pierre, como também aos outros. Atrás de nossas mentes nós devemos ter nos segurado