Corações na Atlântida

Stephen King · Capítulo 25 de 59

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Corações na Atlântida

Capítulo 14

Eu tinha dois capítulos de geologia para ler, dois de sociologia, quarenta páginas de história (a Idade Média de uma vez só), mais algumas questões

para responder sobre rotas comerciais.

Eu vou chegar lá, não se preocupe, eu vou chegar lá, eu disse à voz.

Domingo é meu dia de estudo. Você pode contar com isso, você pode anotar. E por um tempo no Domingo eu realmente li sobre os grupos, os

excluídos, e as sanções dos grupos. Entre as mãos de cartas eu li sobre eles. Então as coisas icaram interessantes, e meu livro de sociologia

acabou no chão sob o sofá. Indo para a cama na noite de Domingo (bem

tarde da noite), ocorreu a mim que não só tive meus ganhos diminuídos, ao

invés de crescidos (Ronnie agora parecia estar me caçando), mas eu

também não havia ido muito longe com meus estudos. Eu também não iz

uma certa ligação.

Se você quer realmente pôr sua mão aí , Carol disse, e ela estava sorrindo aquele pequeno sorriso engraçado, enquanto falava, aquele sorriso que

era mais covinhas e um olhar nos olhos. Se você quer realmente pôr sua mão aí.

À meio caminho andado na noite de dança, ela e eu saímos para fumar. Era

uma noite calma, e ao norte dos tijolos de Lengyll talvez vinte casais

estavam se abraçando e se beijando à luz da lua crescente acima do

Chadbourne Hall. Carol e eu nos juntamos a eles. Não tardou para que eu

colocasse minha não dentro de seu suéter. Eu esfreguei meu dedão sobre o

algodão macio de seu sutiã, sentindo seus mamilos enrijecerem.

Minha temperatura também estava subindo. Eu podia sentir a dela

subindo também. Ela olhou na minha cara, com os braços ainda em volta

do meu pescoço, e disse:

– Se você quer realmente pôr sua mão aí, eu acho que você deve fazer uma ligação para uma pessoa, não deve?

Ainda há tempo, eu disse a mim mesmo enquanto caia no sono. Há muito tempo para estudar, muito tempo para fazer ligações. Muito tempo.

14

Skip se ferrou no teste de Antropologia (acabou chutando metade das

questões e tirando 5,8. Ele ganhou um C- no teste de Cálculos Avançados, e apenas conseguiu isso porque seu último cursinho de matemática no

colégio havia coberto alguns dos mesmos conceitos. Estávamos no mesmo

cursinho de Sociologia e ele tirou um D- no teste, tirando um patético 1,7.

Nós éramos os únicos com problemas. Ronnie era um vencedor em Copas,

e seria capaz de ganhar cinqüenta pratas em dez dias de jogo, se você

acreditasse nele (ninguém o fazia completamente, embora soubéssemos

que ele estava ganhando), mas um perdedor nas aulas. Ele levou bomba no

teste de Francês, e no pequeno trabalho e Inglês que compartilhamos

(“Não tô nem aí pra essas merdas de gravatas, eu como no McDonald’s”,

ele disse), e se saiu bem em um teste de história colando algumas notas de

um admirador bem antes da aula.

Kirby McClendon havia parado de se barbear e começou roer as unhas

entre os jogos. Ele também começou a gazear um signi icante número de

aulas. Jack Frady convenceu seu conselheiro a deixá-lo largar Estatísticas, embora eu pensasse que esse negócio de adicionar ou abandonar matérias

já tivesse terminado. “Eu chorei um pouco”, ele me disse uma noite no

salão enquanto caçávamos a Puta noite adentro. “É algo que eu aprendi no

Clube de Teatro”. Lennie Doria apareceu na minha porta algumas noites

depois enquanto eu estava arrumando o quarto (Nate estivera estudando

por uma hora ou mais, e agora dormia o sono dos justos e dos esforçados)

e me perguntou se eu tinha algum interesse em escrever um trabalho sobre um cara chamado Crispus Attucks. Ele ouviu que eu poderia fazer

coisas desse tipo. Ele pagaria um preço justo, Lennie disse; ele atualmente

tinha dez dólares do jogo. Eu disse que sentia muito, mas não poderia

ajudá-lo. Eu mesmo tinha trabalho para fazer. Lennie assentiu e se

mandou.

Ashley Rice explodiu em horríveis acnes por todo o rosto, Mark St. Pierre um interlúdio de sonambulismo depois de perder quase vinte pratas em

uma noite catastró ica, e Brad Whitherspoon entrou uma briga com um

cara no primeiro andar. O cara fez uma piada inofensiva (mais tarde o

próprio Brad admitiu que foi inofensiva), mas Brad, que acabara de ser

atingido pela Puta três vezes em quatro mãos queria apenas uma Coca-

Cola da máquina do primeiro andar para molhar sua garganta seca como

bunda, não estava com um humor inofensivos. Ele se virou, largou seu

refrigerante ainda fechados no balcão onde estava um cinzeiro, e começou

a socar.

Quebrou os óculos do garoto, juntamente com um de seus dentes. Então

Brad Whiterspoon, ordinariamente tão perigoso quanto um mimeógrafo de

biblioteca, foi o primeiro de nós a levar uma punição disciplinar.

Eu pensei em ligar para Annmarie e dizer a ela que eu havia conhecido

alguém e estava namorando, mas pareceu dar muito trabalho, muito

esforço ísico, no topo de todas as coisas. Eu esperei que ela me mandasse

uma carta dizendo que já era hora de começarmos a ver outras pessoas.

Ao invés disso recebi uma em que ela dizia o quanto sentia saudades de mim, e que ela estava fazendo “algo especial” para mim no Natal. O que provavelmente signi icava um suéter, um com uma rena bordada nele.

Suéteres de renas eram a especialidade de Annmarie (aquelas lentas e

gostosas punhetas eram outra). Ela mandou uma foto dela mesma com uma saia pequena. Olhar para ela não me fez icar com tesão, mas me fez icar cansado, com sentimento de culpa e com a sensação de que eu estava

enrolando para resolver o assunto. Carol também me fez sentir como se

estivesse enrolando. Eu só queria manter uma sensação, não mudar a

porra da minha vida inteira. Ou a dela, se importar. Mas eu gostava dela, isso era verdade. Muito. Aquele sorriso dela, e sua inteligência a iada. Isto está icando bo m, ela havia dito, estamos trocando informações como loucos.

Uma semana, mais ou menos, depois, eu voltei de Holyoke, onde eu havia

trabalhado com ela no almoço, e vi Frank Stuart andando lentamente pelo

corredor do terceiro andar com sua mala pendendo em suas mãos. Frank

era do lado Oeste do Maine, uma daquelas cidades que não são

incorporadas, que são feitas praticamente de árvores, e tinha um sotaque

ianque tão grosso que você poderia reparti-lo ao meio. Ele era um jogador

de Copas razoável, normalmente terminando em segundo ou terceiro

quando alguém extrapolava a marca dos cem pontos, mas era um cara

muito legal. Ele sempre tinha um sorriso na cara. . ou pelo menos até a tarde em que eu me encontrei com ele no caminho das escadarias com sua

mala.

– Está se mudando de quarto, Frank? – eu perguntei, mas ali mesmo eu

soube.

Estava grudado em seu rosto, sério, pálido e deprimido.

Ele balançou a cabeça.

– Estou voltando para casa. Recebi uma carta de minha mãe. Ela diz que precisam de alguém para tomar conta de um daqueles grandes refúgios de

lago que temos perto de casa. Eu disse que sim. Só estou perdendo tempo

aqui.

– Não está! – eu disse, um pouco chocado. – Cristo, Frankie, você está recebendo educação de faculdade!