Corações na Atlântida
Capítulo 25
Eu hesitei. É uma pergunta que a maioria dos rapazes acha di ícil, eu
imagino, e uma das que mais geram respostas mentirosas. Eu não queria
mentir para Carol.
– Não. – eu disse.
Ela tirou a calcinha delicadamente, a jogou no banco traseiro, e laçou os dedos atrás de meu pescoço.
– Eu iz. Duas vezes. Com Sully. Eu não achei que ele foi muito bom. . mas ele nunca esteve numa faculdade. Você esteve.
Tive a sensação de que minha boca estava seca, mas deve ter sido ilusão, porque quando eu a beijei nossas bocas estavam molhadas; eles
deslizaram por todos os cantos, línguas, lábios, e dentes. Quando eu pude falar, eu disse:
– Vou dar meu melhor para compartilhar minha educação universitária.
– Ligue o rádio. – ela disse, desa ivelando meu cinto, e baixando meu jeans.
– Ligue o rádio, Pete, eu gosto das músicas clássicas.
Então eu liguei e a beijei, e havia um local, um certo local, seus dedos me guiaram até lá e houve um momento quando eu senti uma sensação da
qual já estava acostumado, e então havia um novo lugar para se estar. Ela
era bem quente lá dentro.
Bem quente e bem apertada. Ela sussurrou em meu ouvido, seus lábios
relando em minha pele:
– Devagar. Coma todos os vegetais e talvez você ganhe sobremesa.
Jack Wilson cantou “Lonely Teardrops”, e eu fui devagar. Roy Orbison
cantou “Only the Lonely” e eu fui devagar. Wanda Jackson cantou “Let’s
Have a Party” e eu fui devagar. Mighty John fez um comercial sobre
Brannigan’s, o clube mais quente de Derry, e eu fui devagar. Então ela
começou a gemer, e não eram mais seus dedos em meu pescoço, mas suas
unhas cravadas nele, e quando ela começou a mexer seus quadris contra
mim em impulsos pequenos e fortes eu não pude ir devagar, e então os The Platters estavam na rádio, The Platters cantavam “Twilight Time”, e ela
começou a gemer e dizer que não sabia, que não fazia idéia, oh caramba, oh Pete, oh caramba, oh Jesus, Jesus Cristo, Pete, e seus lábios estavam por todas a minha boca, e meu queixo, e minha mandíbula, seus beijos eram
frenéticos. Eu podia ouvir o assento ranger, eu podia sentir o cheio do cigarro e o cheiro fresco de pinho que pendia no espelho retrovisor, e
neste momento eu também estava gemendo. Eu não sei o quê, The Platters
cantavam
“Each day I pray for evening Just to be with you”, e então a coisa começou a
acontecer.
Os espasmos se tornaram êxtase. Eu fechei meus olhos, eu a segurei com
meus olhos fechados e continuei a penetrá-la dessa forma, do jeito que
você faz, tremendo dos pés a cabeça, ouvindo a sola dos meus sapatos
batendo contra a porta do motorista em um espasmódico tambor,
pensando que eu poderia fazer isto mesmo que estivesse eu morrendo,
mesmo que eu estivesse morrendo, mesmo que eu estivesse morrendo;
pensando também que isso era informação. Os espasmos se transformam
em êxtase, as cartas caem onde elas caem, o mundo nunca perde uma
batida, a rainha se esconde, a rainha é encontrada, e era tudo informação.
25
Na manhã seguinte eu tive um breve encontro com meu instrutor de
Geologia, que me disse que estava no limite de adentrar em uma situação
grave. Isso não é exatamente informação nova, Número Seis , eu pensei em lhe dizer, mas não o iz. O mundo parecia diferente nesta manhã, tanto
melhor quanto pior.
Quando eu voltei ao Chamberlain, encontrei Nate se aprontando para ir
para casa. Ele tinha uma maleta em uma mão. Havia um adesivo nela que dizia EU MONTEI EM MINHA WASHINGTON. Em seu ombro estava um
monte de roupas sujas. Como todo o resto, Nate parecia diferente agora.
– Tenha um bom feriado de Ação de Graças, Nate. – eu disse, abrindo meu
armário e começando a tirar as calças e camisas aleatoriamente. – Como
muito. Você está magro pra caralho.
– Eu vou. Molho de oxicoco também. Quando eu estava na maior saudade
de casa na primeira semana, o molho de minha mãe era tudo o que eu
conseguia pensar.
Eu enchi minha própria maleta, pensando que poderia levar Carol até a
parada de ônibus em Derry e então seguir em frente. Se o trânsito na Rota
136 não estivesse muito pesado, eu poderia voltar antes de escurecer. Até
poderia parar na Frank’s Fountain para tomar um refresco antes de seguir
pela Estrada Sabbatus até em casa. De repente sair deste lugar (para longe
do Chamberlain Hall e Holyoke Commons, para longe da maldita
Universidade inteira) era minha prioridade número um. Você está confuso Pete, Carol havia dito no carro na noite passada. Você não sabe o que você quer ou o que pensa, e não vai enquanto você continuar a jogar aquelas cartas.
Bem, esta era minha chance de icar longe das cartas. Machucava saber
que Carol ia embora, mas eu estaria mentindo se dissesse que essa era a coisa principal em meus pensamentos naquela hora. Naquele momento,
era sair do salão do terceiro andar.
Ir para longe d’A Puta. Se você for reprovado em Dezembro, você está apto a
cair em uma selva no próximo Dezembro . Mantenha contato, gata, te vejo por aí, como Skip Kirk normalmente dizia.
Quando eu terminei de arrumar a mala e a fechei, olhei em volta, e Nate ainda estava na porta. Eu pulei e soltei uma pequena exclamação de
surpresa. Era como ser visitado pela porra do fantasma de Banquo (N.T. –
Fantasma de um personagem assassinado, na peça MacBeth, de WilliamShakespeare. ).
– Ei, pode ir, dá o fora. – eu disse. – O tempo e a maré não esperam por ninguém, nem mesmo os dentistas.
Nate apenas ficou ali, me olhando.
– Você vai ser reprovado. – ele disse.
Novamente eu pensei em como Nate e Carol estranhamente se pareciam,
quase como o lado masculino e feminino da mesma moeda. Eu tentei sorrir,
mas Nate não sorriu de volta. Seu rosto era pequeno, branco e irme. O
rosto americano perfeito. Você vê um cara magricela que sempre se
queima ao invés de se bronzear, cujas idéias de vestuário incluem gravata
de cordinha, e uma aplicação liberal de Vitalis, um cara que parece não ter
dado uma cagada decente em três anos, e era bem possível que aquele
cara tivesse nascido e sido criado ao norte de White River, Nova
Hampshire. E em seu leito de morte, suas últimas palavras seriam “molho
de oxicoco”.
– Que nada. – eu disse. – Não se preocupe, Nate. Está tudo legal.
– Você vai ser reprovado. – ele repetiu. Suas bochechas começavam a
corar lentamente. – Você e Skip são os caras mais legais que eu conheço, não houve ninguém no colégio como você, não no meu colégio pelo menos,
e vocês vão ser reprovados e isso é tão estúpido.
– Eu não vou ser reprovado. – eu disse. . mas desde aquela noite eu me achei aceitando a idéia de que poderia ser. Eu não estava no limite de adentrar uma situação grave; cara, eu estava lá. – Skip também. Está sob controle.
– O mundo está caindo, e vocês dois estão sendo reprovados por causa de
Copas! Por causa do caralho de um maldito jogo de cartas!
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ele se fora, voltou para o
interior para comer seu peru e as guloseimas de sua mãe. Talvez até
ganhar uma punheta, sem tirar as calças, de Cindy. Eu, por que não? Era o