Corações na Atlântida
Capítulo 26
Dia de Ação de Graças.
26
Eu não leio meu horóscopo, raramente tenho assistido Arquivo X, nunca liguei para os Amigos Psíquicos, mas mesmo assim eu acredito que todos
nós temos algum vislumbre de nosso futuro de tempos em tempos. Eu tive
um naquela tarde, quando eu estacionei à frente do Franklin Hall no velho
Station Wagon de meu irmão: ela já havia partido.
Eu entrei. A recepção, onde havia normalmente oito ou nove cavalheiros
sentados em cadeiras de plástico, parecia estranhamente vazia. Uma
camareira em um uniforme azul estava aspirando o tapete. A moça atrás
do contador estava lendo uma cópia de McCall’ s e ouvindo o rádio.
Question Mark and the Mysterians, se quer saber.
Chore, chore, chore, querida, 96 lágrimas.
– Pete Riley para Carol Gerber. – eu disse. – Pode chamá-la?
Ela olhou para cima, pôs a revista de lado, e me deu um doce e simpático olhar.
Era o olhar de um médico que tem que te dizer que poxa, desculpa, o
tumor é inoperável. Que má sorte, cara, é melhor fazer amizade com Jesus.
– Carol disse que tinha que sair mais cedo. Ela pegou o ônibus para Derry.
Mas ela me disse que você apareceria e me pediu para lhe dar isso.
Ela me passou um envelope com meu nome escrito na frente. Eu a agradeci
e deixei Franklin com ele em minha mão. Eu desci a calçada e parei por um
momento ao lado do meu carro, olhando para o Holyoke Commons, o irreal
Palácio das Planícies, e lar do homem de cachorro-quente tarado. Abaixo
dele, a Pista de Bennett, folhas voaram com o vento em uma corrente
ruidosa. As cores brilhantes haviam desaparecido delas; apenas o marrom
escuro de Novembro sobrara. Era o dia anterior ao de Ação de Graças, o portal para o inverno na Nova Inglaterra. O mundo era só vento e luz do sol fria. Eu comecei a chorar de novo. Eu poderia dizer pela quentura de