Corações na Atlântida
Capítulo 44
– A não ser que ele tenha pedido a eles. – eu disse. – A não ser que ele tenha exigido isso.
– Bingo. – disse o baixinho com o cabelo de Peter Frampton. – Tem um baseado aí, cara? Eu quero icar doidão. Esse lugar é uma droga, eu quero
ir para a Vila dos Hobbits.
44
Skip se tornou um artista, e ele é famoso em seu próprio modo. Não como
Norman Rockwell, e você nunca veria uma reprodução das esculturas de
Skip em um prato oferecido por Franklin Mint, mas ele tinha várias exibições: Londres, Roma, Nova York, Paris no ano passado, e ele era
elogiado pela crítica regularmente. Havia vários críticos que o chamavam
de desinteressantes, o sabor do mês (alguns o têm chamado de sabor do
mês há vinte e cinco anos), uma mente banal tentando se comunica via
imagens baixas com outras mentes banais. Outros críticos o aclamaram por
sua honestidade e energia. Eu tenciono nesta direção, mas suponho que
deveria; eu o conhecia desde os dias em que escapamos do grande
continente que afundava juntos, e ele continuou meu amigo; de um modo
distante, ele continuava meu melhor amigo.
Houve também críticos que comentaram a raiva em seu trabalho, tão
constantemente expressada, a raiva que eu vi claramente na família
vietnamita de papel-machê em que ele tacou fogo na frente da biblioteca
escolar para o pulso ampli icado dos The Youngbloods lá em 1969. E sim.
Sim, havia algo nisso. Algumas das coisas de Skip eram engraçadas,
algumas eram tristes, e algumas eram bizarras, mas a maioria parecia
furiosa, a maioria de suas pessoas e obras de papel e plástico pareciam sussurrar para ele Me acenda, oh, me acenda e me ouça gritar, ainda é 1969,
ainda é Mekong, e sempre será. “É a raiva de Stanley Kirk que faz seu trabalho ter valor”, um crítico escreveu durante uma exposição em Boston,
e eu suponho que foi aquela mesma raiva que contribuiu para o seu
ataque do coração, dois meses depois.
Sua esposa me ligou e disse que Skip queria me ver. Os doutores
acreditavam que não havia sido um evento cardíaco sério, mas o Capitão
implorou para discordar.
Meu velho melhor amigo Capitão Kirk achou que estava morrendo.
Eu voei para Palm Beach, e quando eu o vi (rosto branco sob um cabelo em
sua maior parte branco num travesseiro branco), isso fez uma memória
que eu não consegui pegar muito bem, piscar.
– Está pensando em Jones. – ele disse, em uma voz rouca, e é claro que ele
estava certo. Eu sorri, e no mesmo instante um calafrio percorreu o meio de minha espinha. Às vezes alguns assuntos voltam para você. Às vezes
eles voltam.
Eu entrei e sentei ao seu lado.
– Nada mau, “O swami”.
– Nem duro, tampouco. – ele disse. – É aquele dia na enfermaria outra vez,
exceto que Carbury está provavelmente morto, e desta vez sou eu com um
tubo em cima da mão. – ele levantou uma de suas mãos talentosas, mostrou
o tubo, e então a abaixou novamente. – Eu não acho que vou morrer mais.
Ao menos não agora.
– Bom.
– Você ainda fuma?
– Me aposentei. No último ano.
Ele assentiu.
– Minha esposa diz que vai se divorciar de mim se eu não izer isso
também. .
então acho que é melhor eu tentar.
– É o pior dos hábitos.
– Na verdade, eu acho que viver é o pior dos hábitos.
– Poupe as frases de impacto para o Reader’s Digest, Capitão.
Ele riu, e então me perguntou se eu tinha notícias de Nate.
– Um cartão de Natal, como sempre. Com um foto.
– Maldito Nate! – Skip estava radiante. – Era do escritório dele?
– Sim. Ele colocou um presépio na frente este ano. Os Magos parecem estar
precisando de tratamento dental.
Olhamos um para o outro e começamos a rir. Antes que Skip pudesse
continuar, ele começou a tossir. Era assustadoramente igual à Stoke (por
um momento ele até pareceu com Stoke), e eu senti aquele calafrio nas costas novamente. Se Stoke estivesse morto acharia que ele estava nos
assombrando, mas ele não estava. E sem seu próprio modo, Stoke Jones era
tão vendido quanto cada hippie aposentado que evolui de vender cocaína
para drogados pelo telefone. Ela adorava a cobertura da TV, assim como
Stoke; quando O.J. Simpson foi julgado, você poderia pegar Stoke em algum
lugar por perto, apenas outro urubu circulando sua carniça.
Carol foi uma das que não se venderam, eu acho. Carol e seus amigos, e quanto aos estudantes de química que eles mataram com sua bomba? Foi
um erro, eu acredito com todo o meu coração (a Carol Gerber que eu
conhecia não teria paciência para a idéia de que todo o poder vinha de um
barril de pólvora). A Carol que eu conhecia teria entendido que era apenas
outro modo fodido de dizer que tínhamos que destruir a vila para salvá-la.
Mas você acha que os parentes daquelas crianças se importaram se foi um erro, a bomba não explodiu quando deveria, me desculpe? Você acha que
as perguntas sobre quem se vendeu e quem não se vendeu importam para
as mães, pais, irmãos, irmãs, amantes, amigos? Você acha que importa para
as pessoas que tem que recolher os cacos e seguir em frente? Corações
podem se despedaçar. Sim. Corações podem se despedaçar. Às vezes eu
acho que seria melhor se morrêssemos quando ele se despedaçasse, mas
não morremos.
Skip tentou reganhar sua respiração. O monitor ao seu lado estava bipando
de um modo preocupante. Uma enfermeira entrou e Skip a expulsou. Os
bipes voltando ao seu ritmo anterior, então ela foi. Quando ela se fora, Skip
falou:
– Por que rimos tanto quando ele caiu naquele dia? Essa pergunta nunca
me deixou inteiramente.
– Não. – eu disse. – Nem a mim.
– Então qual é a resposta? Por que rimos?
– Porque somos humanos. Por um momento, eu acho que estava entre
Woodstock e Kent State, achávamos que éramos algo mais, mas não
éramos.
– Achávamos que éramos pó de estrela. – Skip disse. Quase com a cara
séria.
– Achávamos que éramos de ouro. – eu concordei, rindo. – E tivemos que nos levar de volta para o jardim.
– Chegue mais perto, garoto hippie. – Skip disse, e eu fui. Eu vi que meu velho amigo, que havia enganado Dearie, Ebersole, e o Decano dos
Homens, que havia ido e implorado aos seus professores para ajudá-lo,
que me ensinou a beber cerveja do gargalo e dizer “caralho” em doze entonações diferentes, estava chorando um pouco.
Ele estendeu os braços para mim. Eles haviam emagrecido com o passar
dos anos, e agora os músculos pendiam ao invés de estarem duros. Eu me
inclinei e o abracei.
– Nós tentamos. – ele disse em meu ouvido. – Nunca se esqueça disso, Pete.
Nós tentamos.
Eu suponho que sim. À seu modo, Carol tentou mais forte do que nós e
pagou o maior preço. . exceto pelos que morreram. E embora tivéssemos
esquecido a linguagem que falávamos naqueles anos (está tão perdida
quanto jeans boca de sino, jaquetas Nehru e placas que diziam MATAR
PELA PAZ é COMO FODER PELA CASTIDADE), às vezes uma palavra ou
duas voltam. Informação, sabe. Informação. E
às vezes, em meus sonhos e memórias (quanto mais velho eu ico mais elas
parecem as mesmas), eu sinto o cheiro do lugar de onde eu falava aquela
linguagem com autoridade tão fácil: um perfume da terra, um aroma de
laranjas, o enfraquecido cheiro das flores.
Ele passa essa página, até o im do caderno, onde ele colocou fotos e recortes de jornais de Carol Gerber que ele colecionou através dos anos: Carol com sua mãe, Carol segurando seu irmão recém-nascido e sorrindo
nervosamente, Carol e seu pai (ele com seu uniforme azul da Marinha e
seu cigarro, ela olhando para ele com grandes olhos surpresos), Carol no grupo de líderes de torcida do Colégio Harwich, em seu primeiro ano,
fotografada no meio de um pulo com um pom-pom para cima e o outro na
altura de sua saia, Carol e John Sullivan em tronos de alumínio no Colégio Harwich em 1965, o ano em que foram eleitos Rei e Rainha da Neve no
baile do último ano. Eles pareciam um casal em um bolo de casamento;
Willie pensa isso toda vez que olha no velho recorte amarelado. Seu vestido sem alça, seus ombros descobertos. Não há sinal de que por um
tempo, em algum lugar do passado, o esquerdo estava saliente parecendo
uma corcunda dupla. Ela estava chorando antes da última pancada,
chorando muito, mas chorar não havia sido o bastante para Harry Doolin.
Daquela última vez em que ele girou nos calcanhares, e bateu o bastão
nela, houvera um som de uma marreta batendo uma torrada, e então ela gritou, gritou tão alto que Harry fugiu sem mesmo olhar para trás para ver
se Willie e Richie O’Meara estavam seguindo-o. Deu no pé, o velho Harry Doolin, havia corrido como uma lebre. Mas e se ele não tivesse corrido? E
se ao invés de correr, Harry houvesse dito Segurem-na, rapazes, eu não estou ouvindo isso, eu vou calar a boca dela, pretendendo girar os calcanhares mais uma vez, desta vez mirando a cabeça? Eles a teriam
segurado? Eles a teriam segurado para ele mesmo naquela época?
Você sabe que teria, ele pensa devidamente. Você tanto faz penitência pelos
que fez quanto pelo que você foi poupado de fazer. Não é?
Aqui Carol em seu vestido de formatura; Primavera de 1966, está
marcado. Na página seguinte está um recorte de jornal do Harwich Journal
marcado como Outono de 1966. A foto que vem junto mostra ela
novamente, mas esta nova versão de Carol parece um milhão de anos
removida da jovem no vestido de formatura, a jovem com o diploma na
mão, com meias brancas nos pés, e seus olhos modestos para baixo. Esta
garota é feroz e sorridente, estes olhos olham diretamente para a câmera.
Ela parece não perceber o sangue que corre por sua bochecha esquerda.
Ela mostra o sinal da paz. A garota já está no caminho para Danbury, esta
garota tem suas sapatilhas de Danbury vestidas. Pessoas morreram em
Danbury, tripas voaram, querida, e Willie não duvida que ele parcialmente
responsável. Ele toca o sorriso feroz e sangrento da garota com sua placa que diz PAREM COM A MATANÇA (só que ao invés de pará-la, ela se tornou parte dela) e sabe que no im seu rosto é o único que importa, seu
rosto é o espírito da época. 1960 é fumaça; aqui está o fogo. Aqui está a Morte com o sangue na bochecha e um sorriso em seus lábios, e um sinal em sua mão. Aqui está a boa e velha demência de Danbury.
O próximo recorte é a página frontal do jornal de Danbury. Ele teve que dobrá-la três vezes para que coubesse no caderno. A maior das quatro
fotos mostra uma mulher gritando no meio da rua mostrando suas mãos
cheias de sangue. Atrás dela está um prédio de tijolos que foi estourado como um ovo. Verão de 1970, ele escreveu ao lado.
6 MORTOS, 14 FERIDOS EM ATAQUE DE BOMBA EM DANBURY
Grupo Radical Clama Responsabilidade
“Ninguém deveria ter se machucado”, a Garota Diz a Polícia.
O grupo (Estudantes Militares pela Paz, como assim se auto-denominava),
plantou uma bomba em um salão de leitura no campus da UConn de
Danbury. No dia da explosão, a Coleman Chemicals estava fazendo
entrevistas de emprego entre as dez da manha e as quatro da tarde. A
bomba supostamente deveria explodir às seis da manhã, quando o prédio
estivesse vazio. Eles falharam nisso. Às oito horas, então novamente às
nove, alguém (presumivelmente da EMP) ligou para a Segurança do
Campus e contou sobre a presença da bomba no salão de leitura do
primeiro andar.
Houve procuras apressadas, e nenhuma evacuação. “Essa foi a nossa 83ª
ameaça de bomba no ano”, um o icial da Segurança do Campus não
identi icado disse. Nenhuma bomba foi encontrada, embora o EMP mais
tarde clamou veementemente que a exata localização (o duto de ar-
condicionado do lado esquerdo da sala) havia sido dado.
Houve evidência (persuasiva para Willie Shearman se não para qualquer
um) que ao meio-dia e quinze, enquanto as entrevistas de emprego haviam parado para o almoço, uma jovem fez um esforço (um risco considerável
para sua vida e seu corpo) para tentar reaver a bomba por si mesma. Ela
passou mais ou menos dez minutos no corredor da sala de leitura antes de
ser levada, protestando, por um homem com cabelos negros e longos. O
zelador que os viu, mais tarde identi icou o homem como Raymond Fiegler,
líder dos EMP. Ele identi icou a jovem como Carol Gerber. Às duas e vinte daquela tarde, a bomba inalmente explodiu. Deus abençoe os vivos; Deus
abençoe os mortos.
Willie virou a página. Aqui está o título de uma notícia do Oklahoman, jornal de Oklahoma. Abril de 1971.
3 RADICAIS MORTOS EM TIROTEIO EM BLOQUEIO DE ESTRADA
“Peixe Grande” Pode Ter Escapado Por Questão de Minutos Diz o Agente
Especial Thurman do FBI no Comando
O peixe grande era John e Sally McBride, Charlie “Pato” Golden, o elusivo Raymond Fiegler. . e Carol. Os membros remanescentes dos EMP, em
outras palavras.
Os McBrides e Golden morreram em Los Angeles, seis meses depois,
alguém na casa continuou a atirar e jogar granadas mesmo quando o lugar
já estava em chamas. Nem Fiegler, nem Carol estavam no abrigo queimado,
mas a polícia achou uma quantidade de sangue que foi tipi icado como AB
Positivo. Um tipo raro de sangue. O tipo de sangue de Carol.
Morta ou viva? Viva ou morta? Não há um dia em que Willie não se
pergunte sobre isso.
Ele vira a próxima página do caderno, sabendo que deveria parar, que
deveria ir para casa, que Sharon iria icar preocupado se ele ao menos não
ligasse (ele vai ligar, lá embaixo ele vai ligar, ela está certa, ele é muito fidedigno), mas ele não pára ainda.
O título em cima da foto que mostra os restos da casa na Benefit Street é do
Los Angeles Times.
3 DOS “12 DE DANBURY MORREM NO LESTE DE L.A.
Polícia Especula Pacto Suicida
Apenas Fiegler e Gerber Desaparecidos
Exceto que os policiais acreditavam que Carol, pelo menos, estava morta.
O jornal deixou isso bem claro. Naquela época, Willie também estivera
convencido. Todo aquele sangue. Agora, entretanto. .
Morta ou viva? Viva ou morta? Às vezes seu coração sussurra para ele que
o sangue não importa, que ela escapou daquele casebre antes que os
últimos atos de insanidade fossem cometidos lá. Em outros tempos ele
acreditou no que a policia acreditara (que ela e Fiegler fugiram dos outros
só depois do primeiro tiroteio, antes que a casa fosse cercada); que ela havia morrido das feridas sofridas no tiroteio ou que foi assassinada por Fiegler porque ela o estava atrasando. De acordo com este cenário, a
garota feroz com o sangue no rosto e o sinal em sua mão era
provavelmente agora um saco de ossos queimando no deserto em algum
lugar ao leste do sol e à oeste de Tonopah.
Willie toca a foto da casa queimada na Bene it Street. . e subitamente um nome vem até ele, o nome do homem que talvez impediu que Dong Ha se
transformasse em outra My Lai ou My Khe. Slocum. Esse era o nome dele,
deveras. Era como se as luzes escurecidas e as janelas quebradas
houvessem sussurrado para ele.
Willie fecha o caderno e o guarda, sentindo-se estranhamente em paz. Ele
termina de arrumar o que precisa nos escritórios da Midtown Heating & Cooling, então desce cuidadosamente pelo vão e coloca um pé na escadinha
abaixo. Ele pega a alça da maleta e a atravessa pelo vão. Ele desce ao terceiro degrau, então abaixa o vão em seu lugar, e recolocam o painel do
teto ao lugar que pertence.
Ele não pode fazer nada. . qualquer coisa permanente. . ao O icial Jasper Wheelock. Mas Slocum poderia. Sim, deveras, Slocum poderia. É claro que
Slocum era negro, mas e daí? No escuro todos os gatos são pardos. . e para
os cegos, eles não tem qualquer cor. É realmente um grande pulo de Willie
Cegueta Gar ield, para Willie Cegueta Slocum? Claro que não. Fácil como
respirar, realmente.
– Vocês ouvem o que eu ouço. – ele canta mansamente, enquanto guarda a
escadinha em seu lugar. – Vocês cheiram o que eu cheiro. Vocês sentem o
gosto do que eu sinto?.
Cinco minutos depois ele fecha a porta dos Analistas da Western States
Land irmemente atrás dele e fecha os três cadeados. Então ele desce até o corredor. Quando o elevador chega, ele entra, e pensa, Gemada. Não se esqueça. Os Allens e os Dubrays.
– E canela também. – ele diz em voz alta. As três pessoas no elevador com
ele olham em volta, e Bill sorri constrangido.
Do lado de fora, ele segue na direção da Estação Central, registrando
apenas um pensamento enquanto a neve bate em cheio em seu rosto e
entra pelo colarinho do casaco: o Papai Noel do lado de fora do prédio consertou a barba.
MEIA-NOITE.
– Share?
– Hmmmm?
Sua voz é sonolenta, distante. Eles izeram amor, longa e devagar, depois que os Dubrays inalmente se foram às onze horas, e agora ela está quase
dormindo. Tudo bem; ele está com sono também. Ele tem uma sensação
que todos os seus problemas estão se resolvendo por si mesmos. . ou que Deus os está resolvendo.
– Eu acho que vou tirar uma semana de folga depois do Natal. Fazer alguns
registros. Dar uma olhada em alguns lugares novos. Estou pensando em ir para outro lugar. – não há razão para ela saber o que Willie Slocum estará
fazendo na semana antes do Ano Novo; ela não faria nada a não ser se
preocupar (talvez, talvez não, ele não vê razão para tentar descobrir), se sentir culpada.
– Bom. – ela diz. – Veja uns ilmes enquanto estiver lá, certo? – sua mão surge da escuridão e toca seu braço brevemente. – Você trabalha tanto. –
pausa. – Também, você se lembrou da gemada. Eu realmente achei que
você não se lembraria. Estou muito feliz com você, querido.
Ele sorri no escuro com essa, sem pode evitar. Isso é a cara de Sharon.
– Os Allens são legais, mas o Dubrays são chatos, não são? – ela pergunta.
– Um pouco. – ele se permite dizer.
– Se aquele vestido dela fosse cortado um centímetro a mais, ela poderia arrumar emprego em um bar de strip-tease.
Ele não diz nada, mas sorri novamente.
– Foi bom hoje à noite, não foi? – ela pergunta. Não é da pequena festa que
ela está falando.
– Sim, excelente.
– Você teve um bom dia? Eu não tive a chance de perguntar.
– Um ótimo dia, Share.
– Eu te amo, Bill.
– Eu também te amo.
– Boa noite.
– Boa noite.
Enquanto ele adormece, ele pensa no homem com o suéter vermelho de
esqui.
Ele adormece sem perceber, o pensamento derretendo-se sem esforço em
um sonho.