Corações na Atlântida

Stephen King · Capítulo 20 de 59

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Corações na Atlântida

Capítulo 9

de suas mechas negras de cabelo.

– Vá em frente. – ele disse. – Eu não preciso de um psicólogo.

Eu dei de ombros.

– Eu não estava querendo bancar a babá, só queria um pouco de

companhia.

– Eu não.

Eu segui meu caminho, aborrecido apesar de meus nove dólares. Nós

palhaços da turma não somos tímidos para fazer amigos (dois ou três são aptos a nos satisfazerem por uma vida inteira), mas não reagimos muito

bem à babacas irritados, tampouco.

Nossa meta é deixar o maior número possível de pessoas rindo.

– Riley. – ele disse atrás de mim.

Eu me virei. Ele havia decidido a se enturmar um pouco a inal de contas, eu pensei. Como eu estava errado.

– Há gestos e gestos. – ele disse. – Colocar creme de barbear na porta do monitor ica um degrau acima de limpar o assento da carteira da Pequena

Susie porque você não consegue pensar em outro modo de dizer que a

ama.

– Eu não melei a porta de Dearie. – eu disse, mais aborrecido do que nunca.

– Ta, mas você estava jogando cartas com aquele cuzão que o fez.

Emprestando a ele credibilidade. – eu acho que foi a primeira vez que eu ouvi aquela palavra, que aconteceu de ter uma carreira incrivelmente

frágil nos anos setenta e nos anos oitenta ensopados de Coca-Cola. A maior

parte disso na política. Eu acho que credibilidade morreu de vergonha por

volta de 1986, justamente quando todos aqueles protestantes de guerra

dos anos sessenta e batalhadores por igualdade racial descobriam sobre as obrigações especulativas; Martha Stewart vivia; e era inventado o

StairMaster, uma mini-escada rolante para fazer exercícios. – Por que

perde seu tempo com isso?

Essa foi direta o su iciente para me deixar puto, e eu disse o que parece para mim agora, olhando para trás, uma coisa incrivelmente estúpida.

– Eu tenho muito tempo para perder.

Jones assentiu como se não esperasse mais, ou melhor. Ele continuou a

andar e passou por mim em seu ritmo acostumado, com a cabeça abaixada,

costas curvadas, cabelo úmido balançando, o livro preso irme sob seu

braço, que eu esperei cair de novo. Desta vez quando caísse, eu o deixaria

sozinho cutucando-o com suas muletas.

Mas ele não escapou de seu braço, e depois de vê-lo alcançar a porta do Holyoke, se agarrar a ela, e inalmente entrar, eu segui meu próprio

caminho. Quando eu terminasse minhas tarefas, sentaria com Carol Gerber

e o resto da garotada que limpava os pratos. Esse era o mais longe de Stoke Jones que eu poderia icar, o que pareceu bom. Ele também sentou

longe dos outros garotos aleijados, eu me lembro.

Stoke Jones sentava longe de todo mundo. Clint Eastwood de muletas.

9

Os famintos comuns começaram a aparecer pelas cinco horas. Vinte cinco

minutos depois, a trupe da cozinha estava a todo vapor, e assim icou por

uma hora.

Vários garotos foram para casa no im de semana, mas aqueles que

icaram apareceram na noite de Sábados, em que foi servido feijões,

amendoins e pão de milho. Para sobremesa tínhamos gelatina com

pequenos pedaços de fruta de cobertura.

Carol estava limpando os talheres, e no momento em que a hora do rush começou, ela se afastou da janelinha que dava para o salão, tremendo de tanto rir. Suas bochechas eram vermelho vivo. Pela esteira rolante veio a obra de arte de Skip. Ele admitiu mais tarde que havia sido ele, mas eu já