Corações na Atlântida
Capítulo 9
de suas mechas negras de cabelo.
– Vá em frente. – ele disse. – Eu não preciso de um psicólogo.
Eu dei de ombros.
– Eu não estava querendo bancar a babá, só queria um pouco de
companhia.
– Eu não.
Eu segui meu caminho, aborrecido apesar de meus nove dólares. Nós
palhaços da turma não somos tímidos para fazer amigos (dois ou três são aptos a nos satisfazerem por uma vida inteira), mas não reagimos muito
bem à babacas irritados, tampouco.
Nossa meta é deixar o maior número possível de pessoas rindo.
– Riley. – ele disse atrás de mim.
Eu me virei. Ele havia decidido a se enturmar um pouco a inal de contas, eu pensei. Como eu estava errado.
– Há gestos e gestos. – ele disse. – Colocar creme de barbear na porta do monitor ica um degrau acima de limpar o assento da carteira da Pequena
Susie porque você não consegue pensar em outro modo de dizer que a
ama.
– Eu não melei a porta de Dearie. – eu disse, mais aborrecido do que nunca.
– Ta, mas você estava jogando cartas com aquele cuzão que o fez.
Emprestando a ele credibilidade. – eu acho que foi a primeira vez que eu ouvi aquela palavra, que aconteceu de ter uma carreira incrivelmente
frágil nos anos setenta e nos anos oitenta ensopados de Coca-Cola. A maior
parte disso na política. Eu acho que credibilidade morreu de vergonha por
volta de 1986, justamente quando todos aqueles protestantes de guerra
dos anos sessenta e batalhadores por igualdade racial descobriam sobre as obrigações especulativas; Martha Stewart vivia; e era inventado o
StairMaster, uma mini-escada rolante para fazer exercícios. – Por que
perde seu tempo com isso?
Essa foi direta o su iciente para me deixar puto, e eu disse o que parece para mim agora, olhando para trás, uma coisa incrivelmente estúpida.
– Eu tenho muito tempo para perder.
Jones assentiu como se não esperasse mais, ou melhor. Ele continuou a
andar e passou por mim em seu ritmo acostumado, com a cabeça abaixada,
costas curvadas, cabelo úmido balançando, o livro preso irme sob seu
braço, que eu esperei cair de novo. Desta vez quando caísse, eu o deixaria
sozinho cutucando-o com suas muletas.
Mas ele não escapou de seu braço, e depois de vê-lo alcançar a porta do Holyoke, se agarrar a ela, e inalmente entrar, eu segui meu próprio
caminho. Quando eu terminasse minhas tarefas, sentaria com Carol Gerber
e o resto da garotada que limpava os pratos. Esse era o mais longe de Stoke Jones que eu poderia icar, o que pareceu bom. Ele também sentou
longe dos outros garotos aleijados, eu me lembro.
Stoke Jones sentava longe de todo mundo. Clint Eastwood de muletas.
9
Os famintos comuns começaram a aparecer pelas cinco horas. Vinte cinco
minutos depois, a trupe da cozinha estava a todo vapor, e assim icou por
uma hora.
Vários garotos foram para casa no im de semana, mas aqueles que
icaram apareceram na noite de Sábados, em que foi servido feijões,
amendoins e pão de milho. Para sobremesa tínhamos gelatina com
pequenos pedaços de fruta de cobertura.
Carol estava limpando os talheres, e no momento em que a hora do rush começou, ela se afastou da janelinha que dava para o salão, tremendo de tanto rir. Suas bochechas eram vermelho vivo. Pela esteira rolante veio a obra de arte de Skip. Ele admitiu mais tarde que havia sido ele, mas eu já