Corações na Atlântida
Capítulo 15
– Não estou, embora, seja esse o motivo. – o corredor estava escuro e
sufocado pelas sombras; chovia lá fora. Ainda assim, acho que vi as
bochechas de Frank corar. Eu acho que ele estava com vergonha. Eu acho
que foi por isso que ele se arrumou para sair no meio de um dia de
semana, quando os dormitórios estavam vazios. – Eu não estou fazendo
nada, a não ser jogar cartas. E nem muito bem, tampouco. Estou com notas
baixas em todas as matérias.
– Você não pode estar tão ferrado assim. É só 25 de Outubro.
Frank assentiu.
– Eu sei. Mas não sou rápido como alguns. Não era na escola, tampouco. Eu
tenho que me conformar e me levantar, como um pescador no gelo. Eu não
estivesse fazendo isso, e se você não tem um buraco no gelo, não pode
pegar nenhum peixe. Vou embora, Pete. Vou sair antes que me queimem
em Janeiro.
Ele seguiu em frente, descendo pesarosamente o primeiro dos três lances
de escada com sua mala segura a sua frente pelas alças. Sua camisa branca
lutuava na escuridão; quando ele passou por uma janela em que escorria
chuva, seu cabelo brilhou como ouro.
Quando ele chegou ao segundo andar, e suas pegadas começaram a ecoar,
eu corri para as escadarias e olhei para baixo.
– Frankie! Ei, Frank!
As pegadas pararam. Nas sombras eu podia ver seu rosto redondo olhando para mim e a escuridão fazendo a forma de sua mala.
– Frank, e quanto ao cardume? Se você largar a escola, o cardume
morrerá!
Uma longa pausa, como se ele estivesse pensando em responder. Ele nunca o fez, não com a boca. Ele respondeu com os pés. Os ecos continuaram. Eu
nunca mais vi Frank outra vez.
Eu me lembro de icar parado nas escadarias, com medo, pensando Isso
poderia
acontecer
comigo. .
talvez
esteja
acontecendo
comigo,
então empurrando o pensamento para longe.
Ver Frank com sua mala foi um aviso, eu decidi, e eu daria atenção a ele.
Eu iria melhorar. Eu estivera me desviando, e era hora de voltar para a estrada. Mas do fundo do corredor eu podia ouvir Ronnie berrando com
alegria que ele estava caçando a Puta, que ele falava sério ao dizer que iria
arrastar a vadia do lugar onde estava escondida, e eu decidi que era
melhor eu começar hoje a noite. Hoje a noite seria o tempo su iciente para
endireitar os pneus na estrada correta. Nesta tarde eu faria meu jogo de despedida de Copas. Ou dois. Ou quarenta.
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Levou anos para que eu isolasse a parte principal de minha conversa inal
com Frank Stuart. Eu havia lhe dito que ele não poderia estar tão ferrado, e
ele havia respondido que isso havia acontecido porque ele não conseguia
aprender rápido. Ambos estávamos errados. Era possível se ferrar
catastro icamente em um curto período de tempo, e aconteceu aos
estudantes que aprendiam rápido como eu, Skip e Mark St. Pierre, como também aos outros. Atrás de nossas mentes nós devemos ter nos segurado