Corações na Atlântida

Stephen King · Capítulo 55 de 59

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Corações na Atlântida

Capítulo 44

– A não ser que ele tenha pedido a eles. – eu disse. – A não ser que ele tenha exigido isso.

– Bingo. – disse o baixinho com o cabelo de Peter Frampton. – Tem um baseado aí, cara? Eu quero icar doidão. Esse lugar é uma droga, eu quero

ir para a Vila dos Hobbits.

44

Skip se tornou um artista, e ele é famoso em seu próprio modo. Não como

Norman Rockwell, e você nunca veria uma reprodução das esculturas de

Skip em um prato oferecido por Franklin Mint, mas ele tinha várias exibições: Londres, Roma, Nova York, Paris no ano passado, e ele era

elogiado pela crítica regularmente. Havia vários críticos que o chamavam

de desinteressantes, o sabor do mês (alguns o têm chamado de sabor do

mês há vinte e cinco anos), uma mente banal tentando se comunica via

imagens baixas com outras mentes banais. Outros críticos o aclamaram por

sua honestidade e energia. Eu tenciono nesta direção, mas suponho que

deveria; eu o conhecia desde os dias em que escapamos do grande

continente que afundava juntos, e ele continuou meu amigo; de um modo

distante, ele continuava meu melhor amigo.

Houve também críticos que comentaram a raiva em seu trabalho, tão

constantemente expressada, a raiva que eu vi claramente na família

vietnamita de papel-machê em que ele tacou fogo na frente da biblioteca

escolar para o pulso ampli icado dos The Youngbloods lá em 1969. E sim.

Sim, havia algo nisso. Algumas das coisas de Skip eram engraçadas,

algumas eram tristes, e algumas eram bizarras, mas a maioria parecia

furiosa, a maioria de suas pessoas e obras de papel e plástico pareciam sussurrar para ele Me acenda, oh, me acenda e me ouça gritar, ainda é 1969,

ainda é Mekong, e sempre será. “É a raiva de Stanley Kirk que faz seu trabalho ter valor”, um crítico escreveu durante uma exposição em Boston,

e eu suponho que foi aquela mesma raiva que contribuiu para o seu

ataque do coração, dois meses depois.

Sua esposa me ligou e disse que Skip queria me ver. Os doutores

acreditavam que não havia sido um evento cardíaco sério, mas o Capitão

implorou para discordar.

Meu velho melhor amigo Capitão Kirk achou que estava morrendo.

Eu voei para Palm Beach, e quando eu o vi (rosto branco sob um cabelo em

sua maior parte branco num travesseiro branco), isso fez uma memória

que eu não consegui pegar muito bem, piscar.

– Está pensando em Jones. – ele disse, em uma voz rouca, e é claro que ele

estava certo. Eu sorri, e no mesmo instante um calafrio percorreu o meio de minha espinha. Às vezes alguns assuntos voltam para você. Às vezes

eles voltam.

Eu entrei e sentei ao seu lado.

– Nada mau, “O swami”.

– Nem duro, tampouco. – ele disse. – É aquele dia na enfermaria outra vez,

exceto que Carbury está provavelmente morto, e desta vez sou eu com um

tubo em cima da mão. – ele levantou uma de suas mãos talentosas, mostrou

o tubo, e então a abaixou novamente. – Eu não acho que vou morrer mais.

Ao menos não agora.

– Bom.

– Você ainda fuma?

– Me aposentei. No último ano.

Ele assentiu.

– Minha esposa diz que vai se divorciar de mim se eu não izer isso

também. .

então acho que é melhor eu tentar.

– É o pior dos hábitos.

– Na verdade, eu acho que viver é o pior dos hábitos.

– Poupe as frases de impacto para o Reader’s Digest, Capitão.

Ele riu, e então me perguntou se eu tinha notícias de Nate.

– Um cartão de Natal, como sempre. Com um foto.

– Maldito Nate! – Skip estava radiante. – Era do escritório dele?

– Sim. Ele colocou um presépio na frente este ano. Os Magos parecem estar

precisando de tratamento dental.

Olhamos um para o outro e começamos a rir. Antes que Skip pudesse

continuar, ele começou a tossir. Era assustadoramente igual à Stoke (por

um momento ele até pareceu com Stoke), e eu senti aquele calafrio nas costas novamente. Se Stoke estivesse morto acharia que ele estava nos

assombrando, mas ele não estava. E sem seu próprio modo, Stoke Jones era

tão vendido quanto cada hippie aposentado que evolui de vender cocaína

para drogados pelo telefone. Ela adorava a cobertura da TV, assim como

Stoke; quando O.J. Simpson foi julgado, você poderia pegar Stoke em algum

lugar por perto, apenas outro urubu circulando sua carniça.

Carol foi uma das que não se venderam, eu acho. Carol e seus amigos, e quanto aos estudantes de química que eles mataram com sua bomba? Foi

um erro, eu acredito com todo o meu coração (a Carol Gerber que eu

conhecia não teria paciência para a idéia de que todo o poder vinha de um

barril de pólvora). A Carol que eu conhecia teria entendido que era apenas

outro modo fodido de dizer que tínhamos que destruir a vila para salvá-la.

Mas você acha que os parentes daquelas crianças se importaram se foi um erro, a bomba não explodiu quando deveria, me desculpe? Você acha que

as perguntas sobre quem se vendeu e quem não se vendeu importam para

as mães, pais, irmãos, irmãs, amantes, amigos? Você acha que importa para

as pessoas que tem que recolher os cacos e seguir em frente? Corações

podem se despedaçar. Sim. Corações podem se despedaçar. Às vezes eu

acho que seria melhor se morrêssemos quando ele se despedaçasse, mas

não morremos.

Skip tentou reganhar sua respiração. O monitor ao seu lado estava bipando

de um modo preocupante. Uma enfermeira entrou e Skip a expulsou. Os

bipes voltando ao seu ritmo anterior, então ela foi. Quando ela se fora, Skip

falou:

– Por que rimos tanto quando ele caiu naquele dia? Essa pergunta nunca

me deixou inteiramente.

– Não. – eu disse. – Nem a mim.

– Então qual é a resposta? Por que rimos?

– Porque somos humanos. Por um momento, eu acho que estava entre

Woodstock e Kent State, achávamos que éramos algo mais, mas não

éramos.

– Achávamos que éramos pó de estrela. – Skip disse. Quase com a cara

séria.

– Achávamos que éramos de ouro. – eu concordei, rindo. – E tivemos que nos levar de volta para o jardim.

– Chegue mais perto, garoto hippie. – Skip disse, e eu fui. Eu vi que meu velho amigo, que havia enganado Dearie, Ebersole, e o Decano dos

Homens, que havia ido e implorado aos seus professores para ajudá-lo,

que me ensinou a beber cerveja do gargalo e dizer “caralho” em doze entonações diferentes, estava chorando um pouco.

Ele estendeu os braços para mim. Eles haviam emagrecido com o passar

dos anos, e agora os músculos pendiam ao invés de estarem duros. Eu me

inclinei e o abracei.

– Nós tentamos. – ele disse em meu ouvido. – Nunca se esqueça disso, Pete.

Nós tentamos.

Eu suponho que sim. À seu modo, Carol tentou mais forte do que nós e

pagou o maior preço. . exceto pelos que morreram. E embora tivéssemos

esquecido a linguagem que falávamos naqueles anos (está tão perdida

quanto jeans boca de sino, jaquetas Nehru e placas que diziam MATAR

PELA PAZ é COMO FODER PELA CASTIDADE), às vezes uma palavra ou

duas voltam. Informação, sabe. Informação. E

às vezes, em meus sonhos e memórias (quanto mais velho eu ico mais elas

parecem as mesmas), eu sinto o cheiro do lugar de onde eu falava aquela

linguagem com autoridade tão fácil: um perfume da terra, um aroma de

laranjas, o enfraquecido cheiro das flores.

Ele passa essa página, até o im do caderno, onde ele colocou fotos e recortes de jornais de Carol Gerber que ele colecionou através dos anos: Carol com sua mãe, Carol segurando seu irmão recém-nascido e sorrindo

nervosamente, Carol e seu pai (ele com seu uniforme azul da Marinha e

seu cigarro, ela olhando para ele com grandes olhos surpresos), Carol no grupo de líderes de torcida do Colégio Harwich, em seu primeiro ano,

fotografada no meio de um pulo com um pom-pom para cima e o outro na

altura de sua saia, Carol e John Sullivan em tronos de alumínio no Colégio Harwich em 1965, o ano em que foram eleitos Rei e Rainha da Neve no

baile do último ano. Eles pareciam um casal em um bolo de casamento;

Willie pensa isso toda vez que olha no velho recorte amarelado. Seu vestido sem alça, seus ombros descobertos. Não há sinal de que por um

tempo, em algum lugar do passado, o esquerdo estava saliente parecendo

uma corcunda dupla. Ela estava chorando antes da última pancada,

chorando muito, mas chorar não havia sido o bastante para Harry Doolin.

Daquela última vez em que ele girou nos calcanhares, e bateu o bastão

nela, houvera um som de uma marreta batendo uma torrada, e então ela gritou, gritou tão alto que Harry fugiu sem mesmo olhar para trás para ver

se Willie e Richie O’Meara estavam seguindo-o. Deu no pé, o velho Harry Doolin, havia corrido como uma lebre. Mas e se ele não tivesse corrido? E

se ao invés de correr, Harry houvesse dito Segurem-na, rapazes, eu não estou ouvindo isso, eu vou calar a boca dela, pretendendo girar os calcanhares mais uma vez, desta vez mirando a cabeça? Eles a teriam

segurado? Eles a teriam segurado para ele mesmo naquela época?

Você sabe que teria, ele pensa devidamente. Você tanto faz penitência pelos

que fez quanto pelo que você foi poupado de fazer. Não é?

Aqui Carol em seu vestido de formatura; Primavera de 1966, está

marcado. Na página seguinte está um recorte de jornal do Harwich Journal

marcado como Outono de 1966. A foto que vem junto mostra ela

novamente, mas esta nova versão de Carol parece um milhão de anos

removida da jovem no vestido de formatura, a jovem com o diploma na

mão, com meias brancas nos pés, e seus olhos modestos para baixo. Esta

garota é feroz e sorridente, estes olhos olham diretamente para a câmera.

Ela parece não perceber o sangue que corre por sua bochecha esquerda.

Ela mostra o sinal da paz. A garota já está no caminho para Danbury, esta

garota tem suas sapatilhas de Danbury vestidas. Pessoas morreram em

Danbury, tripas voaram, querida, e Willie não duvida que ele parcialmente

responsável. Ele toca o sorriso feroz e sangrento da garota com sua placa que diz PAREM COM A MATANÇA (só que ao invés de pará-la, ela se tornou parte dela) e sabe que no im seu rosto é o único que importa, seu

rosto é o espírito da época. 1960 é fumaça; aqui está o fogo. Aqui está a Morte com o sangue na bochecha e um sorriso em seus lábios, e um sinal em sua mão. Aqui está a boa e velha demência de Danbury.

O próximo recorte é a página frontal do jornal de Danbury. Ele teve que dobrá-la três vezes para que coubesse no caderno. A maior das quatro

fotos mostra uma mulher gritando no meio da rua mostrando suas mãos

cheias de sangue. Atrás dela está um prédio de tijolos que foi estourado como um ovo. Verão de 1970, ele escreveu ao lado.

6 MORTOS, 14 FERIDOS EM ATAQUE DE BOMBA EM DANBURY

Grupo Radical Clama Responsabilidade

“Ninguém deveria ter se machucado”, a Garota Diz a Polícia.

O grupo (Estudantes Militares pela Paz, como assim se auto-denominava),

plantou uma bomba em um salão de leitura no campus da UConn de

Danbury. No dia da explosão, a Coleman Chemicals estava fazendo

entrevistas de emprego entre as dez da manha e as quatro da tarde. A

bomba supostamente deveria explodir às seis da manhã, quando o prédio

estivesse vazio. Eles falharam nisso. Às oito horas, então novamente às

nove, alguém (presumivelmente da EMP) ligou para a Segurança do

Campus e contou sobre a presença da bomba no salão de leitura do

primeiro andar.

Houve procuras apressadas, e nenhuma evacuação. “Essa foi a nossa 83ª

ameaça de bomba no ano”, um o icial da Segurança do Campus não

identi icado disse. Nenhuma bomba foi encontrada, embora o EMP mais

tarde clamou veementemente que a exata localização (o duto de ar-

condicionado do lado esquerdo da sala) havia sido dado.

Houve evidência (persuasiva para Willie Shearman se não para qualquer

um) que ao meio-dia e quinze, enquanto as entrevistas de emprego haviam parado para o almoço, uma jovem fez um esforço (um risco considerável

para sua vida e seu corpo) para tentar reaver a bomba por si mesma. Ela

passou mais ou menos dez minutos no corredor da sala de leitura antes de

ser levada, protestando, por um homem com cabelos negros e longos. O

zelador que os viu, mais tarde identi icou o homem como Raymond Fiegler,

líder dos EMP. Ele identi icou a jovem como Carol Gerber. Às duas e vinte daquela tarde, a bomba inalmente explodiu. Deus abençoe os vivos; Deus

abençoe os mortos.

Willie virou a página. Aqui está o título de uma notícia do Oklahoman, jornal de Oklahoma. Abril de 1971.

3 RADICAIS MORTOS EM TIROTEIO EM BLOQUEIO DE ESTRADA

“Peixe Grande” Pode Ter Escapado Por Questão de Minutos Diz o Agente

Especial Thurman do FBI no Comando

O peixe grande era John e Sally McBride, Charlie “Pato” Golden, o elusivo Raymond Fiegler. . e Carol. Os membros remanescentes dos EMP, em

outras palavras.

Os McBrides e Golden morreram em Los Angeles, seis meses depois,

alguém na casa continuou a atirar e jogar granadas mesmo quando o lugar

já estava em chamas. Nem Fiegler, nem Carol estavam no abrigo queimado,

mas a polícia achou uma quantidade de sangue que foi tipi icado como AB

Positivo. Um tipo raro de sangue. O tipo de sangue de Carol.

Morta ou viva? Viva ou morta? Não há um dia em que Willie não se

pergunte sobre isso.

Ele vira a próxima página do caderno, sabendo que deveria parar, que

deveria ir para casa, que Sharon iria icar preocupado se ele ao menos não

ligasse (ele vai ligar, lá embaixo ele vai ligar, ela está certa, ele é muito fidedigno), mas ele não pára ainda.

O título em cima da foto que mostra os restos da casa na Benefit Street é do

Los Angeles Times.

3 DOS “12 DE DANBURY MORREM NO LESTE DE L.A.

Polícia Especula Pacto Suicida

Apenas Fiegler e Gerber Desaparecidos

Exceto que os policiais acreditavam que Carol, pelo menos, estava morta.

O jornal deixou isso bem claro. Naquela época, Willie também estivera

convencido. Todo aquele sangue. Agora, entretanto. .

Morta ou viva? Viva ou morta? Às vezes seu coração sussurra para ele que

o sangue não importa, que ela escapou daquele casebre antes que os

últimos atos de insanidade fossem cometidos lá. Em outros tempos ele

acreditou no que a policia acreditara (que ela e Fiegler fugiram dos outros

só depois do primeiro tiroteio, antes que a casa fosse cercada); que ela havia morrido das feridas sofridas no tiroteio ou que foi assassinada por Fiegler porque ela o estava atrasando. De acordo com este cenário, a

garota feroz com o sangue no rosto e o sinal em sua mão era

provavelmente agora um saco de ossos queimando no deserto em algum

lugar ao leste do sol e à oeste de Tonopah.

Willie toca a foto da casa queimada na Bene it Street. . e subitamente um nome vem até ele, o nome do homem que talvez impediu que Dong Ha se

transformasse em outra My Lai ou My Khe. Slocum. Esse era o nome dele,

deveras. Era como se as luzes escurecidas e as janelas quebradas

houvessem sussurrado para ele.

Willie fecha o caderno e o guarda, sentindo-se estranhamente em paz. Ele

termina de arrumar o que precisa nos escritórios da Midtown Heating & Cooling, então desce cuidadosamente pelo vão e coloca um pé na escadinha

abaixo. Ele pega a alça da maleta e a atravessa pelo vão. Ele desce ao terceiro degrau, então abaixa o vão em seu lugar, e recolocam o painel do

teto ao lugar que pertence.

Ele não pode fazer nada. . qualquer coisa permanente. . ao O icial Jasper Wheelock. Mas Slocum poderia. Sim, deveras, Slocum poderia. É claro que

Slocum era negro, mas e daí? No escuro todos os gatos são pardos. . e para

os cegos, eles não tem qualquer cor. É realmente um grande pulo de Willie

Cegueta Gar ield, para Willie Cegueta Slocum? Claro que não. Fácil como

respirar, realmente.

– Vocês ouvem o que eu ouço. – ele canta mansamente, enquanto guarda a

escadinha em seu lugar. – Vocês cheiram o que eu cheiro. Vocês sentem o

gosto do que eu sinto?.

Cinco minutos depois ele fecha a porta dos Analistas da Western States

Land irmemente atrás dele e fecha os três cadeados. Então ele desce até o corredor. Quando o elevador chega, ele entra, e pensa, Gemada. Não se esqueça. Os Allens e os Dubrays.

– E canela também. – ele diz em voz alta. As três pessoas no elevador com

ele olham em volta, e Bill sorri constrangido.

Do lado de fora, ele segue na direção da Estação Central, registrando

apenas um pensamento enquanto a neve bate em cheio em seu rosto e

entra pelo colarinho do casaco: o Papai Noel do lado de fora do prédio consertou a barba.

MEIA-NOITE.

– Share?

– Hmmmm?

Sua voz é sonolenta, distante. Eles izeram amor, longa e devagar, depois que os Dubrays inalmente se foram às onze horas, e agora ela está quase

dormindo. Tudo bem; ele está com sono também. Ele tem uma sensação

que todos os seus problemas estão se resolvendo por si mesmos. . ou que Deus os está resolvendo.

– Eu acho que vou tirar uma semana de folga depois do Natal. Fazer alguns

registros. Dar uma olhada em alguns lugares novos. Estou pensando em ir para outro lugar. – não há razão para ela saber o que Willie Slocum estará

fazendo na semana antes do Ano Novo; ela não faria nada a não ser se

preocupar (talvez, talvez não, ele não vê razão para tentar descobrir), se sentir culpada.

– Bom. – ela diz. – Veja uns ilmes enquanto estiver lá, certo? – sua mão surge da escuridão e toca seu braço brevemente. – Você trabalha tanto. –

pausa. – Também, você se lembrou da gemada. Eu realmente achei que

você não se lembraria. Estou muito feliz com você, querido.

Ele sorri no escuro com essa, sem pode evitar. Isso é a cara de Sharon.

– Os Allens são legais, mas o Dubrays são chatos, não são? – ela pergunta.

– Um pouco. – ele se permite dizer.

– Se aquele vestido dela fosse cortado um centímetro a mais, ela poderia arrumar emprego em um bar de strip-tease.

Ele não diz nada, mas sorri novamente.

– Foi bom hoje à noite, não foi? – ela pergunta. Não é da pequena festa que

ela está falando.

– Sim, excelente.

– Você teve um bom dia? Eu não tive a chance de perguntar.

– Um ótimo dia, Share.

– Eu te amo, Bill.

– Eu também te amo.

– Boa noite.

– Boa noite.

Enquanto ele adormece, ele pensa no homem com o suéter vermelho de

esqui.

Ele adormece sem perceber, o pensamento derretendo-se sem esforço em

um sonho.