Corações na Atlântida

Stephen King · Capítulo 15 de 59

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Corações na Atlântida

Capítulo 4

Bravo!, rabiscada na parte de trás; lembrar disso me causa uma angústia

inesperada, algo na verdade próximo a dor física.

Era, eu supunha, a última vez que eu mandava para casa um teste escolar

com uma estrela de ouro colada no canto.

Depois da primeira rodada de testes, eu complacentemente calculei minha

média e sai com um 3.3. Eu nunca mais consegui me aproximar disso, e no

im de Dezembro, eu percebi que as escolhas haviam se tornado muito

simples: parar de jogar cartas e talvez sobreviver ao semestre seguinte

com meu frágil pacote inanciador intacto, ou continuar a caçar a Puta sob

o quadro da Sra. DeLucca no salão do terceiro andar até o Natal, e então voltar para Gates Falls de vez.

Eu poderia conseguir um emprego no Moinho de Gates Falls; meu pai

trabalhara lá por vinte anos, até o acidente que lhe custou a visão, e ele me

colocaria lá dentro; Minha mãe odiaria, mas ela não se colocaria no

caminho se eu lhe dissesse que era o que eu queria. Ao im do dia ela era

sempre a realista da família. Mesmo quando suas esperanças e decepções

a faziam icar quase louca, ela era realista. Por um tempo ela icaria de luto

pela minha derrota em passar na Faculdade, e por um tempo eu me

sentiria culpado, mas ambos superariam. Eu queria ser escritor, a inal, não

um maldito professor de Inglês, e eu tinha uma idéia de que apenas

escritores pomposos precisavam fazer faculdade para realizarem seu

ofício.

Ainda assim, eu não queria ser reprovado. Parecia o jeito errado de começar minha vida como um adulto. Cheirava a falha, e todas as minhas

ruminações Whitmanescas (N.T. – Refere-se ao estilo de escrever de Walt Whitman, escritor americano. ) sobre como um escritor deveria fazer seu trabalho entre as pessoas que cheiravam como uma

racionalização dessa falha. Mas ainda assim, o salão do terceiro andar me chamava, o barulho das cartas, alguém perguntando se esta mão iria

passar pela direita ou pela esquerda, alguém perguntando quem tinha O

Otário (uma mão de Copas começa por jogar o dois de paus, uma carta

conhecida entre nós, os viciados do terceiro andar, como O Otário). Eu tive

sonhos com Ronnie Malenfant, o primeiro valentão escroto que eu

conhecera desde que escapara dos valentões do colégio, em que ele jogava

espadas, uma após a outra, gritando “É hora de caçar a Puta! Estamos

caçando a Boceta!” em sua voz alta e débil. Nós quase sempre vemos onde

jazem nossos melhores interesses, eu acho, mas às vezes o que vemos

significa muito pouco comparado ao que sentimos. Duro, mas é verdade.

4

Meu colega de quarto não jogava Copas. Meu colega de quarto não tinha

nenhum interesse quanto a guerra não declarada contra o Vietnã. Meu

colega de quarto escrevia para a namorada, uma moça que já estava

terminando o ensino médio no Colégio Wisdom Consolidated, todos os dias.

Coloque um copo de água ao lado de Nathan Hoppenstand e será a água

que parecerá vivaz.

Ele e eu vivíamos no quarto 302, próximo às escadarias, do outro lado da Suíte do Monitor (lar do horroroso Dearie), e ao im do corredor do salão com suas mesas de cartas, cinzeiros, e sua vista para o Palácio das

Planícies. Nossos parceiros diziam (pelo menos para mim), que a maioria

dos macabros devaneios das pessoas sobre o Gabinete do Diretor da

Faculdade poderia ser verdade.

Durante o questionário que eu respondi no Gabinete em Abril de 66

(quando a maior de minhas preocupações era decidir para onde eu deveria levar Annmarie Soucie para comer depois do Baile de Formatura), eu havia dito que eu era a) um fumante; b) um Jovem Republicano; c) um

aspirante a guitarrista popular; d) uma coruja noturna.

Em sua duvidosa sabedoria, o Diretor do Gabinete me juntara com Nate,

um não-fumante-dentista-em-formação cujos pais eram Democratas do

condado de Aroostook (o fato de que Lyndon Johnson era um Democrata

não fez Nate se sentir melhor sobre os soldados americanos correndo pelo

sul do Vietnã). Eu tinha um pôster de Humphrey Bogart sobre minha

cama; sobre a dele, Nate pendurava fotos de seu cachorro e sua garota. A

garota era uma pálida criatura vestida com o uniforme da Wisdom e

segurando uma batuta como uma clava. Ela era Cindy. O cão era Rinty.

Tanto a garota como o cão mostravam idênticos sorridos. Era surreal pra

caralho.

A pior falha de Nate, pelo que eu e Skip sabíamos, era a coleção de discos

que ele mantinha cuidadosamente organizada em ordem alfabética abaixo

de Cindy e Rinty, e bem acima de seu elegante fonógrafo RCA Swingline.

Ele tinha três discos de Mitch Miller ( Sing Along with Mitch, More Sing Along with Mitch, Mitch and the Gang Sing John Henry and Other American Folk Favorites) , Meet Trini Lopez, um LP de Dean Martin ( Dino Swings Vegasl), um LP de Gerry and the Pacemakers, o primeiro álbum de Dave Clark Five (talvez o pior e mais barulhento álbum já feito), e muitos outros

da mesma laia. Eu não consigo me lembrar de todos eles. Isso

provavelmente é uma coisa boa.

– Nate, não. – Skip dissera uma noite. – Oh, por favor, não. – Isso foi pouco

antes da Copasmania começar (talvez uma questão de dias).

– Oh, por favor, não o quê? – Nate perguntou sem tirar os olhos do que fazia em sua mesa. Ele parecia gastar todas as suas horas acordado ou na

classe ou naquela mesa.

Às vezes eu o lagrava com o dedo no nariz, limpando o salão (depois de cuidadosa e meticulosa inspeção) e escondendo o que tirava embaixo da

gaveta do meio. Era seu único vício. . se você descontasse seu horrível gosto

musical.

Skip estivera inspecionando os álbuns de Nate, algo que ele fazia

absolutamente inconsciente em cada quarto que ele visitava. Agora ele

segurava um. Ele tinha o olhar de um médico examinando um raio-X. . um que mostra um interessante (e quase certo maligno) tumor. Ele estava

entre minha cama e a de Nate, usando sua jaqueta de colegial e um boné de beisebol do Colégio Dexter. Nunca na faculdade, e raramente depois

dela, eu conheci um homem que parecia tão bonitão como o Capitão. Skip

parecia não perceber sua boa aparência, mas ele não poderia não ter

consciência dela, não inteiramente, ou ele não transaria tantas vezes como

fez. Era um tempo em que quase qualquer pessoa poderia transar, é claro, mas até mesmo para os padrões da época, Skip estava ocupado. Embora

nada disso tenha começado no Outono de 66; no Outono de 66 o coração

de Skip, assim como o meu, pertenceria a Copas.

– Isso é ruim, chapinha. – Skip disse em uma gentil voz infantil. – Desculpe,

mas isto fede.

Eu estava sentando em minha própria mesa, fumando um Pall Mall e

olhando para o meu vale-refeição. Eu sempre estava perdendo essa

maldita coisa.

– O que fede? Por que está olhando meus discos? – o texto sobre botânica

de Nate estava aberto a sua frente. Ele estava desenhando uma folha em

um pedaço de papel. Seu boné azul de calouro estava virado para trás em

sua cabeça. Nate Hoppenstand era, eu acredito, o único membro da classe

de calouros que realmente usava aquele estúpido pano de prato até que o

azarado time de futebol do Maine inalmente fez um touchdown. . isso foi uma ou duas semanas antes do Dia de Ação de Graças.

Skip continuou a estudar o álbum.

– Isto fede como o pau duro de Satã. Ele realmente fede.

– Eu odeio quando você fala desse jeito! – Nate exclamou, mas ainda assim

teimoso demais para olhar para ele.

Skip sabia que Nate odiava quando ele falava desse jeito, o que era a razão de ele continuar.

– Do que está falando, de qualquer maneira?

– Sinto muito que minha linguagem te ofenda, mas eu não retiro o

comentário.

Eu não posso. Porque isso é mau. Isso me machuca, chapinha.

Me machuca pra caralho.

– O quê? – Nate inalmente olhou, irritado por se afastar de sua folha, que estava marcada tão cuidadosamente como um mapa em um atlas das

estradas de Rand McNally. – O QUÊ?

– Isto.

Na capa do álbum que Skip segurava, uma garota de cara empinada e

peitinhos empinados espetando a frente de sua blusa de marinheiro

parecia estar dançando no convés de um barco Patrol Torpedo. Uma mão

estava erguida em um empinado aceninho. En iado em sua cabeça estava

um empinado chapeuzinho de marinheiro.

– Aposto que você é o único universitário da América que trouxe Diane Reene Sings Navy Blue para a escola. – Skip disse. – Isso é errado, Nate. Isso pertence ao seu sótão, junto à suas calças de salsicha que eu aposto que você vestiu durante todo o colegial, e encontros de igreja.

Se por calças de salsicha ele quis dizer calças Sansabelt de poliéster com aquela inútil e esquisita ivela atrás, eu suspeitei que Nate havia trazido a

maior parte de sua coleção com ele. . ele, na verdade, estava usando um par naquele mesmo momento. Eu não disse nada, entretanto. Eu peguei

uma foto de minha própria namorada e espiei meu vale-refeição atrás dela.

Eu o peguei e o enfiei no bolso de minha Levi.

– Esse é um bom disco. – Nate disse com dignidade. – É um bom disco.

Ele. . detona!

– Detona, não é? – Skip perguntou, jogando-o de volta para a cama de Nate.

(Ele se recusou a recolocar os discos de Nate porque ele sabia que isso irritava Nate pra caramba). “Meu corpo malhado vibrou e se juntou a Ma-ma-rinhaaa”? Se essa é sua de inição de bom, me lembre de nunca te

deixar um maldito remédio.

– Eu serei um dentista, não um médico. – Nate disse, destacando cada

palavra.

Veias começavam a aparecer em seu pescoço. Até onde eu sei, Skip Kirk era a única pessoa em Chamberlain Hall, talvez no campus inteiro, que

conseguia irritar o meu amiguinho de quarto. – Estou no pré-dental, sabe o

que o “dental” do pré-dental significa? Significa dentes, Skip! Significa. .

– Me lembre de nunca te deixar mexer no caralho das minhas cáries.

– Por que tem que dizer isso a toda hora?

– O quê? – Skip perguntou, sabendo, mas querendo que Nate dissesse.

Nate eventualmente iria, e seu rosto sempre icava vermelho quando o

fazia. Isso fascinava Skip. Tudo sobre Nate fascinava Skip; o Capitão uma vez me disse que tinha toda certeza de que Nate era um alienígena,

chutado do planeta Santinho.

– Caralho. – Nate Hoppenstand disse, e imediatamente suas bochechas

icaram rosadas. Em poucos minutos ele iria parecer um personagem de

Dickens, algum sério jovem desenhado por Boz. – Isso.

– Os exemplos que eu sigo são péssimos. – Skip disse. – Eu temo pelo seu futuro, Nate. E se Paul Anka fizer um retorno do caralho?

– Você nunca escutou este disco. – Nate disse, pegando o Diane Reene Sings Navy Blue de sua cama e o colocando de volta entre Mitch Miller e Stella Stevens Is in Love!

– Porra, e nem nunca vou querer. – disse Skip. – Vamos Pete, vamos comer.

Estou com fome pra caralho.

Eu peguei meu texto sobre geologia (haveria um teste na próxima Terça-

Feira).

Skip o tomou de minha mão e o colocou de volta na mesa, derrubando a

foto de minha namorada, que não daria pra mim, mas me bateria uma

lenta, excruciante, e prazerosa punheta, se estivesse de bom humor.

Ninguém batia uma punheta como uma garota Católica. Eu mudei de idéia

sobre muitas coisas no curso de minha vida, mas nunca sobre isso.

– Por que fez isso? – eu perguntei.

– Você não lê na merda da mesa. – ele disse. – Nem mesmo enquanto comendo.

Em que tipo de celeiro você nasceu?

– Na verdade, Skip, eu nasci em uma família onde as pessoas lêem à mesa.

Eu sei que é di ícil para você acreditar que as coisas podem ser feitas de outro modo que não seja o modo de Kirk, mas aí está.

Ele pareceu inesperadamente sério. Ele me pegou pelo antebraço, olhou

em meus olhos, e disse:

– Ao menos não estude enquanto come. Certo?

– Certo. – Mentalmente reservando o direito de estudar na merda da hora

que eu quisesse, ou achasse bom.

– Comporte-se como uma máquina, e você ganhará úlceras. Úlceras foram

o que matou meu velho. Ele não conseguiu parar de trabalhar.

– Oh. – eu disse. – Sinto muito.

– Não se preocupe, foi há muito tempo. Agora vamos. Antes que toda a

merda da caçarola de atum acabe. Você vem, Natebo?

– Eu tenho que terminar a folha.

– Foda-se a folha.

Se outra pessoa houvesse lhe dito aquilo, Nate o teria olhado como algo que fora descoberto abaixo de um tronco podre, e então se viraria

silenciosamente de volta para seu trabalho. Neste caso, Nate pensou por

um momento, então se levantou e pegou sua jaqueta cuidadosamente atrás

da porta, onde ele sempre a pendurava. Ele a colocou. Ele ajustou o boné em sua cabeça. Nem mesmo Skip se atreveu a falar sobre a teimosia de

Nate de usar seu boné de calouro. Quando eu perguntei a Skip para onde o

boné dele tinha desaparecido (isso foi nosso terceiro dia na U do M, e o dia

seguinte após eu conhecê-lo), ele disse, “Limpei meu traseiro com ele e

depois o joguei em cima de uma merda de árvore”. Provavelmente esta não

era a verdade, mas eu não a descartei completamente, tampouco.

Nós tagarelamos pelos três lances de escada e saímos para o tenro crepúsculo de Outubro. De todos os três dormitórios, estudantes iam para

o Holyoke Commons, onde eu trabalhava nove vezes por semana. Eu era o

garoto dos pratos, recentemente promovido para o garoto dos talheres; se

eu mantivesse meu nariz limpo, eu seria o garoto dos estoques antes das férias de Ação de Graças. Chamberlain, King, e Franklin icavam em

terreno alto, assim como o Palácio das Planícies. Para chegar lá, os

estudantes tomavam caminhos asfaltados que cruzava o terreno como uma

longa sarjeta, então se juntava a um caminho amplo de tijolos e subia de novo. Holyoke era o maior dos quatro prédios, brilhando na escuridão

como um navio no oceano.

O cruzamento onde os caminhos se encontravam era conhecido como a

Pista de Bennett, e se eu já soube o porquê, há muito já me esqueci.

Garotos do King e Chamberlain vinham por dois destes caminhos, as

garotas do Franklin vinham pelo outro. Onde os caminhos se encontravam,

garotos e garotas faziam o mesmo, falando, rindo, e trocando olhares, ambos francos e tímidos. Dali eles se moviam juntos, subindo o caminho de

tijolos conhecido como Trilha de Bennett, até o prédio da Commons.

Pelo outro lado, cortando caminho através da multidão com a cabeça baixa

e sua comum expressão fechada, em sua pálida, severa cara, vinha Stokely

Jones III. Ele era alto, mas você di icilmente perceberia porque ele sempre

estava curvado. Seu cabelo, de um negro perfeitamente brilhante, com não

muito mais do que uma única madeixa clara, estava espalhado em sua

testa como espigões, escondia suas orelhas, e pintava com algumas mechas

diagonais suas pálidas bochechas.

Esta era uma imitação de um corte de cabelo dos Beatles, o que para

muitos garotos consistia em nada mais do que pentear o cabelo

cuidadosamente para baixo, ao invés de cuidadosamente para cima, assim

escondendo a testa (e uma boa gama de espinhas). Stoke Jones não usava o

penteado de modo tão fresco. Seu cabelo simplesmente ia aonde ele queria

ir. Suas costas estavam curvadas de um modo que em breve icariam

permanentes, se já não eram. Seus olhos normalmente eram baixos,

parecendo traçar as formas de suas muletas. Se aqueles olhos se

levantassem e encontrassem os seus, você estaria apto a se assustar pela sua selvagem inteligência. Ele era da Nova Inglaterra, um garoto

desperdiçado pelo estrago abaixo de sua cintura. Suas pernas, que

normalmente eram envolvidas por grandes suportes de metal quando ia para a sala de aula, podiam se mover, mas apenas debilmente, como os

tentáculos de um polvo à beira da morte. A parte de cima de seu corpo era

forte para comparar. A combinação era bizarra. Stoke Jones era uma

espécie de propaganda ANTES e DEPOIS que de algum modo havia se

mesclado no mesmo corpo. Ele comeu tudo assim que o Holyoke abriu, e mesmo depois de três semanas após o começo do nosso primeiro semestre,

todos nós soubemos que ele fazia isso não porque ele era uma das pessoas

com di iculdades ísicas, mas porque ele queria, como Greta Garbo, icar

sozinho.

– Foda-se ele. – Ronnie Malenfant disse enquanto comíamos nosso café-da-

manhã certo dia (ele havia cumprimentado Jones, e Jones simplesmente

continuou a caminhar com sua muleta sem nem dar ao menos um aceno).

Ele havia murmurado sob sua respiração; todos nós ouvimos.

– Aleijado cuzão. – esse foi Ronnie, sempre simpático. Acho que foi o fato dele crescer entre bêbados na parte baixa da Lisbon Street em Lewiston

que lhe deu essa sua gentileza, charme, e joie de vivre. (N.T. – Francês.

Significa “alegria de viver”. )

– Stoke, como vai? – Skip perguntou nesta noite em particular enquanto

Jones se impulsionava em suas muletas. Stoke ia pra todo o lado naquele mesmo impulso controlado, sempre com a parte de cima do corpo

empurrada para frente de modo que ele parecia uma representação de

um navio, Stoke continuamente dizia para você se foder para o que quer

que houvesse falado com a parte de baixo de seu corpo, Stoke

continuamente mostraria o dedo, Stoke olhando para você com seus olhos

espertos e dizendo foda-se você, também, en ie isso no seu rabo, sente nele

e saia rodando, coma meu pinto e cuspa caramelo.

Ele não respondeu, mas levantou a cabeça por um momento, e travou o

olhar com Skip. Então deixou o queixo cair e passou por nós. Suor corria por seu cabelo e descia pelos lados de seu rosto. Sob sua respiração ele murmurava “mate-mate-mate”, como se estivesse referindo ao tempo. . ou

articulando o que gostaria de fazer conosco. . ou talvez ambas as coisas.

Você poderia sentir o cheiro dele: o acre picante do suor, sempre havia isso porque ele nunca ia devagar, parecia ofendê-lo ir devagar, mas havia algo mais também.